5º DOMINGO DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR, ANO C – 19 de maio de 2019

5º DOMINGO DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR, ANO C – 19 de maio de 2019

17/05/2019 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

“COMO EU VOS AMEI, ASSIM TAMBÉM VÓS DEVEIS AMAR-VOS UNS AOS OUTROS”

 

Reprodução: Site Padre Paulo Ricardo

 

Leituras

     Atos 14,21b-27. Os apóstolos designaram presbíteros para cada comunidade.

     Salmo 144/145,8-13. O Senhor é muito bom para com todos.

     Apocalipse 21,1-5a. Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos.

     João 13,31-33a.34-35. Amai-vos uns aos outros.

 

 1- PONTO DE PARTIDA

            Celebramos hoje o domingo do mandamento novo. Chegamos à quinta semana da Páscoa, portanto, na alegria e na esperança, já vivenciamos a primeira metade do Tempo Pascal.

            O amor deve ser o “cartão de visita” do discípulo e da discípula de Cristo. Esse amor supõe a entrega total, em serviço e doação, de nossa vida a Deus e aos irmãos e irmãs. Jesus despede-se de seus discípulos e deixa-lhes em testamento o “mandamento novo”: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. É nessa entrega radical da vida que se cumpre a vocação cristã e que se dá testemunho, no mundo, do amor materno e paterno de Deus.

Celebramos a Páscoa de Jesus que se revela como amor doação e se manifesta em todas as pessoas e grupos que testemunham um amor concreto, para além dos preconceitos e discriminações.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – Atos dos Apóstolos 14,21b-27. Esta leitura conclui o relato da primeira viagem missionária de Paulo na Licaônia, na Pisídia e na Panfília, e descreve a volta do Apóstolo a Antioquia (cf. Atos 13,1-3).

Na última parte de sua viagem, Paulo se preocupa sobretudo em consolidar as bases das comunidades recentemente fundadas, fortalecendo-as contra a perseguição (versículo 22) e organizando-as com uma hierarquia competente (versículo 23).

Concluída com êxito a evangelização em Perge, os missionários resolveram voltar para Antioquia da Síria, onde haviam inaugurado seu apostolado e de onde partiram para a primeira viagem de evangelização, com a delegação e bênção da comunidade (versículo 26; cf. Atos 11,22-26 e 13,1-3).

A constituição de um grupo de presbíteros para conduzir as diferentes comunidades também corresponde à prática judaica. Cada comunidade da Diáspora  elegia um grupo de anciãos para governá-la, sobretudo no plano material (cf. Atos 11,30). Não se trata de forma alguma de uma manifestação intempestiva de dirigismo, mas do sinal necessário da colegialidade na missão e da expressão das relações entre a Igreja local e a Igreja universal. Os guetos judaicos da Diáspora viviam muito isolados uns dos outros; ao contrário, as comunidades cristãs estavam ligadas, e cada uma era o sinal da Igreja universal.

Não é fácil averiguar se tal instituição de presbíteros foi pelo sacramento da ordem, a não ser que a expressão “oração em jejum” se refira à transmissão do cargo, como em (Atos 13,2) concernentemente a Paulo e Barnabé. Esta “oração com jejum” parece referir-se à comunidade que é assim “encomendada ao Senhor”. Seja qual for a alternativa, é certo que temos aqui o começo de uma constituição eclesial. Os “presbíteros” aqui são distintos dos “apóstolos”, os quais ou estão presos ou andam longe.

Portanto, o bispo e sua diocese são sinais da unificação universal para a condição de viver a colegialidade; o vigário e sua paróquia realizam a mesma exigência vivendo o presbitério. Da mesma forma, é vivendo a Eucaristia local na sua significação de unificação, que a assembléia pode considerar-se sinal da missão da Igreja no mundo e assumir, conseqüentemente, suas responsabilidades.

            Salmo responsorial – 144/145,8-13. O Salmo começa afirmando a misericórdia de Deus, com a citação de uma fórmula litúrgica clássica. No versículo 9 ressoa o tema da misericórdia divina.

Quem são os convidados para este hino? O salmista convida toda a criação, todos os fiéis. Domina o tema do Reino de Deus. No versículo 13 começa uma série de exposições, condicionados em parte pelo artifício alfabético. São particípios que resumem o estilo de Deus, ou adjetivos que o qualificam. O tema comum é a misericórdia de Deus.

O rosto de Deus no Salmo 144/145. Os títulos dados a Deus sintetizam o Seu rosto neste salmo: grande, piedoso, bom, fiel, amoroso e justo.

Este salmo ecoa de muitos modos em Jesus, sobretudo em suas obras maravilhosas. Ele amparou os que caiam e, literalmente, endireitou os encurvados (Lucas 13,10-17). O Reino por Ele inaugurado não tem fim (Lucas 1,13), está sempre mais próximo (Marcos 1,15) e nos compromete (Mateus 10,7).

Bendigamos ao Senhor, que manifestou a sua misericórdia através da pregação dos apóstolos e sempre vem em socorro de nossas comunidades mergulhadas em tantos conflitos.

BENDIREI ETERNAMENTE VOSSO SANTO NOME, Ó SENHOR!

            Segunda leitura – Apocalipse 21,1-5a. Estamos no final do Apocalipse que encerra a revelação escrita. São João o vidente de Patmos, em forte contraste com a destruição de Babilônia/Império Romano (Atos 17-19), símbolo dos inimigos do Povo de Deus, descreve o triunfo da Igreja sob a imagem da nova Jerusalém, descendo do céu, qual noiva enfeitada, em atitude de promessa de casamento com o Cordeiro.

A fase temporal da Igreja parece haver terminado com a perspectiva de eternidade: o que era objeto de esperança, agora se tornou realidade glorificante. O texto de hoje inaugura a parte final do Apocalipse, como resumo do mesmo; nele se esboça uma visão transcendental da fase definitiva e eterna da Igreja, sem porém omitir o aspectos espiritual e permanente de sua peregrinação terrena; as duas etapas se fundem na visão, os aspectos militante e triunfante se interpenetram.

“Novo céu… nova terra” (versículo 1), em oposição ao primeiro céu e à primeira terra, é expressão apocalíptica para suscitar esperanças messiânicas: transformação nos últimos tempos, uma espécie de palingenesia, um novo estado de coisas, onde reinará a justiça 2,3; cf. Isaias 65,17; 66,22; 2Pedro 3,13).

O Apocalipse não prevê uma destruição ou renovação material, mas fica no plano do símbolo: com o juízo divino, purificador como o fogo, céus e terra serão purificados da idolatria, serão outros, livres dos maus e dos perseguidores da Igreja. “O desaparecimento do mar” (versículo 1) é expressão apocalíptica usual, que via no mar o caos dominador dos seres humanos, imagem da amargura e da instabilidade, sede dos monstros e dos inimigos do Povo de Deus (cf. Jó 7,12; Eclesiástico 43,26).

Tal renovação do mundo supõe nova capital – a nova Jerusalém – com feições celestes, descendo do céu, de junto de Deus (versículo 2), como “esposa ornada” para o esposo, isto é, rica de graça e de virtudes. – “Cidade Santa” porque nela existia o templo de Deus único e verdadeiro. – “Nova Jerusalém”, porque não haverá nela impureza alguma, nada de profano. Jerusalém era o símbolo da Aliança de Deus com seu povo.

Essa morada de Deus entre os homens na mentalidade apocalíptica judaica era que esta tenda tinha, no céu, seu modelo e sua “cópia” (Êxodo 25,9; 26,30; Sabedoria 9,8; Eclesiastes 24,8), mas ninguém jamais pensou que esta tenda celeste pudesse descer sobre a terra.

A nova Jerusalém “desce do céu” para ocupar seu lugar na nova terra, purificada agora de tudo que a manchava. Uma voz do alto, talvez de um querubim (versículo 3), garante que aí será o “tabernáculo de Deus com os homens” – referencia clara à tenda erguida por Moisés no deserto, na qual Deus habitava (Êxodo 40,34s). A presença de Deus no meio de seu povo era a idéia mais alta da religião do Primeiro Testamento, – presença que se torna mais íntima no Novo Testamento pela graça de Jesus Cristo e pelos sacramentos.

Na Jerusalém nova Deus habitará para sempre entre os todos, judeus e pagãos indistintamente; todos serão Povo de Deus pela fé (Romanos 10,12s; Apocalipse 5,10; 7,15). Este presença “enxugará toda lágrima de seus olhos, já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor” (versículo 4), em sintonia com Isaias (25,5; 35,10; 65,17ss), “porque passou a primeira condição” de miséria, de males, de corrupção, de pecado, de castigo e dores. Haverá então uma nova ordem de coisas sem misérias, repleta de felicidade e alegria.

Depois da visão, São João ouviu palavras inefáveis: era o próprio Deus que agora falara (versículo 5), pela primeira vez no Apocalipse. A intenção direta de Deus se justifica, caso se leve em conta a seriedade das últimas revelações do Apocalipse. Deus reafirma que tudo será novo – um retorno ao paraíso terrestre – e publica a restauração as coisas em Cristo (2Coríntios 2,17; Romanos 8,1-23; Efésios 1,10), restauração humano-espiritual definitiva levará a esquecer todo o passado, realizando as promessas anteriores feitas a São João na ilha de Patmos (Atos 3,14; 19,11), e terá a garantia de Deus, já que “suas palavras são fiéis e verdadeiras” (versículo 5b).

            Evangelho – João 13,31-33a.34-35. No Evangelho, Jesus está se despedindo dos discípulos. Nesta despedida, o evangelista João, ao usar a expressão: “Agora o Filho do Homem foi glorificado” (João 13,31), traz presente toda a vida e a missão de Jesus. A glorificação de Jesus está relacionada com a revelação, a fidelidade ao projeto de Deus por meio da realização do mistério pascal. Essa revelação se dá a partir de sinais e da adesão de Jesus à vontade do Pai.

No Primeiro Testamento, fenômenos da natureza, por exemplo, fogo, trovões, relâmpagos, simbolizam a glória de Deus. Jesus, entretanto, sendo um ser humano, manifesta a glória por meio do amor. Para Jesus, a glorificação não passa pelas coisas grandiosas, mas por sua encarnação. Ele entrega livremente sua vida. É o movimento quenótico de Jesus, ou seja, ele esvazia-se totalmente de sua condição divina para assumir a humanidade, doando sua vida por amor e fidelidade ao Pai. Deste modo, ao se despedir dos discípulos, Jesus pede: “Filhinhos […], dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros” (João 13,33a.34a). O ato de chamar os discípulos de filhinhos revela o afeto e o carinho que Jesus tem pelos seus. É esse amor pleno, incomensurável, que Jesus pede veementemente. Essa é a marca registrada da vivência e do seguimento de nosso Senhor.

Portanto, o que identifica o discipulado de Jesus é a prática do amor. O amor ágape, isto é, aquele vivido gratuitamente. É justamente esse amor gratuito que deve permear a vida dos discípulos: “Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (João 13,35). Somente o amor mútuo, de um para com o outro, revelará o verdadeiro agir do cristão.

O Capítulo 13 do Evangelho de João abre o “Livro da Exaltação” de Jesus, isto é, de sua glorificação na morte e ressurreição (João 13-20), depois que os capítulos descreveram sua vida sob o ângulo de suas obras e sinais messiânicos. O Capítulo 13 contém, primeiro, o lava-pés e, em seguida, o anúncio da traição de Judas, de maneira capacitada entrelaçados com referências mútuas, que tornam o todo uma forte unidade dramática. João inicia a grande seção da despedida de Jesus (13,31-17,26), com o tema que revoluciona a hora das trevas: a glorificação do Filho do Homem. Pois a hora das trevas é, sobretudo, a hora da vitória de Jesus, a hora da revelação da glória do Pai, na sua obediência até a morte (cf. João 1,14).

É significativo que este tema só é abordado depois da saída de Judas. O tema é destinado aos que são puros (cf. João 13,10-11), os verdadeiros íntimos de Jesus. Entramos por assim dizer, num outro mundo: ganhamos uma visão, da verdadeira realidade de Cristo: a glória que é sua desde a fundação do mundo (cf. João 17,5). Neste contexto é “revelado” o mandamento do amor como característica dos amigos de Jesus.
O mandamento do amor é a herança de Jesus, enquanto Ele está na glória e nós ainda não, porque somos peregrinos rumo a glória definitiva.

Jesus não formula aqui uma “regra de vida” para todos em todos os momentos. Não ensina uma filantropia universal. Ensina amor “uns para com os outros”, isto é, dentro da comunidade dos discípulos; e não um amor “em geral”, mas um amor bem concreto: amor conforme seu próprio exemplo, mostrado na hora de sua morte e glorificação. É assim que vive o cristão no Sábado Santo aguardando a Vigília Pascal para cantar Aleluia. Jesus não nos ensina um sentimento universal que, na maioria dos casos, não se concretiza para ninguém (amar a todos para não ter que escolher a ninguém…). A novidade é que, enquanto Cristo se afasta de nós, nós realizamos o amor que Ele viveu com os seus discípulos.

Este mandamento convida os discípulos a assumirem a missão de Cristo no momento em que Ele deixa o mundo. Não podemos amar verdadeiramente os outros a não ser que tenhamos experimentado o amor de Cristo por nós e que aceitemos irradiá-lo e concretizá-lo.

O elo entre o amor dos cristãos e Jesus Cristo é essencial. A pessoa humana só pode realizar sua vida amando Deus com um amor filial de companheiro e com um amor fraterno de filho e filha de Deus.

O amor será este sinal missionário se o cristão e a cristã estiverem atentos a comunicá-lo, não de maneira paternalista ou desencarnada, mas casando as aspirações do mundo moderno e preocupando-se com as estreitas articulações existentes entre a caridade sobrenatural e as responsabilidades de cada pessoa humana como criatura.

O mundo não é salvo por sentimentos universais, mas por um amor concreto, que escolhe e se doa a uma pessoa concreta, assim como Deus escolheu ciosamente o povo de Israel e Jesus seus discípulos. E este amor concreto, este ficar e permanecer em Cristo, atingirá a todos, como sinal e testemunho; como convite para que, imitando-O, eles também conheçam o Pai.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

            A glorificação de Jesus foi a revelação plena do projeto de Deus. Ela realizou-se em Jesus na condição de humano, que entregou totalmente sua vida na realização da vontade do Pai. Esse gesto de entrega de Jesus nos ensina a viver nossa humanidade como ele viveu, ou seja, no serviço, doando a vida para a construção do Reino. Realizamos essa missão através da vivência do mandamento que ele deixou: o amor. Esse é o sinal, o termômetro, para verificar se nossas comunidades estão sendo fiéis ao projeto de Jesus. É preciso olhar nossa prática para percebermos se estamos ou não concretizando a vontade do Pai.

O amor é feito de gestos concretos. É amando nossos irmãos e irmãs, na vivência da partilha, do perdão, da fraternidade e da solidariedade, que demonstramos nossa fidelidade ao amor de Deus. Essa prática é que vai tornar visível o testemunho que Cristo nos convida a dar.

Paulo ensina a importância de encorajar as pessoas que vão aderindo à fé em Jesus Cristo, especialmente as lideranças, que têm a missão de garantir a animação das comunidades, no caminho de Jesus. Como Igreja, temos a tarefa de formarmos comunhão através do apoio mútuo, constituindo um povo de irmãos. As visitas pastorais realizadas pelos agentes querem ser um elo de animação, diante dos desafios enfrentados pelas comunidades. Elas vêm confirmar a fé das comunidades, incentivando-as a permanecerem fiéis à prática evangélica.

A ressurreição de Jesus é a vitória sobre a morte e a certeza de sua presença ativa no meio de nós. Nossa tarefa é, à luz de Cristo ressuscitado, transformar Babilônia em Nova Jerusalém, construindo novas relações centradas na prática da justiça, que é vida e liberdade para todos.

4- A PALAVRA SE FEZ CARNE E SE FAZ CELEBRAÇÃO

A herança concedida


            A oração do Dia culmina com a súplica pela “herança eterna”. Os que ressuscitam com Cristo já a recebem e, conforme já fora dito antes, a herança se refere ao “amor” que há entre o Pai e o Filho ao qual os que participaram da Páscoa do Filho têm acesso. Tal amor, portanto, não se refere ao afeto individual que uma pessoa dedica e nutre por outra. No campo da fé, este Amor equivale ao relacionamento que há entre o Pai e o Filho, realidade que faz um conhecer e ser reconhecido pelo outro. Poderíamos dizer que é a vida que corre nas “veias” do pai e do Filho. Este mesmo laço que os une nos é dado participar.

A vida no amor

A vida dos cristãos é vida no amor que une o Pai e o Filho. Num documento antigo chamado Carta a Diogneto (século II), lemos: “Os cristãos não se diferenciam dos outros homens nem pela pátria, nem pela língua nem por um gênero de vida especial. De fato, não moram em cidades próprias nem usam linguagem peculiar, e a sua vida nada tem de extraordinário (…) São de carne, porém, não vivem segundo a carne. Moram na terra mas sua cidade é no céu; obedecem às leis estabelecidas, mas com seu gênero de vida superam as leis. Amam a todos e por todos são perseguidos. Condenam-os sem os conhecerem. Entregues à morte, dão a vida. São pobres, mas enriquecem a muitos; tudo lhes falta e vivem na abundância. São desprezados, mas no meio dos opróbrios enchem-se de glória; são caluniados, mas transparece o testemunho da justiça. Amaldiçoam-lhes e eles abençoam. (…) Numa palavra: os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo.” Este é o modo de participar da divindade, conforme rezaremos na oração sobre as oferendas. É a nova vida à qual aderem os batizados e batizadas, banhados na morte e ressurreição de Cristo, conforme a Oração depois da comunhão: “Ó Deus de bondade, permanecei junto ao vosso povo e fazei passar da antiga à nova vida aqueles a quem concedestes a comunhão nos vossos mistérios.”

A liturgia realiza o amor de Cristo

O envolvimento nos ritos tem por objetivo nos fazer partícipes desta vida no amor de Cristo. O rito da paz presente desde os primórdios na celebração do Mistério Pascal vislumbra este acontecimento: saudamo-nos com um gesto fraterno, que comunica mais do que nosso afeto, comunica o amor de Cristo que nos une. O ósculo da paz, nas liturgias antigas, se fazia na abertura do que hoje chamamos de Liturgia Eucarística, antes da apresentação das oferendas ou logo depois, a depender da família ritual. O ósculo da paz estendido a todo o povo chegou a ser, em certa época, um dos elementos que solenizavam a eucaristia do domingo. De fato, o que este gesto traduz é síntese da própria celebração da ação de graças na opinião de Inácio de Antioquia.

5- LUGAR NA LITURGIA

            Depois do que dissemos, o lugar desta leitura no Tempo Pascal fica claro: a Páscoa é, ao mesmo tempo, a revelação da glória do Cristo e o início ausência até a Parusia, isto é, até a consumação dos séculos. Podemos considerar esta leitura como um convite para realizar a caridade fraterna como “memória de Cristo” (“como eu vos amei”) e como antecipação da plena revelação da glória, na qual o Servo Padecente foi estabelecido por causa deste mesmo amor. Esta antecipação escatológica é acentuada ainda pela presença na Divina Liturgia, de um trecho do Apocalipse 21 (segunda leitura).

6- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

   “O banquete eucarístico celebra e ritualiza a nutrição verdadeira e derradeira que nos permitirá, dentro do tempo, viver a eternidade; celebrando a paixão, viver a ressurreição; ritualizando a morte, celebrar a vida. A Eucaristia obriga aqueles e aquelas que dela participam a fazer a fraternidade e comunhão em suas vidas, convertendo-as em critério e juízo para avaliar até que ponto a comunidade realmente vive o que está celebrando ou se acaba comendo e bebendo sua própria condenação (1Cor 11,29). O banquete eucarístico estrutura a comunidade a partir da lógica do dar para ser mais e não sobre a lógica do ter mais.”

Na liturgia, experimentamos o amor de Deus, percebemos sua presença. Desse modo, aprendemos também a reconhecê-la em nossa vida cotidiana. Na liturgia, a experiência do amor de Deus se converte em alegria e esperança.

A celebração litúrgica nos anima na confiança e na esperança de um mundo melhor, como conseqüência da vivência do amor de Deus.

A oração abre nossa vida ao projeto de deus, nos leva a sermos dóceis instrumentos em suas mãos para transformarmos a maneira de viver, por conseguinte, a história de nosso ambiente.

A celebração litúrgica abarca vários aspectos da existência: o mundo dos afetos e das relações, da fragilidade e das fraquezas compartilhadas, a experiência do trabalho e do descanso, proclamando sempre a primazia do amor de Deus.

Somos chamados a amar-nos uns aos outros como Cristo nos amou. Só o amor pode transformar o mundo. A fonte desse amor é o próprio Cristo que recebemos neste banquete eucarístico.

  1. ORIENTAÇÕES GERAIS

  1. Os cinqüenta dias que vão desde o Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor até o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com verdadeira alegria como se fosse um grande domingo. Esses cinqüenta dias é como se fosse um só dia de festa, “símbolo da felicidade eterna” (Santo Atanásio). Os domingos pascais se caracterizam pela ausência de elementos penitenciais e pela acentuação de elementos festivos. A alegria deve ser a característica do Tempo Pascal. A alegria deve estar presente nas pessoas da comunidade e também no espaço litúrgico, na cor branca (ou amarela), nas flores, no canto alegre do “Aleluia”, na alegria de sermos aspergidos pela água batismal, no gesto da acolhida e da paz. O Tempo Pascal constitui-se em “um grande domingo”. Vivenciamos dias de Páscoa e não após a Páscoa.

  1. Durante a celebração, além dos ministérios litúrgicos, é importante dar destaque a todos os ministérios presentes e atuantes na comunidade. Em algum momento da celebração, pode-se fazer a renovação de seu envio em missão.

  1. Dar destaque durante o Tempo Pascal para a água batismal. Onde há pia batismal, ela deve ser o ponto de referência para a realização de ritos como aspersão, renovação de promessas, compromissos. Onde não há pia batismal, preparar alguma vasilha de cerâmica, de preferência junto do Círio Pascal.

  1. O Tempo Pascal é muito indicado, liturgicamente, para as celebrações da Crisma e da primeira eucaristia, numa continuidade com a noite batismal da Páscoa.

8- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com o Tempo Pascal e com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Páscoa, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento. O canto de abertura deve nos introduzir no mistério celebrado

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico II da CNBB e o Ofício Divino das Comunidades nos oferecem uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia XV.

 

  1. Canto de abertura. “Cantai ao Senhor um canto novo”. “Cristo venceu, aleluia! Ressuscitou, aleluia!, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 11. Outra opção é o canto “Cristo ressuscitou, aleluia”, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 8.

 

  1. Refrão para o acendimento do Círio Pascal. “Cristo-Luz, ó Luz, ó Luz bendita…”, CD: Festas Litúrgicas I, melodia da faixa 9; “Salve Luz eterna, és tu Jesus…”, Hinário Litúrgico II da CNBB, página 292.

  1. Canto para o momento da aspersão com a água batismal. “Eu vi, eu vi, a água manar…”, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 12; “Banhados em Cristo, somos uma nova criatura”, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 11 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 196.

 

  1. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD: Tríduo Pascal I e II e também no CD: Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Míria Reginaldo Veloso e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

 

  1. Salmo responsorial 144/145. Canto de louvor dos fiéis a Deus. “Bendirei o vosso nome, ó meus Deus, meu Senhor e meu rei para sempre”; CD: Liturgia XV, melodia da faixa 2.

  1. Aclamação ao Evangelho. “Eu vos dou um novo mandamento”, (João 13,34). “Aleluia… Eu vos dou um novo preceito”, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 7. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

 

  1. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, no Tempo Pascal. O Senhor venceu a morte e nos abriu as portas do céu e nos reconcilia com o Pai. “Senhor, vencestes a morte”, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 4

Segunda opção: Aleluia… Recebe, ó Pai, esta nossa oblação, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 12.

  1. Canto de comunhão. Permanecer em Cristo e produzir seu fruto. “Ressuscitei, aleluia, e ainda estou convosco, aleluia”, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 13.

Segunda opção: “É este o meu mandamento: ‘Amai-vos como eu vos amei!’, CD: Cantos do Evangelho 2, melodia da faixa 24, Paulus. Uma terceira opção seria o canto que todos conhecem: “Prova de amor maior não há”, CD: Tríduo Pascal – I, melodia da faixa 18 ou Hinário II, pág. 286.

O canto da comunhão deve, preferencialmente, tomar a antífona de comunhão como refrão. Contudo, onde não for possível, sugerimos cantos como “Prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão”, CD: Tríduo Pascal I, melodia da faixa 18.

9- ESPAÇO CELEBRATIVO

  1. O espaço celebrativo deve remeter à alegria do Tempo Pascal: as flores, o Círio Pascal e a fonte batismal devidamente ornamentados. Onde for possível, as alfaias brancas com elementos dourados remeterão à vitória. É importante que o espaço celebrativo da Vigília Pascal continue o mesmo para todo o Tempo Pascal. A Tradição Romana usa a cor branca neste tempo. Talvez, de acordo com a nossa cultura, podemos caprichar, usando o dourado ou várias cores fortes. O Tempo Pascal não é nada mais, nada menos do que a própria celebração da Páscoa prolongada durante sete semanas de júbilo e de alegria. É o tempo da alegria, que culmina na festa de Pentecostes. Tudo isso deve ficar evidente no espaço da celebração.

  1. O espaço da celebração deve recordar para nós a Jerusalém celeste de que nos fala a segunda leitura. Portanto, o lugar da celebração deve ser preparado para as núpcias do Cordeiro. Deve ser belo, sem ser luxuoso; deve ser simples, sem ser desleixado; deve ser aconchegante para que todos se sintam participantes do banquete. A mesa da Eucaristia é o lugar de convergência de toda a ação litúrgica. Assim o altar não pode ser “escondido” por imensas toalhas, arranjos de flores e outros objetos. O altar é Cristo. É ele o ator principal da liturgia. “As flores, por exemplo, não são mais importantes que o altar, o ambão e outros lugares simbólicos. Nem a toalha é mais importante que o altar. Os excessos desvalorizam os sinais principais. A sobriedade da decoração favorece a concentração no mistério celebrado” (Guia Litúrgico Pastoral, página 110).

  1. O Círio Pascal deve estar sempre presente, junto à Mesa da Palavra em todas as celebrações do Tempo Pascal. É importante que o Círio seja aceso no início da celebração, após o canto de abertura, enquanto a assembléia entoa um refrão pascal. Ele é o sinal do Cristo ressuscitado, Senhor de nossas vidas.

  1. Sugerimos colocar, próximo ao Círio Pascal, as faixas jogadas ao chão e o véu dobrado como os discípulos encontraram ao entrar no sepulcro.

10- PARA A ESPIRITUALIDADE PRESBITERAL

Como presidente de uma assembléia, o presbítero é aquele que recebe, da comunidade, a tarefa de oferecer o sacrifício de louvor, pela Prece Eucarística (Anáfora): Receba, o Senhor [Deus], por tuas mãos [presbítero] este sacrifício, para a glória do Teu nome [Deus], para o nosso bem e de toda a santa Igreja. Isso não faz com que o sacrifício seja oblação somente do presbítero, mas sim de toda a comunidade congregada no Filho, pelo Espírito: recorde-se que ao fim da prece eucarística, (Por Cristo, com Cristo…) a comunidade confirma com o “grande Amém”. Sobre isso, diz-nos a Sacrosanctum Concilium:

[…] a Igreja, com diligente solicitude, zela para que os fiéis não assistam a este mistério de fé como estranhos ou expectadores mudos. Mas cuida para que bem compenetrados pelas cerimônias e pelas orações participem consciente, piedosa e ativamente da ação sagrada, sejam instruídos pela Palavra de Deus, saciados pela

mesa do Corpo do Senhor e deem graças a Deus. E aprendam a oferecer-se a si próprios oferecendo a hóstia imaculada, não só pelas mãos do sacerdote, mas também juntamente com ele […].

  1. AÇÃO RITUAL

  1. Neste domingo, em que o Ressuscitado nos da o mandamento novo, uma boa sugestão para aqueles que preparam a liturgia é verificar se a comunidade está suficientemente atenta ao acolhimento fraterno de todos e de cada um para a celebração. As maneiras de fazer podem ser diversas, mas a exigência é a mesma: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros”.
  2. Valorizar os ritos iniciais, pois a reunião da comunidade é lugar da manifestação do Ressuscitado. O uso do incenso na celebração acentuará o aspecto solene e festivo do Tempo Pascal. Acolher, com afeto e alegria, os irmãos e irmãs que chegam para tomar parte na celebração pascal – para o encontro com o Senhor ressuscitado.

 

Ritos Iniciais

  1. Na procissão de entrada entrar com as pessoas que foram batizadas ou pessoas que receberam um dos sacramentos na Vigília Pascal, ou crianças com vestes brancas, trazendo flores. Além da cruz processional e das velas, podem ser levados símbolos da caminhada pastoral da comunidade como: cajado, bolsa de pastor, sandálias, instrumentos de trabalho das diversas pastorais.

  1. Dar particular destaque à acolhida do Círio Pascal. Por exemplo, após o canto de abertura, fazer um pequeno lucernário, solenizando o acendimento do Círio Pascal: uma pessoa acende o Círio e diz: “Bendita sejas, Deus da Vida, pela ressurreição de Jesus Cristo e por essa luz radiante!”. Ou outros refrões que revela o sentido pascal: “Salve, luz eterna és tu, Jesus!/ Teu clarão é a fé que nos conduz! (Hinário II, pág. 292). “Cristo-Luz, ó Luz bendita,/ Vinde nos iluminar!/ Luz do mundo, Luz da Vida,/ Ensinai-nos a amar! A seguir, incensa o Círio pascal e a comunidade reunida.

  1. Se a comunidade tiver dificuldade para fazer este pequeno lucernário, a procissão de entrada pode ter à frente o Círio Pascal aceso.

  1. Na acolhida, pode-se retomar o costume das Igrejas Orientais de saudarem-se com as seguintes palavras:

“O Senhor ressuscitou, verdadeiramente ressuscitou!”, que sua graça e sua paz esteja convosco.

 

  1. Pode ser também a fórmula “d” do Missal Romano (Romanos 15,13).

 

O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.

  1. Após a saudação presidencial dar o sentido litúrgico:

Domingo do mandamento novo. Neste Domingo o Senhor nos convida a renovar nosso desejo de comunhão e solidariedade de uns para com os outros e principalmente com os pobres, os doentes e os abandonados.

  1. Após a saudação inicial do presidente e o sentido da celebração, cumprimentar as pessoas e convidá-las a se cumprimentarem. Poderia ser um bom momento para o abraço da Paz.

  1. Em seguida fazer uma recordação da vida tornando presentes as realidades que hoje precisam ser transformadas pela Páscoa do Senhor. Trazer os fatos da vida de maneira orante e não como noticiário.

  1. Substituir o ato penitencial pelo rito de aspersão com a água (se possível perfumada) que foi abençoada na Vigília Pascal. Ajudar a comunidade a aprofundar sua consagração batismal. Não havendo água abençoada na Vigília Pascal, o ministro reza o oração de bênção conforme o Tempo Pascal que está no Missal Romano página 1002. No ato da aspersão, a assembléia canta: “Banhados em Cristo, somos u’a nova criatura./ As coisas antigas já se passaram,/ Somos nascidos de novo./ Aleluia, aleluia, aleluia! Outra opção é o canto “Eu vi foi água”. Ver em Música Ritual.

  1. Substituir o ato penitencial pelo rito de aspersão com a água (se possível perfumada) que foi abençoada na Vigília Pascal. Rezar a oração de bênção conforme o Tempo Pascal (Missal Romano página 1002. Ajudar a comunidade a aprofundar sua consagração batismal. No ato da aspersão, a assembléia canta: “Eu vi, eu vi, foi água manar”, CD Tríduo Pascal II, faixa 12. “Banhados em Cristo, somos u’a nova criatura, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 1.

  1. A comunidade reunida é comunidade cultual. O hino de louvor “Glória a Deus” é o tradicional hino de adoração ao Pai e ao Filho. É o Espírito que nos guia nesse louvor e nessa adoração. O canto espiritual é a modulação do ar (pneuma, espírito) que em nós adora, confessa e se realiza como povo sacerdotal. Cantar com vibração o Hino de louvor. Durante a Quaresma ele foi silenciado, agora deve ser cantado com exultação porque é o Hino Pascal do Glória.

  1. A nossa adoção filial se dá no Batismo. Na Oração do Dia com a confiança de filhos e filhas, peçamos ao Pai, a verdadeira liberdade e a herança eterna. Esta oração é inspirada em João 8,31ss: a liberdade dos filhos de Deus, filhos adotivos, por certo, mas verdadeiramente “gente da casa” para Deus, e herdeiros de sua graça e vida.

 

Rito da Palavra

  1. A liturgia da Palavra seja bem preparada e evite-se a “pastoral do laço” que é a escolha das pessoas que farão as leituras minutos antes da celebração. Para preparar os corações para ouvir a palavra do Senhor, a comunidade pode entoar o refrão meditativo: “Deus é amor, arrisquemos viver por amor. Deus é amor, ele afasta o medo”. Esse refrão da Comunidade de Taizé pode ser encontrado facilmente na internet.

  1. A comunidade de amor recebeu de Cristo o mandamento primordial. É na escuta e no diálogo da Aliança que o amor vai se realizando na assembleia reunida. Valorize-se, portanto, as leituras, com boas proclamações e com breves silêncios intercalando as leituras.

 

  1. A Profissão de Fé é o lugar ideal de manifestar a adesão e o reconhecimento pessoal da manifestação do Ressuscitado. Convidar os que receberam os sacramentos na Vigília Pascal para se aproximarem do Círio Pascal com velas acesas.

  1. As preces são Palavra de Deus em forma de oração. Devem ser rezadas do ambão. A comunidade pode responder à cada prece, reforçando a súplica com o canto: “Ouve-nos, amado Senhor Jesus”.

Rito da Eucaristia

  1. Na Oração sobre as Oferendas, somos chamados a participar da Única e Suprema divindade do nosso Deus. Assim conhecemos a verdade de Deus e lhe ser fiel.

  1. Seria oportuno o Prefácio IV do Tempo Pascal, página 424 do Missal Romano, em que contemplamos Cristo Ressuscitado que nos introduz na “Nova Criação”. Seguindo essa lógica, cujo embolismo reza: “Vencendo a corrupção do pecado, realizou uma nova criação. E destruindo a morte, garantiu-nos a vida em plenitude”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na celebração, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. Elas não podem ter os prefácios substituídos com grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia. A Oração Eucarística I é um pouco mais longa, mas tem a vantagem de oferecer uma parte própria para o Tempo Pascal. Onde for possível, cantar o Prefácio e, nas celebrações da Palavra, cantar a Louvação Pascal (Bendito Pascal) do Hinário II da CNBB, página 156. Seria oportuno a proclamar com vibração a ação de graças (Oração Eucarística I).

  1. Motivar o abraço da paz como a paz do Ressuscitado. Não se trata de um momento de confraternização, nem momento para cantar. O rito mais importante é o que vem a seguir, ou seja, a fração do pão, que deve ser uma ação visível acompanhada pela assembléia com o canto do Cordeiro.

  1. A Eucaristia é o sacramento do amor. Antes de tomar parte na mesa, os fiéis devem manifestar seus laços de amor com o abraço da paz, a oração do Senhor, a fração do pão durante o cordeiro. Dar realce ao gesto da “fração do pão”. Cristo nosso Páscoa, é o Cordeiro imolado, Pão Vivo e verdadeiro. Um (uma) solista canta: “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo. A assembléia responde: Tende piedade nós… Deve ser executado assim, porque ele tem caráter de ladainha.

  1. De acordo com as orientações em vigor, a comunhão pode ser sob as duas espécies para toda a comunidade. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240).

  1. O canto da comunhão deve, preferencialmente, tomar a antífona de comunhão como refrão. Contudo, onde não for possível, sugerimos cantos como “Prova de amor”.

  1. Na despedida, enquanto o povo se retira, o grupo de canto pode entoar “Quem anda sempre no amor”, da comunidade de Taizé, gravado pela Editora Paulinas.

Ritos Finais

  1. Na Oração depois da Comunhão, peçamos que Deus permaneça junto de nós para que passemos da antiga à nova vida.

  1. Após a oração depois da comunhão, no momento delicado aos avisos, cabe à comunidade ser instruída e motivada para o exercício da vida cristã, celebrada na divina liturgia, como engajamento cotidiano. Lembre-se de que, neste Domingo, é comum as comunidades rezarem pelas vocações. O animador, ou presidente, pode exortar a comunidade nestas palavras:

  1. Dar a bênção final própria para o Tempo Pascal, conforme o Missal Romano, página 523. No final o povo responde com os dois “Aleluias, no envio dos fiéis.

  1. Na despedida, enquanto o povo se retira, o grupo de canto pode entoar “Quem anda sempre no amor”, da comunidade de Taizé, gravado pela Editora Paulinas.

12- CONSIDERAÇÕES FINAIS

É esta certeza que hoje cantamos. Certeza na frente, a história na mão. É a certeza da esperança e da fé, baseada no Senhor Ressuscitado, que está “lá dentro”, à mão direita de Deus, intercedendo por nós, preparando-nos o lugar, garantindo-nos o êxito final da nossa luta e a chegada da caminhada. Por dolorosa que possa ser esta caminhada, sempre será também jubilosa: Jesus Cristo ressuscitou. Aleluia! É o canto de hoje e deve ser o canto de toda a caminhada cristã.

Celebremos nossa Páscoa, na pureza e na verdade, aleluia, aleluia.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti