17/07/2017 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Em Corinto, na companhia de Silvano e Timóteo, Paulo escreveu a 1ª Carta aos Tessalonicenses, como podemos atestar no primeiro versículo: “Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja de Tessalônica, em Deus Pai, e no Senhor Jesus Cristo. A vós graça e paz!” (1Ts 1,1).

Como não havia, naquele tempo, um serviço postal como o nosso, Paulo deve ter confiado a carta a algum cristão das comunidades de Filipos ou de Bereia, que acompanhou Silvano e Timóteo até Corinto (2Cor 11,9). Como Paulo recebeu boas notícias sobre os cristãos tessalonicenses, ele transformou o seu temor em admiração diante da ação de Deus naquela comunidade. Por isso, sua carta será sem polêmica, sem exigências de progresso, mas, ao contrário, plena de serenidade, de ternura e de confiança no futuro espiritual daqueles cristãos.

A comunidade cristã de Tessalônica era formada, majoritariamente, por pagãos que adoravam as várias divindades cultuadas na cidade (cerca de 20), antes de conhecerem o Evangelho. Existia um pequeno grupo de judeus que aderiu à pregação paulina, dentre eles Jasão (At 17,5), quando Paulo pregou na sinagoga por três sábados consecutivos (At 17,2). Havia também muitos “adoradores de Deus”, ou seja, não-judeus crentes no Deus de Israel e um bom número de senhoras da alta sociedade de Tessalônica. Essa comunidade cristã precisava lidar com a oposição constante da sinagoga e também do mundo greco-romano.

Paulo faz, por exemplo, uma crítica incisiva aos judeus de Tessalônica: “da parte dos vossos conterrâneos tivestes de sofrer o mesmo que aquelas Igrejas sofreram da parte dos judeus” (1Ts 2,14). Não podemos utilizar esses versículos para justificar qualquer forma de antissemitismo. Lembremo-nos de que Paulo e seus companheiros Silas e Timóteo eram judeus que aceitaram o messianismo de Jesus. Na realidade, Paulo ataca o adversário direto de sua missão, a sinagoga tessalonicense, que recusou o Evangelho e promoveu diversos empecilhos para a igreja nascente.

Por outro lado, sempre havia o perigo de os cristãos provenientes do paganismo conservarem costumes opostos à fé. A idolatria não consistia apenas no culto das divindades pagãs (politeísmo), mas também na aceitação de valores totalmente contrários à moral cristã, como afirma Paulo: “que cada qual saiba tratar a própria esposa com santidade e respeito, sem se deixar levar pelas paixões, como os gentios, que não conhecem a Deus” (1Ts 4,4-5).

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