5º DOMINGO DA QUARESMA  ANO B  18 de março de 2018

5º DOMINGO DA QUARESMA ANO B 18 de março de 2018

15/03/2018 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Leituras

Jeremias 31,31-34. Perdoarei sua maldade e não mais lembrarei o seu pecado.

Salmo 50/51,1-6. Criai em mim um coração que seja puro.

Hebreus 5,7-9. Foi atendido, por causa de sua entrega a Deus.

João 12,20-33. Pai, glorifica o teu nome!”

 

“CHEGOU A HORA EM QUE O FILHO DO HOMEM VAI SER GLORIFICADO”

 

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo do grão de trigo caído na terra. Neste domingo, vamos ao encontro do Senhor e recebemos dele o anúncio de que sua glória passa pela experiência do grão que cai na terra para produzir frutos. Fazemos memória da Páscoa de Jesus que hoje acontece em todas as pessoas que gastam sua vida em favor dos outros. Cristo elevado na cruz institui a nova e eterna Aliança.

 

No Tempo Quaresmal, defrontamo-nos com a experiência da morte como caminho necessário e inevitável para alcançar a vida. Por mais paradoxal que pareça, o caminho para a vida é o mesmo da morte.

 

O culto a Deus, para ser autêntico, deve levar para a prática. O projeto de Deus sempre envolve a esperança de um mundo diferente, de alianças em favor da vida, de comunidades comprometidas com a mudança de rumo.

 

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

 

Contemplando os textos

 

Primeira Leitura – Jeremias 31,31-34. O contexto desta leitura é o da calamidade resultante da destruição de Jerusalém no ano 587 a.C., fruto das infidelidades de Judá e Israel à Aliança feita com Javé. No horizonte amplo da profecia, Jeremias antevê uma futura e definitiva Aliança, não mais feita com mediações exteriores (sacrifícios, ritos legais, tábuas de pedra), mas gravada no coração, escrita no peito de um novo povo de Deus. Por esta nova Aliança abre-se a perspectiva de uma nova humanidade reconciliada.

 

O profeta Jeremias já tinha previsto que este tempo da Nova Aliança caracterizado pela nova vida, no perdão das culpas passadas pela presença da lei do Senhor nos corações. O profeta Jeremias é encarregado de anunciar a Palavra de Deus num dos mais difíceis períodos da história de Israel. Dirigindo-se ao povo hebreu exilado, proclama uma Nova Aliança. Chegada a plenitude da história da salvação, realizou-se na pessoa de Cristo a Nova Aliança de Deus com seu povo e com toda a humanidade, como profetizou Jeremias, ao anunciar uma lei, uma religião e uma Aliança interiores, pessoais, vivas, escritas não em tábuas de pedra mas, no coração das pessoas.

 

Como o profeta Jeremias chegou a esta concepção da lei de Deus inscrita nos corações das pessoas? A seus olhos, Deus sonda os corações e os rins, no sentido de que Ele está presente no interior de nossos pensamentos (coração) e de nossas paixões (rins) (Jr 11,20; 12,3; 17,10; 20,12). Em todo caso, só depois de ter experimentado os pensamentos e as paixões, isto é, corações e rins, é que o Senhor aceita as pessoas em sua presença.

 

O contexto desta leitura é o da calamidade resultado da destruição de Jerusalém em 587 a. C., fruto das infidelidades de Judá e Israel à Aliança feita com Deus. Olhando toda a situação, o profeta Jeremias anuncia uma futura e definitiva Aliança, não mais feita com mediações exteriores (sacrifícios, ritos legais, tábuas de pedra), mas gravada no coração, escrita no peito de um novo povo de Deus. No entanto, essa Lei, dada em tábuas de pedra, não tinha conseguido conduzir o povo a Deus. O ritualismo e o formalismo tinham abafado o seu conteúdo.

 

Deus então promete algo novo. Não se trata de renovação da Aliança do Sinai, nem de sua reformulação parcial. Trata-se de algo diferente. E a novidade está nos versículos 33-34. Os elementos principais da novidade são três: “interiorização, conhecimento de Deus e perdão dos pecados”.

 

Como primeiro elemento da novidade, a Aliança passará a ser gravada no coração da pessoa humana. Na nova Aliança a Lei será colocada no íntimo da pessoa humana. Não será apenas uma lei externa que necessita de ameaças e sanções, mas será uma lei interior que inclinará suavemente a pessoa humana a seguir com “alegria e docilidade” a vontade de Deus. A Aliança do Sinai, gravada em pedra, foi rompida. O gesto de Moisés de lançar ao chão e despedaçar as pedras da Lei (Êxodo 32,19), no episódio do bezerro de ouro, torna-se um símbolo de toda a Aliança do Sinai. A nova Aliança, implantada por Deus no coração da pessoa humana, será perpétua. Isto significa que Deus não esquece a sua promessa: “Ele dá o alimento aos que o temem e “jamais esquecerá sua aliança” (Salmo 111,5). Nosso Deus é um Deus que não admite opressão. “Ele enviou libertação para o seu povo, confirmou sua Aliança para sempre. Seu nome é santo e digno de respeito” (Salmo 111,9).

 

E esta sendo perpétua acontece o “segundo elemento” da novidade: um conhecimento interior de Deus, isto é, fazer experiência de Deus. Não se trata de um conhecimento especulativo, mas de um “conhecimento afetivo, amoroso”, que abre o coração da pessoa para Deus e o leva a aderir “com alegria” os seus preceitos. Este conhecimento não necessitará de mestres porque será posto “no íntimo” de cada pessoa pelo próprio Deus. E não será privilégio de poucos: todos receberão este conhecimento, “grandes e pequenos”. Provavelmente aqui são indicados os sábios e dirigentes da nação, bem como os pobres e ignorantes.

 

“O terceiro elemento” da Nova Aliança é o “perdão dos pecados”. Este perdão é anunciado como um dom gratuito, quase como uma anistia que tem como centro a bondade e a misericórdia de Deus. Significa que Deus amolece o seu coração em relação ao pecador. E o perdão dos pecados estabelece um novo relacionamento, totalmente cordial e amistoso, entre a pessoa e Deus.

Salmo responsorial 50/51,3-4.12-15. O Salmo 50/51 é uma súplica individual. Uma pessoa vive um drama: o conhecimento profundo de sua miséria e pecados; tem plena consciência da gravidade da própria culpa, com a qual quebrou a Aliança com Deus. Por isso suplica. O pecado é um ato pessoal contra Deus, não mera violência de ordem abstrata.

 

O Salmo frisa a fraqueza humana diante do pecado (“pecador já minha mãe me concebeu”, v. 7) e a necessidade da graça de Deus para criar dentro de nós um coração novo. Deus não quer sacrifícios e holocaustos, mas um coração contrito e humilhado. O Salmo lembra a misericórdia de Deus por Davi.

 

O salmista em oração coloca-se diante da misericórdia de Deus, confiando que Ele tudo pode e quer sanar, regenerar, recriar todas as coisas com a santidade e a novidade do seu Espírito.

 

O rosto de Deus no Salmo 50/51, é misericórdia, isto é, mais uma vez, o Deus da Aliança. O salmista, pois, tem consciência aguda da transgressão que cometeu. Porém, maior que seu pecado é a confiança no Deus que perdoa.

 

O tema da súplica está presente na vida de Jesus (tivemos a oportunidade de vê-lo nos outros salmos de súplica individual). O tema do perdão ilimitado de Deus aparece forte, por exemplo, no capítulo 18 de Mateus, nas parábolas da misericórdia (Lucas 15) e nos episódios em que Jesus perdoa e recria plenamente as pessoas (por exemplo, João 8,1-11; Lucas 7,36-50 etc.).

 

O tema do “lavar” (versículo 4a) ressoa na cura do cego de nascimento (João 9,7); o purifica-me (versículo 4b) aponta para toda a prática de Jesus, que cura leprosos, doentes, etc.

 

No Primeiro Testamento este Salmo lembrava ao povo a misericórdia de Deus com Davi, apesar de seu grande pecado. Cantando hoje este salmo, peçamos que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos ajude a viver em profunda comunhão com Ele e com os irmãos e nos conduza num caminho da verdadeira conversão.

 

CRIAI EM MIM UM CORAÇÃO QUE SEJA PURO.

DAI-NOS DE NOVO UM ESPÍRITO DECIDIDO.

 

Segunda leitura – Hebreus 5,7-9. O autor da carta aos Hebreus atesta que Jesus superou o sistema sacrifical do Antigo Testamento. Ele é o único mediador, o único sacerdote. O sacerdócio levítico não é apresentado como vocação, enquanto o de Cristo, sim, portanto, não podia ser considerado como perfeito. Cristo, porém, foi levado à perfeição, sua natureza humana foi refundida no crisol do sofrimento, Ele foi “consagrado sacerdote”. Seu sacrifício é o único agradável a Deus.

 

Em suma, a leitura mostra como o Pontífice da Nova Aliança “está perto das pessoas”. A vida humana de Cristo, perseguido, caluniado, incompreendido, torturado e por fim crucificado e morto, tornou-se apto a conferir a seus seguidores a salvação. O cristão aprende que os seus sofrimentos podem adquirir um novo significado à luz dos sofrimentos de Jesus.

 

O Quinto Domingo da Quaresma coloca o cristão face a face com o núcleo do Mistério: a Nova Aliança, a oblação sacerdotal sob a forma de uma existência efetiva, a exaltação de Jesus como glória de Deus. A liturgia deste domingo já antecipa o sentido da Páscoa de Jesus Cristo.

 

Evangelho – João 12,20-33. Jesus compara a sua obra redentora com o trigo que morre, para que haja vida que é fruto da Nova Aliança. No Evangelho de João a “glorificação” de Cristo significa a sua paixão, morte e ressurreição, que Ele mesmo explica, logo em seguida, com três referências em profunda ligação: “o grão de trigo, o seguimento dos discípulos e a obediência ao Pai”. A breve parábola do grão de trigo tem como ponto central “a fecundidade”: se cai na terra e morre, dá muito fruto; se não cai, permanece estéril.

 

João destaca que está chegando a “hora” da exaltação de Jesus, de sua paixão, morte e ressurreição. O cerco começa a fechar-se ao redor de Jesus: começam a aparecer o escândalo da cruz e a tensão da paixão. Sua glorificação, porém, não passa pelas expectativas do povo que quer proclamá-lo rei. No mundo das contradições do poder (do “príncipe deste mundo”) Jesus assume um messianismo diferente: monta num jumentinho (João 12,14-15), assume o caminho do serviço, da doação do grão de trigo que morre para produzir fruto, do discípulo e da discípula que doa a sua vida para proclamar a vida maior, a vida eterna. O povo não entende. Humanamente falando, Jesus se perturba, mas vai em frente, pois a voz que vem do Pai confirma: “Eu manifestei a glória do de meu nome”. A glória de Jesus consiste em dar sua vida, para que nasça um mundo diferente, novo, sem a prepotência do “príncipe deste mundo”. “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim.”

 

Tanto no Getsémani como na passagem evangélica de hoje, fica claro a natural repugnância de Jesus perante a morte, devido à sua verdadeira humanidade e condição mortal, como homem que é. “Agora sinto-me angustiado. Que direi? Pai, salva-me desta hora? Mas é precisamente para esta hora que eu vim. Pai glorifica o teu nome” (27-28a).

 

Esta estremeedora prova da fraqueza humana está presente, também, na segunda leitura, cujo contexto consiste em duas características de Cristo como sacerdote: compreensivo pela sua condição humana e escolhido pelo Pai para tal missão. Jesus não é um masoquista quem tem prazer com a dor. Muito pelo contrário, como homem normal que era, ao saber-se “condenado à morte”, sente medo e, desfeito em lágrimas, grita, chora e suplica a Deus Pai. Tanto no Getsémani como no Gólgota: “Cristo, nos dias de sua vida mortal, com gritos e lágrimas, dirigiu orações e súplicas a quem o podia livrar da morte” (Hebreus 5,7).

 

A introdução do evangelho mostra “os romeiros”, de língua grega, se dirigindo aos apóstolos de nome grego, Filipe e André, originários de Betsaida, a parte mais helenizada da Galiléia. Na suposição que se trate de pagãos, a exclamação de Jesus “Chegou a hora em que o Filho do Homem é glorificado” ganha um sentido de manifestação universal ao mundo, reforçando as últimas palavras do contexto anterior: “Todo o mundo vai atrás dele” (12,19).

 

Assim, a “glória” de Cristo, é manifestada aos pagãos que concordam com a salvação. Não é apenas a glória de um Messias nacionalista, mas a de um Deus, irradiando sua luz sobre o mundo inteiro (vv.20-13). Os pagãos podem entrar na ação do Salvador, o que permite a Cristo de entrever um dos aspectos de sua glorificação próxima, sob a forma da “reunião das nações” (v.32; cf. Isaias 53,12). Assim Jesus toma consciência da fecundidade universal de sua morte próxima.

 

A oposição entre Cristo e os judeus baseia-se em duas concepções diferentes das noções de “fecundidade e de glorificação”. Para os judeus somente os meios poderosos podem conduzir á glória; para Cristo, o único caminho é o mistério pascal de sua Paixão. Esta oposição entre a humilhação e a glorificação encontra-se na ambigüidade da palavra “elevar”.

 

Porém, não se trata de uma manifestação espetacular. A glória de Jesus é a sua “exaltação”, e esta é, antes de tudo, “a elevação na cruz”, como está no final do texto do evangelho: os versículos 32-33. Em outros termos, a cruz de Cristo é o trono da sua glória e ao mesmo tempo seu tribunal; diante da cruz, nós nos unimos a Ele (v. 25-26) ou então entramos no julgamento e somos jogados fora (v. 32). Conferir também João 3,18-21.

 

Nesta hora é que entra o senhorio de Cristo: ele será “elevado da terra” para atrair todos a si: imagem do Senhor glorioso, mas não devemos esquecer que esta exaltação, para João, se realiza antes de tudo na “elevação da cruz”, prova do amor de Deus e revelação de seu rosto.

 

Assim, a liturgia, mediante este evangelho e os dos domingos anteriores nos envolve num movimento de “conversão radical”, ao aproximarmo-nos também no tempo litúrgico da cruz de Cristo, revelação do amor de Deus para nós.

 

Para ganhar a vida é preciso perdê-la. Pois a vida que se tem agora não é uma morada definitiva, mas uma ocasião para mostrarmos qual é o seu verdadeiro compromisso. A nossa vida neste mundo não é a última, mas a penúltima. Quem torna a sua vida aqui a última causa de seu compromisso, “perde o trem da vida eterna”. Quem, porém, gasta sua vida para realizar a doação até o fim, está com Jesus, aqui e para sempre. Assim, se serve a Jesus como Senhor e recebe-se o reconhecimento do Pai. Em outras palavras, viver de verdade é estar do lado de Jesus.

 

Ágora fica claro o que é este estar com Jesus. É estar com Ele na sua agonia (cf. Mateus 26,36-46). A ousadia de João faz com que, na “hora da glorificação do Filho do Homem” se situe a angústia da agonia de Jesus, o grão de trigo que se sente sufocado na terra. Embora João nos apresente, no seu Evangelho, Jesus visto através da Ressurreição, ele não esconde o drama humano desta existência (cf. Hebreus 5,7), drama da obediência ao Pai (cf. Filipenses 2,6ss), na doação até o fim.

 

A conclusão que João dá ao discurso, em torno do “tema da luz”, resume-se maravilhosamente: do alto da cruz, Jesus atrai a humanidade, em forma de um apelo silencioso, para que todos “caminhem em sua luz”, isto é, acreditem Nele. Esta fé reúne efetivamente todos os cristãos “em volta da cruz”, formando a comunidade messiânica dos últimos tempos, fazendo assim da cruz o trono do novo Rei e Senhor.

 

A glória de Deus na Escritura não significa, como nas línguas modernas, a fama, o glamour, mas o valor verdadeiro, a importância, o respeito que Deus impõe. Na realidade, Glória, em hebraico, “evoca a idéia de peso”: Salmo 49/48,17-18. Somente Deus pode possuir uma verdadeira glória, um verdadeiro valor: Salmo 6162,6-8; Isaias 6,1-6.

 

A afirmação do Novo Testamento anuncia que a glória de Deus é manifestada em Jesus (Hebreus 1,3; 2Coríntios 4,6; 1Coríntios 2,8; João 1,14-18); as obras que Jesus realiza manifestam esta glória: Ele é verdadeiramente “o primeiro homem a ter peso”, valor, mas isto lhe vem de sua comunhão perfeita com o Pai, principalmente nas horas de sua paixão e de sua ressurreição (João 10,30; 17,19; 12,28).

 

Esta glória repercute sobre os cristãos (João 17,10) através da comunhão sacramental (1João 5,7; João 19,34-36) e pela comunicação da comunhão que Jesus vive com o Pai (2Coríntios 1,22; Colosensses 1,10-11).

 

  1. DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO VIDA

 

A liturgia deste quinto domingo da Quaresma já antecipa o sentido da Páscoa de Jesus. O Caminho da experiência do Deus Javé que Jesus fez. A nova e definitiva Aliança que Ele propõe passa por três caminhos fundamentais.

 

O Caminho de Jesus é o caminho da solidariedade: sua proposta não discrimina

ninguém, é aberta para todas as culturas. “Queremos ver Jesus” é o que dizem alguns pagãos gregos, que tinham subido a Jerusalém para prestar culto a Deus, na festa da Páscoa. Filipe ouve esse pedido, chama André, e os dois juntos transmitem esse desejo a Jesus. Hoje mesmo sem saber se expressar desse modo, são muitos os que querem ver, conhecer e encontrar Jesus. Na verdade, Ele é a resposta aos anseios mais profundo do ser humano, pois “ilumina todo ser humano que vem a esse mundo” (João 1,9). Hoje, cada batizado precisa ser esse tipo de instrumento, para que o mundo desorientado encontre o rumo da salvação, da vida plena que Deus deseja para todos e que é oferecida em Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida.

 

O caminho de Jesus é o caminho do serviço, do Messias Servo humilde: Ele assume as dores e esperanças de seu povo na contramão do pode dos reis, rainhas e presidentes deste mundo (Jesus não aceita ser rei e educa o povo numa outra direção, João 12,13).

 

O caminho de Jesus não é o caminho da glória deste mundo, mas o caminho da exaltação na cruz, o caminho do grão de trigo que morre para dar mais vida. A cruz de Jesus não foi um decreto de Deus, mas a conseqüência de sua solidariedade com o destino dos pobres, dos pecadores, dos doentes. Quem toma esse caminho no mundo torto em que vivemos terá contra si o projeto “dos inimigos da partilha”, que procuram sempre crucificar a justiça, a paz e a verdade. Quem trabalha com autenticidade nas pastorais da Igreja (principalmente nas pastorais sociais) terá quase sempre pela frente esse tipo de inimigos. Quem faz Aliança com os projetos dos movimentos sociais populares que defendem os direitos das classes oprimidas certamente sofrerá o enfrentamento sofrido por Jesus.

 

Através da imagem do “grão de trigo” (João 12,24), Jesus ilustra as modalidades e os efeitos da morte na pessoa humana, na qual Deus concedeu o seu Espírito. Cada pessoa conserva em si mesma muito mais energias do que julga ter.  Capacidade amor que cada pessoa não tem a possibilidade de desenvolver no breve espaço de sua existência. Como grão de trigo começa a produzir a vida só quando caído na terra e morre, assim o ser humano pode libertar toda a energia vital que contém em si só através da morte. No momento da morte as suas energias de amor libertam-se e exercem a sua plena eficácia. Como a vida contida no grão se manifesta numa forma nova, assim, com a morte, também a vida contida no indivíduo se manifesta numa forma completamente nova e mais rica. Assim a morte, em vez de destruir a pessoa humana, permite-lhe um novo crescimento. A morte propicia ao ser humano um ato de absoluta entrega e amor a Deus. Por isso a morte permite uma extrema realização humana. A morte liberta a semente de ressurreição que se esconde dentro da vida mortal. Por isso no momento da morte, ressuscitamos com Cristo.

 

Para que exista esta fecundidade é necessário que o ser humano ofereça a sua vida: “quem se apega à sua vida pai perde-la; quem despreza a sua vida neste mundo vai conservá-la para a vida eterna”. (João 12,25). Quando o ser humano adere a Jesus, aceitando a sua vida e a sua morte como norma para a sua existência, desenvolve-se nele uma vida indestrutível, e desta plenitude de vida compreende que o dom de si mesmo não é uma perda, mas uma vantagem. Quem coloca a sua vida ao serviço dos outros não a diminui, mas, realiza-a plenamente e para sempre.

 

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

 

A morte de Cristo como caridade

 

A Oração do Dia, por sua vez, nos dará uma chave interpretativa com a qual encontraremos a harmonia entre a Primeira leitura e o Evangelho. Sua súplica para que a comunidade permaneça “na mesma caridade que levou o Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo” conduzirá nossa argumentação. O original da Oração do Dia utiliza a palavra “caritas”, traduzida normalmente por caridade, no sentido de amor, afeição, ternura. Nesse sentido, o que predispôs Jesus, como israelita fiel, em sua entrega, foi a caridade. Tal entrega, é descrita, na mesma oração, com o qualificativo latino “diligens”, que significa amar – opção de tradução escolhida na versão portuguesa para o Brasil. Mas o verbo diligo, de onde vem diligens trata do amor pautado numa opção ou decisão e não tanto na emotividade ou sentimento. É neste ponto que reside a ligação entre a primeira leitura e o Evangelho. A decisão de Jesus em se entregar nasce da “Lei” inscrita por Deus em seu coração, em sua inteligência fiel. A glorificação, da qual nos fala João, é o reconhecimento do Pai à sua fidelidade à Aliança. A morte de Jesus, informada no contexto pela expressão “quando for elevado da terra” só tem sentido se entendida como decisão, segundo a lógica amorosa da Aliança. E daí vem o fruto: sermos atraídos a Ele, para viver no seu amor, sendo movidos – diligentemente – por Ele. Esclarece-se, assim, a frase de Jesus, entoada neste Domingo como Antífona de Comunhão: “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto”.

 

O Tempo da Quaresma é, para a Igreja, a oportunidade que Deus nos concede para a conversão do nosso “coração de pedra em coração de carne”. Um coração capaz de assumir a Aliança não mais inscrita na frieza da pedra, mas no calor de nossa humanidade. Jesus tinha um coração de carne, capaz de assumir a Aliança mesmo que ela Lhe acarretasse o sofrimento e a morte. Decidindo-se pela fidelidade à Aliança, assumiu a morte e a converteu em entrega de si, em oblação. A sua morte foi a “última

prece e súplica” pela humanidade – e, nesse sentido, nós o reconhecemos como na carta aos Hebreus, da qual nos vem a II leitura, como o perfeito sacerdote. Na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que Lhe obedecem”. E a salvação, a saúde que provém de Deus vai salvaguardando a dignidade e honradez humanas, é garantida para nós pela Aliança. A fidelidade da Igreja, portanto, à causa de Jesus de Nazaré, glorificado por Deus em sua morte redentora, garante-nos a vida plena. Estamos unidos a Cristo na morte e na vida nova que Ele inaugura por sua ressurreição.

 

4- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

 

Em nossas celebrações litúrgicas podemos ver e encontrar Jesus. Ele está presente, tanto na pessoa do ministro, quanto nas espécies eucarísticas. Jesus está presente nos sacramentos, de tal forma que, quando alguém batiza, é Cristo mesmo que batiza. Ele está presente pela sua Palavra, pois é Ele mesmo quem fala, quando se lêem as leituras na Igreja (cf. SC 7). Ele está presente na comunidade, que é o seu corpo reunido renovando a sua misericórdia de ser sempre fiel à sua Palavra.

 

A liturgia deste Domingo procura nos persuadir sobre a eficácia do sofrimento vivido por amor. Podemos ficar na superfície, como a multidão que observa, curiosa, os feitos e gestos de Jesus. Podemos, pelo contrário, fazer nossas as disposições dos gregos. Eles são atraídos pela Cruz que salva. “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim”.

 

O pão e o vinho são sinais da Nova Aliança. É o Corpo e Sangue de Jesus. Que aqueles que deles se nutrem desenvolvam em si próprios autênticos sentimentos de aliança com Deus e entre eles mesmos!

 

  1. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. O gesto de cobrir as cruzes e as imagens na igreja de roxo, a partir deste Domingo, pode ser uma forma de ajudar as pessoas a perceberem a proximidade da Semana Santa.

 

2. Motivar para a coleta da Campanha da Fraternidade que será realizada no próximo domingo em todas as igrejas do Brasil.

 

6- MÚSICA RITUAL

 

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos “cantar a liturgia” e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com “cada domingo da Quaresma”, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Quaresma, “é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado”. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

 

A regra da reserva simbólica vale para todos. A liturgia nos ensina a reservar os elementos festivos para a festa da Páscoa. Assim, os grupos são chamados a serem mais moderados na execução dos instrumentos, evitando “solos instrumentais”, deixando de tocar algum instrumento, ou mesmo cantando algo “à capela” (sem acompanhamentos musicais). É tempo também de escutar, de ser “obediente”, de aguçar o discipulado: uma boa forma de manifestar isso seria assumir o repertório da CNBB para as celebrações.

 

  1. Canto de abertura: Invocação da justiça de Deus contra o adversário (Salmo 42/43,1-2). “Lembra, Senhor, o teu amor fiel para sempre!”, CD: CF-2018, melodia da faixa 6 ou CD: CF-2015, melodia da faixa 2.

 

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico II da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia XIII, CD: Liturgia XIV, CD:CF-2018 e CD: CF-2015.

 

  1. Ato penitencial. Nesse domingo seria oportuno rezar a invocação da fórmula 3 do Missal Romano, o número 3 dentre as opções para o Tempo da Quaresma. Ver orientações em Ação Ritual. Todos se coloquem de joelhos.

 

  1. Salmo responsorial 50/51. Deus nos dê um coração novo. “Criai em mim um coração que seja puro.”, CD: CF-2015, melodia da faixa 8 ou CD: Liturgia XIV, melodia da faixa 11.

 

A função do salmista é de suma importância. Sua função ministerial corresponde à função dos leitores e leitoras, pois o salmo é também Palavra de Deus posta em nossa boca para respondermos à sua revelação. Por isso, o salmo dever ser proclamado do Ambão e, se possível, cantado.

 

  1. Aclamação ao Evangelho. “Estar junto a Jesus no seu caminho” (João 12,26). “Louvor a vós, ó Cristo, Rei da eterna glória!”, CD: CF-2018, melodia da faix 10ou CD: Liturgia XIV música igual à faixa 1.

 

Preserve-se a aclamação ao Evangelho cantando o texto proposto pelo Lecionário Dominical. Ele ajudará a manifestar o sentido litúrgico da celebração, conforme orientações da Igreja na sua caminhada litúrgica.

 

  1. Refrão após a homilia. Depois de uns momentos de silencio, entoar o refrão: “Se o grão de trigo não morrer…”, mesma melodia do canto “Então da nuvem luminosa”, (Hinário Litúrgico II, p. 19). Ver orientações em Ação Ritual.

 

  1. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração no Tempo da Quaresma. “Escuta, Senhor, a voz do povo teu”, CD: CF-2018, melodia da faixa 12. Podemos também entoar Oséias 14,2-9, “Retorna, Israel, ao teu Senhor”, CD: CF-2012, melodia da faixa 1.

 

  1. Canto de comunhão: O grão de trigo deve morrer para produzir fruto (João 12,24-25). “Se o grão de trigo não morrer, caindo em terra, fica só”, articulado com o Salmo 29/30, CD: CF-2018, melodia da faixa 18; CD: CF-2015, melodia da faixa 16 ou CD: CF-2012, melodia da faixa 19.

 

Mas na mesma liberdade e bom senso, sugerimos um canto bem conhecido da série Povo de Deus: “Se o grão de trigo não morrer, sozinho vai ficar”, Hinário II da CNBB, página 21, mesma melodia “Então da nuvem luminosa dizia uma voz”.

 

O canto de comunhão deve retomar o Evangelho do 5º Domingo do Tempo Quaresma, que evidencia que é necessário o Cristo descer a sepultura como o grão de trigo cai na terra. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia.

7. O ESPAÇO CELEBRATIVO

 

  1. Nossa caminhada quaresmal já nos acena a proximidade do grande acontecimento da Páscoa do Senhor. Não esquecer de criar um ambiente próprio para celebrar; um ambiente que convide à oração e à contemplação.

 

  1. Se há um elemento, que, sem palavras, cumpre a função mistagógica, isto é, de conduzir para dentro do mistério celebrado, este é o Espaço Sagrado. Por isso, devemos dedicar-lhe todo o nosso cuidado.

 

  1. A Cruz do Senhor, é elemento importante em qualquer tempo, mas na Quaresma é, sem dúvida, um sinal marcante da paixão de Cristo e da paixão do mundo. Para que esse sinal seja devidamente enfocado, sugerimos um incensário aos pés da cruz. As brasas sejam alimentadas de forma constante e discretamente, sem excessos.

 

  1. AÇÃO RITUAL

 

Fazer uma acolhida muito fraterna e pessoal a quem chega para a celebração, principalmente os visitantes. Que todos possam sentir sua dignidade humana respeitada e sua identidade cristã reconhecida. Não devemos esquecer que os ritos iniciais, com o sentido de formar o Corpo vivo do Senhor, sejam bem valorizados neste domingo e sempre.

 

Ritos Iniciais

 

  1. Fazer a procissão de entrada com a cruz e uma vasilha com terra e alguns grãos de trigo.

 

  1. Como saudação presidencial sugerimos a de 2Tessalonicenses 3,5 (opção c):

 

O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja convosco.

 

  1. Após a saudação presidencial, as comunidades que já deixaram de fazer comentário antes do canto de abertura, porque entenderam o rito da Igreja e a primazia da saudação (Palavra de Deus que nos convoca), em seguida podem propor o sentido litúrgico.

 

Domingo do grão caído na terra. Vamos até o Senhor e recebemos dele a Palavra do grão que cai sobre a terra e o anúncio de sua morte e glorificação, sinal de unidade entre os povos.

 

  1. O Ato Penitencial pode ser feito segundo a fórmula 3 do Missal Romano página 397, o número 3, dentre as opções para o tempo da Quaresma. Escolha-se uma boa melodia, que favoreça a contrição do coração, que se decide pela Aliança.

 

Senhor, que fazeis passar da morte para a vida quem ouve a vossa Palavra…

 

  1. Na Oração do Dia contemplamos a alegria da caridade que levou Cristo ao dom de sua vida. Morrer e ressuscitar, pois a glória é alcançada através da doação, por amor, até a morte.

 

Rito da Palavra

 

  1. A CNBB acrescentou ao refrão do salmo Responsorial o verso “dai-nos de novo um Espírito decidido”, completando assim o versículo 12 do Salmo 50/51. É uma boa opção, uma vez que fica evidenciada aquela ligação entre a oração do dia, I leitura e Evangelho, explicitada em nossa reflexão homilética.

 

  1. Na homilia, é importante ligar a Palavra recebida com a ação celebrativa. Hoje o Pai nos entrega Jesus, o grão fecundado pela força do Espírito, feito Pão da Vida para nossa salvação. Com alegria, renovamos nossa Aliança e comungamos seu projeto, aceitando a cruz presente em nossa vida, como passagem necessária para a ressurreição e alegria plena.

 

  1. Após a homilia, fazer uns momentos de silêncio contemplativo. Um refrão apropriado para esse momento é: “Se o grão de trigo não morrer…” (Hinário Litúrgico II, página 21).

 

  1. Após o refrão contemplativo, pode-se recorrer a uma ação simbólica oportuna: as pessoas serem marcadas no peito com o sinal da cruz. Além de recordar o Batismo, que nos identifica com Cristo em sua morte e ressurreição, evidencia a mudança do coração de pedra para um coração de carne por parte do fiel – por isso se deve cantar “O vosso coração se converterá se converterá em novo, em novo coração”. Um diácono, além do presidente da celebração, pode ajudar no rito, depois de ser, também marcado no peito com o sinal da cruz. Ao fazer o gesto, dizer ao fiel: “Esteja em teu coração o Evangelho do Senhor”.

 

  1. Onde houver adultos que vão receber os sacramentos da Iniciação Cristã na Vigília Pascal, depois da homilia, junto com os padrinhos e madrinhas, colocam-se diante do presidente da celebração para o terceiro escrutínio (Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos, pág. 77).

 

Rito da Eucaristia

 

  1. Na Oração sobre as Oferendas, peçamos a Deus que o sacrifício eucarístico nos purifique.

 

  1. Como não há prefácio próprio para este domingo (caso não se tenha escolhido o Evangelho do IV Domingo do Ano A), sugerimos a escolha do Prefácio da Quaresma II que evidencia a renovação, na santidade dos filhos e filhas. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “Para renovar, na santidade, o coração dos vossos filhos e filhas, instituistes este tempo de graça e salvação. Libertando-nos do egoísmo e das outras paixões desordenadas, superamos o apego às coisas da terra”. Outra opção para este 5º Domingo é o Prefácio da Exaltação da Santa Cruz que evidencia Cristo elevado na Cruz, nossa salvação, página 656 do Missal Romano. Pusestes no lenho da Cruz a salvação da humanidade, para que a vida ressurgisse de onde a morte viera. E o que vencera na árvore do paraíso, na árvore da Cruz fosse vencido. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Nunca é demais lembrar que usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. Elas não podem ter os prefácios substituídos com grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

 

  1. Outra opção é escolher a Oração Eucarística da Reconciliação II, pois é bem indicada para hoje. Esta Oração tem prefácio próprio.

 

  1. Fazer também o rito da entrega da Oração do Senhor para os adultos que receberão os sacramentos na noite da Páscoa. Pode-se também fazer este rito no decurso desta semana.

 

  1. Neste Domingo é muito oportuno apresentar o pão e o vinho para o convite à comunhão utilizando o Salmo 33/34,9. Ao apresentar o pão e o vinho, o presidente da celebração diz:

 

“Provai e vede, como o Senhor é bom, Feliz de quem nele encontra seu refúgio. Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.”

 

  1. Unindo a mesa da Palavra com a mesa da Eucaristia, o canto de comunhão deve ser correspondente ao versículo evangélico: “Se o grão de trigo não morrer”. Há duas versões apresentadas pelo Hinário Litúrgico II da CNBB. Uma com a melodia do canto “Então da nuvem luminosa” – 2º Domingo da Quaresma – e outra do Pe. José Weber, que figura entre os cantos propostos no repertório deste ano, vejam CD:CF-2012; CD: CF-2018, melodia da faixa 18. A função ministerial do canto de comunhão é retomar o Evangelho na comunhão.

 

Ritos finais

 

  1. Na Oração depois da Comunhão, suplicamos a Deus que sejamos sempre contados entre os membros daquele cujo corpo e sangue comungamos.

 

  1. Não esquecer após a comunhão, reservar um tempo para a assembléia fazer um profundo “silêncio contemplativo” do encontro havido com Deus. Seria bom que até se fizesse uma breve motivação para esse momento de silêncio orante, previsto pelo Missal Romano, nº 121, página 57.

 

  1. Como membros da comunidade, devemos estar cientes e participar das iniciativas tomadas pelas pastorais e outros grupos da comunidade. Daí a importância das comunicações no final da celebração. Portanto, sejam feitos com objetividade, clareza e a devida motivação, para maior envolvimento da comunidade.

 

  1. Bênção solene, para todo o povo, como sugere o Missal Romano, página 521 ou a também muito oportuno a oração sobre o povo, número 7, página 531:

 

Iluminai, ó Deus de bondade, a vossa família, para que, abraçando a vossa vontade, possa viver fazendo o bem. Por Cristo, nosso Senhor.

Em seguida dar a bênção sobre a assembléia.

 

9- CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Percebemos nesta trajetória de cinco domingos a presença marcante da Aliança neste Ano B. A Quaresma é tempo de aprofundar o significado da Aliança entre Deus e seu povo. Também é a época de examinar como está sendo vivida, na prática, esta Aliança.

 

Jesus Cristo é a Nova e Eterna Aliança e é por meio Dele que temos confiança perante Deus. “Ele é que nos tornou capazes de exercer o ministério de uma Aliança nova. Esta não é uma Aliança da letra, mas do Espírito. Pois a letra mata, mas o Espírito comunica a vida” (2Cor 3,6).

 

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

 

 

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

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