4º DOMINGO DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR, ANO C – 12 de maio de 2019

4º DOMINGO DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR, ANO C – 12 de maio de 2019

10/05/2019 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

“AS MINHAS OVELHAS ESCUTAM A MINHA VOZ”

 

Leituras

     Atos 13,14.43-52. Eu te coloquei como luz para as nações.

     Salmo 99/100,2.4.5-6.12-13b. Somos o seu povo e seu rebanho.

     Apocalipse 7,914b-17. O Cordeiro está no meio do trono, será o seu pastor.

     João 10,27-30. Eu e o Pai somos um.

 


1- PONTO DE PARTIDA

Domingo do Bom Pastor. O quarto domingo da Páscoa é denominado o domingo do Bom Pastor. É também Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Hoje a liturgia nos apresenta Cristo como Bom Pastor, aquele que dá vida plena a seu rebanho. Como rebanho do Senhor, nossa comunidade é convidada a ouvir sua voz e seguir sua proposta. Só assim encontraremos a vida em plenitude. O que faz o pastor para que ele seja bom? O que faz o bom pastor para que as ovelhas lhe dêem ouvidos?

Infelizmente, vamos encontrando em nossa realidade dirigentes que assumem atitudes de dominação e poder, aniquilando a voz do povo. Jesus nos ensina que o verdadeiro dirigente é aquele que ajuda o povo a construir seu próprio destino.

Rezemos neste Domingo pelo papa Francisco, bispo de Roma e nosso pastor universal, que o Senhor que o escolheu para este ministério petrino o conserve com saúde, paz e a simplicidade evangélica. Rezemos também por todas as mães.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – Atos dos Apóstolos 13,14.43-52-12. Nosso texto de hoje situa-se na primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé, que de Antioquia vieram pra Selêucia (porto),indo para a ilha de Chipre, de onde rumaram para a Ásia Menor: Panfília e Pisídia – quando João Marcos se retirou do grupo. De Perge da Panfília (evangelizada no retorno; cf. Atos 14,25) viajaram para Antioquia da Pisídia (160 km), cidade fundada no início do século III antes de Cristo, grande centro comercial e pertencia à província romana da Galácia; este percurso foi muito difícil por causa do caminho entre as montanhas escarpadas  do Taurus (2Coríntios 11,23-28). Aí chegando, entraram na sinagoga ao sábado. Era uma estratégia pastoral de Paulo, muito oportuna para dar a conhecer a nova doutrina, porque na sinagoga havia judeus e não-judeus, simpatizantes da doutrina de Moisés: “tementes a Deus” e “prosélitos” (cf. Atos 10,2; 13,16.50; 2,11;6,5).

As palavras de Paulo na sinagoga impressionaram a todos. Nem tudo, porém, ficou tão claro, porque o convidaram a voltar no sábado seguinte (Versículo 44). É provável que um dos pontos que não ficou claro é a justificação pela fé em Jesus Cristo e não pelas obras da Lei (versículos 38ss) que para eles surgiram graves conseqüências. Terminada a celebração na sinagoga, “muitos judeus e prosélitos, que adoravam a Deus, aderiram a Paulo e Barnabé, os quais com muitas palavras os exortavam a perseverar na graça de Deus” (versículo 43).

No sábado seguinte, o afluxo foi grande (“quase toda a cidade”), todos ansiosos para ouvir a nova doutrina. Supõe-se que, durante a semana, correu pela cidade sobre o pregador recém-vindo com uma doutrina tão independente da Lei. Havia bastante adeptos, judeus e prosélitos, que, sem esperar o sábado seguinte, foram instruindo-se ao longo da semana (versículo 43). Houve uma reação negativa dos judeus (versículo 45: inveja, protestos, injúrias) e da parte dos pagãos uma atitude positiva (versículo 48: alegria, louvor a Deus, ato de fé).

Para os judeus aceitar o Messias, sem passar pela circuncisão e pela Lei, seria cair por terra todas as prerrogativas religiosas e raciais de que os Judeus tanto se orgulhavam (Atos 10, 28.34). Diante disso, tomaram atitudes contra Paulo: indignação, insultos, protestos e blasfêmias (versículo 45; cf. Atos 17,6; 19,3.37; 26,11). É a inveja dos judeus diante da vocação dos pagãos, é a não aceitação do universalismo da salvação cristã. Paulo não se intimidou e declarou, com solenidade e firmeza (“Era a vós que em primeiro lugar se devia anunciar a palavra de Deus. Mas, porque a rejeitais e vos julgais indignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os pagãos” versículo 46; cf. Atos 18,6; 19,8).

É a passagem dos judeus para os pagãos: eles tinham a preferência, mas como rejeitam a mensagem de Jesus Cristo, o apóstolo passa para os pagãos que a aceitam sempre com mais agrado.

Para confirmar e ilustrar sua decisão de passar aos pagãos, Paulo apela para uma ordem do Senhor Deus (versículo 47), citação livre de um trecho de Isaias: “Eu te estabeleci para seres luz das nações e levares a salvação até os confins da terra” (Isaias 49,6; cf. 42,7.16); o texto profético visa ao Servo do Senhor, o Messias, não a Paulo e Barnabé; mas também pode aplicar-se adequadamente aos pregadores do Evangelho., por que através deles que o Messias se faz Luz para as nações realizando a profecia (1,8).

Paulo e Barnabé viram-se obrigados a abandonar a cidade, rumo a Icônio, não sem antes realizar o gesto simbólico, prescrito por Jesus (Mateus 10,14), de sacudir o pó de seus pés contra os perseguidores (versículo 51). Contudo, os discípulos que ficaram viviam alegres na fé, fruto do Espírito Santo (versículo 52; cf. Atos 2,46; 6,3.5; 11,24). Lucas em todo o Livro dos Atos dos Apóstolos não para de indicar a ação interna e secreta do Espírito Santo, como concretização da frase de Pentecostes: “…e todos ficaram cheios do Espírito Santo” (Atos 2,4).

Salmo responsorial – 99/100,2.4-6..11-13b. A alegria cristã (versículo 2) ligada à conclusão da primeira leitura (cf. Atos 13,52) pode conviver também  com a provação; de fato, ela não é motivada por situações exteriores mas pela consciência do dom sublime de que somos destinatários: o de pertencermos ao Povo de Deus e sermos objeto da sua amorosa solicitude pastoral (versículo 3).

O salmo é um hino de procissão e um louvor universal a Deus. Talvez o povo respondesse com uma antífona do último versículo dos repetidos convites do coro. O serviço do Senhor consiste, principalmente, no culto. Este serviço não é escravidão, e deve ser oferecido com alegria. Música, canto, procissão são a expressão ritual desta atitude interna de serviço: que expressa e alimenta esta atitude. O saber é uma penetração pela fé, é um ato de reconhecimento. O povo existe como “povo de Deus”: uma das imagens favoritas é do pastor e rebanho.

O fato de existir como povo de Deus é motivo para agradecer: a diferença entre o hino, a ação de graças e o bendizer o seu nome é pequena. Resposta do povo: na breve procissão litúrgica rompem-se os limites do Templo, aclamando um amor que é para sempre.

O rosto de Deus neste salmo. Assim como há mútua pertença entre as ovelhas de um rebanho e seu pastor, há estreita parceria entre Deus e seu povo (“somos o seu povo”). E isso nos situa no coração da Aliança. Além disso, o salmo supera a visão estreita de que Deus seja aliado somente de Israel. Ele faz isso convidando a “terra inteira” aclamar, servir, e reconhecer que o Senhor é o único Deus. Não resta dúvida de que o rosto de Deus aqui aparece como Pastor universal e somos o seu rebanho.

De acordo com o Evangelho de João, Jesus é o amor fiel do Pai (João 1,17), aliado de toda a humanidade para a vida (João 10,10). As ações de Jesus (milagres) revelam sua bondade e a bondade daquele que O enviou, sem discriminar por causa da raça, sexo ou condição social. Ele tratou a todos como filhos e filhas de Deus. Reagiu com força contra um culto formalista e vazio, estéril e descompromissado com a prática da justiça.

Cantando este salmo na celebração deste quarto domingo da Páscoa, louvemos ao Senhor, nosso Criador e Pastor, pela graça de fazermos parte do povo que Ele escolheu.

SABEI QUE O SENHOR, SÓ ELE, É DEUS,

NÓS SOMOS SEU POVO E SEU REBANHO.

            Segunda leitura – Apocalipse 7,9.14-17. São João depois de contemplar a Igreja missionária e os 144.000 assinalados (versículo 4) vê no céu incontável multidão de escolhidos dentre todas as nações que vão chegando e se colocam em pé diante do trono e do Cordeiro. Tal multidão simboliza a Igreja universal, integrada de pessoas de qualquer raça ou nação. Deus havia prometido a Abraão que nele seriam abençoados todos os povos da terra (Gênesis 12,3; 28,14).

Os eleitos, segundo São João (versículo 14), pareceriam ser em primeiro lugar os mártires cristãos que vieram da grande tribulação e já possuem a felicidade eterna, sem que se excluam todos os que os que triunfam em sua caminhada terrena; assim como a Transfiguração precede a Paixão, assim também esta visão celeste prepara o vidente para aceitar os maléficos vindouros. As “vestes brancas e palmas na mão” significam seu triunfo e como conseqüência a felicidade, embora possam indicar qualquer cristão que venceu o mundo. O cristão que permaneceu fiel à sua fé, por entre as mudanças que ocorrem neste mundo, obtém uma vitória custosa, parecida à dos mártires. Na visão de São João, a vida celeste é prolongamento da vida infundida no batismo: vê os fiéis como em peregrinação para o céu, onde se juntarão aos anjos e santos, para louvar a Deus por toda a eternidade pelo benefício da salvação, realizada pelo Cordeiro (versículos 10-12); a Igreja militante e triunfante, na prática, se identificam, se sobrepõem, se compenetram (versículos 1-12).

O tema dos louvores é sempre o mesmo: tudo pertence a Deus e ao Cordeiro, porque tudo deriva deles, em especial a redenção pelo sangue do Cordeiro (versículo 14); em seguida,qualificam-se explicitamente quem são e de onde viram aqueles que andam vestidos de vestes brancas (versículos 9.13): “são os sobreviventes da grande tribulação… lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (versículo 14). A grande tribulação não é bem a dos últimos tempos que antecipam o juízo final, mas provavelmente se trata, mais de imediato, da perseguição de Nero César (Apocalipse 2,10-13; 3,10s; 6,10), arquétipo de todas as perseguições contra o Cristianismo. A multidão vestida de branco, lavada no sangue do Cordeiro (Êxodo 19,10-14; Gênesis 49,11), inclui, além dos mártires sob Nero, também todos aqueles que se purificaram pelo batismo (Atos 1,7) e demais sacramentos, através dos quais nos vem a força redentora do Sangue de Cristo (Atos 1,5; Hebreus 9,7ss; 1João 1,7).O batizado recebe a vida divina pela graça, a qual já é o começo da vida eterna que, embora pontilhada de tribulações, só no céu se revelará em plenitude. Os mártires gozam no céu desde agora, antes do fim da história (Apocalipse 14,13).

O Cordeiro, a partir do trono, desempenhará a tarefa de bom pastor, levando os escolhidos às fontes da água viva e enxugando toda lágrima (versículo 17), porque Jesus é o Caminho, único  e verdadeiro, para ir ao Pai (João 6,47; 10,28) e também a fonte da vida (Apocalipse 22,1;João 4,10-14; 7,38).

Com freqüência o Primeiro Testamento compara Javé a um pastor que apascenta ovelhas e as conduz às pastagens (Isaias 40,11; Ezequiel 34,23; Salmo 22,1; 79,2; Miquéias 7,14; Zacarias 10,2). Jesus Cristo além de chamar-se o Bom Pastor que reconhece as suas ovelhas e as defende dos lobos (João 10,14; Hebreus 13,20)

            Evangelho – João 10,27-30. O texto do Evangelho de hoje apresenta Jesus como o Bom Pastor, aquele que dá a vida por suas ovelhas, em meio a uma sociedade marcada pela opressão e pela injustiça. Como homem de sentimentos e emoções , Jesus sentiu profundamente o modo como o povo vivia.

Os versículos 27-28 são uma aplicação da alegoria do Bom Pastor, que introduziu todo o complexo do capítulo 10. As ovelhas conhecem a voz do Pastor e o seguem (cf. João 10,3), e Ele as conduz para a pastagem, que simboliza a vida eterna. Cristo pode dar sua vida eterna em dois sentidos: a) porque dá sua própria vida (versículo 17); porque Ele tem o poder de retomá-la (versículo 18). Ninguém pode arrebatar as ovelhas das mãos do Cristo, porque o Pai, que, as deu (“me deu tudo”). Cristo e o Pai são um. Com esta frase, toda a alegoria do Bom Pastor chega à sua “parresia”, a sua plena exposição: a unidade de Jesus e o Pai.

A ocupação romana sobre a Palestina trouxe várias conseqüências para a vida do povo. O latifúndio foi tomando o lugar da propriedade comunal. A cobrança de impostos, em vez de ajudar o povo, manteve-o na servidão e levou-o a fome, empobrecimento, doenças, endividamento e desemprego, principalmente em Jerusalém. A lei era uma das formas de manter o povo marginalizado, no cativeiro. As elites chegavam a dizer que era “um povinho maldito” (João 7,49). O templo tornara-se o centro da estrutura de poder político e religioso. Em nome de Deus, oprimia-se e explorava o povo pobre. No templo, eram oferecidos inclusive sacrifícios ao imperador.

É a partir deste contexto que Jesus exerce sua missão, não em nome próprio, mas em nome do Pai. “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30). O episódio do Bom Pastor acontece na festa da consagração do templo, Jesus aproveita para dizer que a salvação não está no templo, mas na construção do Reinado de Deus. Ele é o pastor, modelo de testemunho e vida. Ele se entrega ao povo, pela obediência ao Pai. Ele e o Pai constroem juntos em um sonho, um projeto. É preciso guiar, orientar o povo, arrancá-lo da cegueira e levá-lo a apaixonar-se pelo projeto do Pai. Esse é o Reinado de Deus: o poder-serviço em favor da justiça (Sl 99).

As ovelhas conhecem a voz do pastor, pois o pastor se relaciona com elas, está junto, percebe suas angústias e necessidades. Elas o seguem, pois conhecem seu projeto. Da mesma forma, o pastor Jesus tem uma relação de respeito e de carinho para com o povo. Ele quer a libertação das estruturas injustas do poder religioso e político centrado no templo. Para isso, ele sabe que é preciso estar junto, caminhar, conhecer, ir ao encontro, ouvir, reconstruir a esperança.

As ovelhas são do pastor, ninguém vai arrancá-las de sua mão e da mão do Pai. A elas é oferecida a vida eterna. Por causa dessa coerência com o projeto do Pai, Jesus é odiado pelas autoridades. Sua palavra e sua prática trazem muitos conflitos, especialmente para aqueles que se sentiram incomodados com sua proposta e lhe impuseram a cruz.

Merece uma consideração especial os temas da “vida eterna” e da “unidade” de Jesus e o Pai. A “vida eterna”, como muitos já observaram, substitui em João, o tema do Reino de Deus. O que o Messias-pastor vinha instaurar era o Reino de Deus. Neste contexto, notamos claramente que “vida eterna” é pertencer a Deus mediante a entrega (como ovelhas confiantes no seu Pastor) a Jesus Cristo.

O que significa a unidade de Jesus com o Pai? Não significa identidade: trata-se de duas pessoas, não de uma só. Nem mesmo significa uma espécie de colegado de iguais, pois o Pai é maior do que o Filho (João 14,28), o que significa: o Pai manda (n) o Filho. Em que consiste então a unidade entre Jesus e o Pai? Apesar da fórmula de 14,28, não se trata de subordinacionismo (problema do pensamento grego, não de João; certos gregos influenciados pelo platonismo, julgavam a natureza humana (substancia), do Filho subordinada à do Pai). Pelo contrário, o Pai e Jesus são unidos no “exercício” de uma mesma realidade divina (res et substantia), mas Jesus a realiza como Filho e Servo Padecente. Se Jesus não fosse esse “menor” com relação ao Pai que é o “maior”, se Jesus não fosse Filho e Servo, Ele não realizaria a realidade divina. É como enviado do Pai, obediente até a morte, que Ele realiza a “glória” (termo bíblico para indicar a substância divina). Por isso, o momento da glorificação de Jesus, conforme João, é o momento da sua “exaltação” na Cruz (cf. João 12,31-33), o momento em que Ele deposita sua vida para a reassumir, como é explicado na alegoria do Bom Pastor (1.17s). é no depositar sua vida por nós que Jesus realiza sua união íntima com o Pai: seu ser divino.E é no reassumir sua vida, que Ele nos manifesta este mistério. A unidade do Pai e do Filho é descrita, nas diversas páginas do Evangelho de João, com imagens e termos muito variados.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

O que significa ser pastor hoje? O que é um mau pastor? As lideranças políticas, religiosas, sindicais, dos movimentos sociais agem como bons pastores? Que tipo de pastor você é na família, na comunidade, em seu local de trabalho? São perguntas que freqüentemente precisamos nos fazer para não cairmos no ativismo.

No evangelho, Jesus se coloca em oposição aos maus pastores, que são ladrões e assaltantes. É um convite para que façamos o mesmo: devemos ser hoje bons pastores, boas pastoras. Para tanto, é necessário conhecer a realidade, saber fazer a leitura dos fatos e acontecimentos, caminhar junto com o povo, olhar para as periferias das cidades, marcadas pela dor, violência e fome.

É preciso trazer o pobre e o excluído para o centro de nossa evangelização, de nossas atenções. É preciso ter coragem e paixão pelo Projeto do Reino, que é o centro de toda a mensagem de Jesus. Fazer parte de seu discipulado é beber e comer do seu projeto, do seu sonho. É esvaziar-se de si mesmo e colocar-se numa atitude de aprendiz.

Ser pastor hoje é desenvolver a ética do cuidado, da compaixão, da ternura. É perceber que o outro é o meu semelhante, meu irmão. Todo o nosso culto a Deus, todo rito, todo sacramento deve ter como centro o seguimento de Jesus, caminho, verdade e vida. Ser pastor é ser presença solidária junto dos esquecidos, que estão dentro do coração de Deus. É cuidar do planeta Terra, assumindo, no respeito ilimitado a todo ser, a responsabilidade diante do futuro do nosso planeta.

A exemplo de Jesus, de Paulo e Barnabé, não podemos fugir de nossas responsabilidades. Precisamos ser profetas e profetizas da esperança, não nos cansando de denunciar todo tipo de morte. Precisamos entregar nossa vida, nosso tempo, nossas idéias pela causa do Reino, para que Deus governe a história, sendo um sinal de vida e esperança para todos. Nunca mais a fome, o luto e a dor. Que “o negro, o índio e o branco, todos comam do mesmo prato”.

Ser pastor é se fazer escutar pelas ovelhas, despertar no coração do povo confiança e esperança. Não se trata de palavras vazias, superficiais, fora do tempo. Trata-se de tocar o coração do povo com o amor e a compaixão de Jesus, para construir alternativas de vida e sobrevivência.

4- A PALAVRA SE FEZ CARNE E SE FAZ CELEBRAÇÃO

 

De Pastor a Cordeiro, por Amor

 

A prova de que Jesus conhece o Pai e ele é pelo Pai conhecido se encontra, segundo Gregório Magno, no fato de Ele entregar sua vida por amor. Dito de outra forma, é porque Jesus ama o Pai e se vê por Ele amado que se dá aos seus irmãos, sem fazer conta da própria vida. O ensinamento destes versículos é de uma profundidade incrível: o verdadeiro conhecimento de Deus passa – necessária e exclusivamente – pela experiência do amor aos irmãos, como expressão do amor a Deus e de Deus.

O Pastor torna-se Cordeiro, portanto, à medida que o Amor do Pai cresce, sua relação com Ele se aprofunda.

 

Sacrifício: partícipes da vida de Deus no Amor

 

Há quem pergunte porque Deus “abandonou” Jesus, seu Filho na cruz. Não se deram conta que Ele – O Senhor – deu-lhe tudo que tinha em Amor e que Jesus compreendendo sua vida como “benção”, não poderia guardá-la para si, senão imolá-la para outros, para que os que viessem em seu rastro pudessem também fazer a mesma experiência do Amor do Pai. Ele deu às ovelhas que o Pai lhe confiou o que mais precioso tinha: o amor com o qual foi amado. Não se trata só de altruísmo, mas de sacrifício em sentido pleno: possibilitar que seus irmãos e irmãs participassem do “sacro”, à medida que vivessem o seu Amor – que se explicita na solidariedade total. O cordeiro, então, agiu como Pastor e nos guiou, mediante a entrega de si mesmo, ao Reino do Pai. E assim continua Gregório: “Quais são, afinal, as pastagens dessas ovelhas, senão as profundas alegrias de um paraíso sempre verdejante? Sim, o alimento dos eleitos é o rosto de Deus, sempre presente. Ao contemplá-lo sem cessar, a alma sacia-se eternamente com o alimento da vida.”

 

A celebração e a experiência das “verdes pastagens”

O frescor do Jardim da Ressurreição ao qual Jesus nos conduziu é sentido no interior da celebração de seu Mistério Pascal. A comunidade de seus discípulos e discípulas que está no rastro do mesmo amor que moveu sua vida, se entrega à experiência da fraternidade e comunhão. Ocupa o mesmo espaço, ouve a mesma Palavra, dirige (unidos) as mesmas súplicas uns pelos outros e pela humanidade inteira, partilha de um só pão e cálice e é toda encaminhada para a mesma missão: oferecer ao mundo a face amorosa do Pai. Tornar degradado este espaço de bênção, tornando-o cabide para os próprios caprichos e gostos, pode ser o começo do arruinar-se de uma caminhada no Amor do Pai e – contrariando o Evangelho – significa arrebatar as ovelhas das mãos de Jesus, dando-lhes um destino que não é a comunhão em Deus.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Na Eucaristia, Jesus, o Bom Pastor, alimenta-nos com o pão da vida. Ele nos conhece profundamente. Ele sabe que, apesar de nossos pecados, nós o amamos e por isso estamos reunidos para celebrar sua Páscoa.

Ele é pastor porque sempre se mostrou cheio de misericórdia e compaixão pelos pobres e pequenos, pelos doentes e pecadores, colocando-se ao lado dos perseguidos e marginalizados (Oração Eucarística VI-D). Na comunidade reunida, concretiza-se a Palavra de Deus: haverá um só rebanho e um só pastor. O espírito nos une num só corpo (Oração Eucarística V).

O presidente da celebração é para a comunidade símbolo do Bom Pastor que dá sua vida para o povo que lhe foi confiado. Ele ama seu povo, como Cristo nos ama. Ele nos conhece como Cristo nos conhece. Rezemos para que ele continue sendo sinal do Bom pastor, preocupado especialmente com os pobres e abandonados.

Todos nós, que participamos da Eucaristia, somos também sinais do Bom Pastor na medida em que chamamos o povo desgarrado a participar ativamente da comunidade.

Como ovelhas de seu rebanho, esperamos ser conduzidos às fontes de água viva. Ali Deus enxugará as lágrimas de nossos olhos. Reunidos em comunidade, bebemos desta fonte de água viva que é a Eucaristia. É a partir dela que nasce um mundo novo.

  1. ORIENTAÇÕES GERAIS

  1. Os cinqüenta dias que vão desde o Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor até o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com verdadeira alegria como se fosse um grande domingo. Esses cinqüenta dias é como se fosse um só dia de festa, “símbolo da felicidade eterna” (Santo Atanásio). Os domingos pascais se caracterizam pela ausência de elementos penitenciais e pela acentuação de elementos festivos. A alegria deve ser a característica do Tempo Pascal. A alegria deve estar presente nas pessoas da comunidade e também no espaço litúrgico, na cor branca (ou amarela), nas flores, no canto alegre do “Aleluia”, na alegria de sermos aspergidos pela água batismal, no gesto da acolhida e da paz. O Tempo Pascal constitui-se em “um grande domingo”. Vivenciamos dias de Páscoa e não após a Páscoa.

  1. Durante a celebração, além dos ministérios litúrgicos, é importante dar destaque a todos os ministérios presentes e atuantes na comunidade. Em algum momento da celebração, pode-se fazer a renovação de seu envio em missão.

  1. Dar destaque durante o Tempo Pascal para a água batismal. Onde há pia batismal, ela deve ser o ponto de referência para a realização de ritos como aspersão, renovação de promessas, compromissos. Onde não há pia batismal, preparar alguma vasilha de cerâmica, de preferência junto do Círio Pascal.

  1. O Tempo Pascal é, muito indicado, liturgicamente, para as celebrações da Crisma e da primeira eucaristia, numa continuidade com a noite batismal da Páscoa.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com o Tempo Pascal e com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Páscoa, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. O canto de abertura deve nos introduzir no mistério celebrado.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico II da CNBB e o Ofício Divino das Comunidades nos oferecem uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia  XV.

 

  1. Canto de abertura. A criação: obra do amor de Deus. “Cristo ressuscitou, aleluia”, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 8.

 

  1. Refrão para o acendimento do Círio Pascal. “Cristo-Luz, ó Luz, ó Luz bendita…”, CD: Festas Litúrgicas I, melodia da faixa 9; “Salve Luz eterna, és tu Jesus…”, Hinário Litúrgico II da CNBB, página 292.

  1. Canto para o momento da aspersão com a água batismal. “Eu vi, eu vi, a água manar”, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 12; “Banhados em Cristo, somos uma nova criatura, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 11 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 196.

 

  1. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD: Tríduo Pascal I e II e também no CD: Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Míria Reginaldo Veloso e outros compositores.

 

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

 

  1. Salmo responsorial. É um louvor universal a Deus. “Sabei que o Senhor, só ele é Deus, nós somos o seu povo e seu rebanho, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 2.

  1. Aclamação ao Evangelho. O Bom Pastor conhece as ovelhas e elas o conhecem (João 10,14). “Aleluia… Eu sou o Bom Pastor, diz o Senhor…”, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 7. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

 

  1. Canto de apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, no Tempo Pascal. O Senhor venceu a morte e nos abriu as portas do céu. “Senhor, vencestes a morte”, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 4.

  1. Canto de comunhão. Ressuscitou o Bom Pastor… Entregando a sua própria vida livremente, Cristo tornou-se o Bom Pastor. “Vós sois meu pastor, ó Senhor, nada me faltará se me conduzis”, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 10.

O Missal Romano oferece muita flexibilidade na organização da comunhão, não diz que se deve cansar a assembleia com muitos cantos. Também não tem sentido depois que os fiéis comungarem, continuar executando o canto até a última estrofe cansando a assembleia. É uma questão de bom senso.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

  1. O espaço celebrativo deve remeter à alegria do Tempo Pascal: as flores, o Círio Pascal e a fonte batismal devidamente ornamentados. Onde for possível, as alfaias brancas com elementos dourados remeterão à vitória. É importante que o espaço celebrativo da Vigília Pascal continue o mesmo para todo o Tempo Pascal. A Tradição Romana usa a cor branca neste tempo. Talvez, de acordo com a nossa cultura, podemos caprichar, usando o dourado ou várias cores fortes. O Tempo Pascal não é nada mais, nada menos do que a própria celebração da Páscoa prolongada durante sete semanas de júbilo e de alegria. É o tempo da alegria, que culmina na festa de Pentecostes. Tudo isso deve ficar evidente no espaço da celebração.

  1. O Círio Pascal deve estar sempre presente, junto à Mesa da Palavra em todas as celebrações do Tempo Pascal. É importante que o Círio seja aceso no início da celebração, após o canto de abertura, enquanto a assembléia entoa um refrão pascal. Ele é o sinal do Cristo ressuscitado, Senhor de nossas vidas.

  1. Sugerimos colocar, próximo ao Círio Pascal, as faixas jogadas ao chão e o véu dobrado como os discípulos encontraram ao entrar no sepulcro.

  1. AÇÃO RITUAL

Valorizar os ritos iniciais, pois a reunião da comunidade é lugar da manifestação do Ressuscitado. O uso do incenso na celebração acentuará o aspecto solene e festivo do Tempo Pascal.

Acolher, com afeto e alegria, os irmãos e irmãs que chegam para tomar parte na celebração pascal – para o encontro com o Senhor ressuscitado.

 

            No mural da entrada da Igreja, colocar um ícone, uma imagem do Bom Pastor, um cajado. Ou levar na procissão de entrada.

 

Ritos Iniciais

  1. Na procissão de entrada entrar com as pessoas que foram batizadas ou pessoas que receberam um dos sacramentos na Vigília Pascal, ou crianças com vestes brancas, trazendo flores. Além da cruz processional e das velas, podem ser levados símbolos da caminhada pastoral da comunidade como: cajado, bolsa de pastor, sandálias, instrumentos de trabalho das diversas pastorais.

  1. Dar particular destaque à acolhida do Círio Pascal. Por exemplo, após o canto de abertura, fazer um pequeno lucernário, solenizando o acendimento do Círio Pascal: uma pessoa acende o Círio e diz: “Bendita sejas, Deus da Vida, pela ressurreição de Jesus Cristo e por essa luz radiante!”. Ou outros refrões que revela o sentido pascal: “Salve, luz eterna és tu, Jesus!/ Teu clarão é a fé que nos conduz! (Hinário II, pág. 292). “Cristo-Luz, ó Luz bendita,/ Vinde nos iluminar!/ Luz do mundo, Luz da Vida,/ Ensinai-nos a amar! A seguir, incensa o Círio pascal e a comunidade reunida.
  2. Se a comunidade tiver dificuldade para fazer este pequeno lucernário, a procissão de entrada pode ter à frente o Círio Pascal aceso. Neste caso, não se usa a cruz processional, que permanece em seu lugar de costume.

  1. Na acolhida, pode-se retomar o costume das Igrejas Orientais de saudarem-se com as seguintes palavras:

“O Senhor ressuscitou, verdadeiramente ressuscitou!”, que sua graça e sua paz esteja convosco.

 

  1. Pode ser também a fórmula “d” do Missal Romano (Romanos 15,13).

 

O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.

  1. Após a saudação presidencial dar o sentido litúrgico:

Domingo do Bom Pastor. A alegria da Páscoa enche o universo e nos convida a dar graças a Deus pela vida que nasce da entrega de Jesus. Nesta celebração, peçamos que o Senhor coloque em nosso coração o desejo de escutar sempre a sua Palavra e de buscar a comunhão com Ele, com os nossos pastores e as pessoas de nossa convivência.

  1. Nas palavras de boas vindas, o presidente da assembléia procure não fazer deste Domingo unicamente um “domingo das vocações”, isto é, um domingo temático. É Cristo morto e ressuscitado que é festejado e cantado em todos os domingos da Páscoa. Hoje, ele nos é apresentado com traços de Pastor, que nos precede e nos guia para as fontes de vida. O Ressuscitado é o Caminho, a Verdade e a Vida.

  1. Substituir o ato penitencial pelo rito de aspersão com a água (se possível perfumada) que foi abençoada na Vigília Pascal. Ajudar a comunidade a aprofundar sua consagração batismal. Não havendo água abençoada na Vigília Pascal, o ministro reza o oração de bênção conforme o Tempo Pascal que está no Missal Romano página 1002. No ato da aspersão, a assembléia canta: “Banhados em Cristo, somos u’a nova criatura./ As coisas antigas já se passaram,/ Somos nascidos de novo./ Aleluia, aleluia, aleluia! Outra opção é o canto “Eu vi foi água”. Ver em Música Ritual.

 

  1. Cantar com vibração o Hino de louvor. Durante a Quaresma ele foi silenciado, agora deve ser cantado com exultação porque é o Hino Pascal do Glória.

  1. Na Oração do Dia suplicamos ao Pai, que o rebanho, na sua fraqueza, alcance a fonte da força do seu Pastor.

 

Rito da Palavra

  1. A afirmação de Jesus, “Minhas ovelhas conhecem a minha voz”, é a motivação que nos levará a preparar a proclamação das leituras com maior empenho, deixando que a presença e virtude de Cristo se manifestem através dos leitores e do salmista.
  2. Após as leituras, o salmo e a homilia, prever momentos de silêncio, para fortalecer a atitude de acolhida da Palavra em nossa vida e em nossa ação.

  1. A Profissão de Fé é o lugar ideal de manifestar a adesão e o reconhecimento pessoal da manifestação do Ressuscitado. Convidar os que receberam os sacramentos na Vigília Pascal para se aproximarem do Círio Pascal com velas acesas.

  1. Lembrar e rezar pelo papa, pelo bispo diocesano, pelo pároco e por todas as lideranças da comunidade. Fazer memória das pessoas que conduziram a comunidade nos últimos anos. Seria muito conveniente também recordar os governantes, os líderes das Igrejas cristãs e das demais religiões e todos os que exercem alguma forma de pastoreio. Suplique-se também pelas vocações ministeriais, religiosas e matrimoniais, nas quais o pastoreio de Jesus se realiza e se prolonga na vida da Igreja. As preces devem ser pronunciadas do Ambão, pois é Palavra de Deus ressoada em forma de súplica ou louvor, incluindo pedidos para que se fortaleça a fé pascal dos que crêem em Cristo Ressuscitado. A resposta poderia ser “Escutai vossas ovelhas, Senhor”.

  1. Rezar a oração pelas vocações como conclusão das preces.

Rito da Eucaristia

  1. Na Oração sobre as Oferendas, peçamos que Deus acolha da Igreja em festa. Ele é a causa do nosso júbilo

  1. Seria bom, onde permitir o espaço celebrativo, que após o “Orai, irmãos e irmãs” e sua resposta, que aquele que preside convidasse a todos para se colocar ao redor da mesa que nos foi preparada pelo próprio Deus, Pastor de nossas vidas.

  1. Seria oportuno o Prefácio II do Tempo Pascal, página 422 do Missal Romano, no qual contemplamos Cristo abrindo as portas aos fiéis redimidos, remete ao capítulo 10 de João, bem como à ressurreição de Cristo como a vida para a qual somos conduzidos pelo Pastor. O verdadeiro Cordeiro Pascal, Luz e nosso Guia para a vida nova. Seguindo essa lógica, cujo embolismo reza: “Por ele, os filhos da luz nascem para a vida eterna; e as portas do Reino dos céus se abrem para os fiéis redimidos. Nossa morte foi redimida pela sua e na sua ressurreição ressurgiu a vida para todos”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na celebração, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. As demais não podem ter os prefácios substituídos com grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia. Onde for possível, cantar o Prefácio e, nas celebrações da Palavra, cantar a Louvação Pascal (Bendito Pascal) do Hinário II da CNBB, página 156. Seria oportuno a proclamar com vibração a ação de graças (Oração Eucarística I).

  1. Motivar o abraço da paz como a paz do Ressuscitado. Não se trata de um momento de confraternização, nem momento para cantar. O rito mais importante é o que vem a seguir, ou seja, a fração do pão, que deve ser uma ação visível acompanhada pela assembléia com o canto do Cordeiro.

  1. Dar realce ao gesto da “fração do pão”. Cristo nosso Páscoa, é o Cordeiro imolado, Pão Vivo e verdadeiro. Um (uma) solista canta: “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo. A assembléia responde: Tende piedade nós… Deve ser executado assim, porque ele tem caráter de ladainha.

  1. A mesa farta, preparada pelo Bom Pastor, contará com pão no lugar de hóstias onde for possível e vinho para todos. Os fiéis, onde for possível, poderiam comungar no próprio Altar. De acordo com as orientações em vigor, a comunhão pode ser sob as duas espécies para toda a comunidade. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240).

Ritos Finais

  1. Na Oração depois da Comunhão, suplicamos ao Supremo Pastor que olhe com solicitude sobre o rebanho para que viva nos prados eternos.

  1. Após a oração depois da comunhão, no momento delicado aos avisos, cabe à comunidade ser instruída e motivada para o exercício da vida cristã, celebrada na divina liturgia, como engajamento cotidiano. Lembre-se de que, neste Domingo, é comum as comunidades rezarem pelas vocações. O animador, ou presidente, pode exortar a comunidade nestas palavras:

  1. Dar a bênção final própria para o Tempo Pascal, conforme o Missal Romano, página 523. No final o povo responde com os dois “Aleluias, no envio dos fiéis.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Este domingo é muito propício para rezarmos pelos que nos conduzem e orientam. Eles estão à frente da comunidade com a missão de conduzi-la, a exemplo e ao modo do Bom Pastor. Precisam, constantemente, ser fortalecidos para que sejam capazes de doar a vida. Somente faz isso quem tem profundas convicções, conhece o Bom Pastor, tem intimidade com Ele e ama a missão que recebeu do Senhor

Celebremos nossa Páscoa, na pureza e na verdade, aleluia, aleluia.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
Pe. Benedito Mazeti