6º DOMINGO DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR ANO C – 01 de maio de 2016

6º DOMINGO DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR ANO C – 01 de maio de 2016

27/04/2016 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Leituras

Atos 15,1-2.22-29. Decidimos o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo.
Salmo 66/67,2-3.5-6.8. Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção.
Apocalipse 21,10-14.22-23. A muralha da cidade tinha doze alicerces.
João 14,23-29. Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou.

ressurreiçao

“NÃO SE PERTURBE NEM SE INTIMIDE O VOSSO CORAÇÃO”

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo da promessa do Espírito Santo. O Senhor nos revela a alegria da sua ressurreição, para que possamos ser portadores deste anúncio por onde andarmos. Somos chamados a ser morada da Santíssima Trindade amando o Filho enviado pelo Pai e acolhendo o Espírito Santo, o Defensor.

O fato central desta celebração é a promessa que Jesus faz aos discípulos o envio do Espírito Santo para dar continuidade à caminhada do Povo de Deus em marcha na história. Cristo ressuscitado continua caminhando conosco. Jesus nos convida a estar sempre em comunhão com Ele e reafirma sua presença e sua assistência através do seu auxiliar, o Espírito Santo. Lembramos hoje com muito carinho todas as mães vivas e falecidas. A maternidade engrandece a mulher porque é obra do criador.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – Atos dos Apóstolos 15,1-2.22-29. Alguns judeu-cristãos, vindos de Jerusalém, se apresentaram como enviados dos apóstolos, ensinando que, para salvar-se em Jesus Cristo, era preciso passar pela Lei de Moisés, a fazer a circuncisão. Possivelmente muitos israelitas batizados aderiram à onda. Com efeito, a aliança divina com Abraão, de que os judeus se vangloriavam (Mateus 3,9; João 8,33), não podia ser abolida porque a promessa divina não poderia falhar. Eles diziam: Cristo sim, mas depois Moisés! Com isso, a paz ficou perturbada na comunidade de Antioquia, o que deu ocasião a Paulo e Barnabé de reagirem energicamente; os apóstolos, em Jerusalém, cientes do acontecimento, desautorizaram os pretensos enviados (versículo 24).

Eis a cisão: de um lado, os judeus cristãos forçam a adesão ao judaísmo; por outro, Paulo e Barnabé admitem muitos pagãos na comunidade (Atos 11,22-26; 13,4__14,25). A reação dos cristãos de Antioquia perante os cristãos vindos de Jerusalém não foi mansa (versículo 2): é o choque entre uma realidade superada e outra nova, que trará muito desgosto ao Apóstolo Paulo. A questão era grave e podia comprometer a expansão do Cristianismo junto aos não-judeus.
Paulo e Barnabé, delegados pela comunidade, vão a Jerusalém para tratar do assunto com os apóstolos (versículos 2-5), os quais se reuniram em concílio com os presbíteros a fim de resolvê-lo (versículo 6-12). Tiago o Menor, bispo de Jerusalém, tido como conservador, deu alguma esperança aos judaizantes, quando se levantou para falar (versículos 13-21). Mas, qual não foi a decepção ao ouvi-lo confirmar as teses de Pedro, de Paulo e Barnabé! Resumindo: os cristãos procedentes do paganismo estão dispensados das prescrições da Lei de Moisés.

Paulo e Barnabé levam o decreto de Jerusalém aos cristãos conturbados de Antioquia, da Síria e da Cilícia (versículo 23). De caráter universalista, a carta apostólica foi aplicada também às comunidades da Licaônia (Atos 16,4) e de outros lugares onde se fazia necessário; o próprio Tiago a considera de valor geral (Atos 21,25); teve larga repercussão mesmo onde não havia razões de escândalo.

O decreto se resumia essencialmente em não impor senão o mínimo, visando mais a convivência fraterna entre os vários tipos de cristãos do que a salvaguardar formas e tradições, desautorizando assim os judaizantes intrusos.

A decisão conciliar é atribuída em primeiro lugar ao Espírito Santo – “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (versículo 28) – sinal de infalibilidade, uma característica da clarividência da Igreja, que pretende ser mais que uma grandeza estruturada juridicamente, pois vive do mistério, da força do Espírito Santo prometido pelo Ressuscitado (Atos 1,8); somente através da união com Ele, no qual o Senhor glorificado está presente, é que a autoridade eclesial adquire seu direito, garantia e poder. Nos impressionam as atitudes de Tiago Menor: conservador de um lado, contudo sabe abrir-se ao novo, conciliando posições contrárias; belo exemplo de quem detém as rédeas da comunidade. A autoridade eclesial adquire poder e direito se estiver ligada ao Espírito Santo.

O que é significativo é que o acolhimento dos não-cristãos na Igreja não é o simples fruto de uma decisão não pertencente à essência da natureza da Igreja, mas implica, ao contrário, uma modificação das próprias estruturas da Igreja e sua própria conversão interna.

Salmo responsorial – 66/67,2-3.5-6.8. O Salmo inicia pedindo que Deus tenha piedade de nós e nos abençoe. Pede-se a bênção. Iluminar ou fazer brilhar a face é mostrar-se afável e, benévolo.

O caminho é a conduta de Deus, seu modo regular de agir; é simplesmente a salvação. Este caminho se torna claro na bênção para todos os que querem ver e aceitar. Abençoado é aquele que aprende a pautar sua vida pela vontade de Deus. Que trabalha, perdoa, acolhe, partilha. Dizer que Deus nos mostrará a sua face é um modo de dizer que Ele terá especial cuidado conosco. É nos sentirmos diante do olhar de Deus. Não devemos manipular a Deus pedindo bênçãos para conquistar vantagens pessoais. Abençoado é aquele que vive diante do olhar de Deus

Versículos 5-6 a segunda estrofe amplia o tema do hino, insistindo no horizonte universal do governo de Deus e do louvor humano.

Assim, voltamos a pedir uma nova bênção que sirva de testemunho para toda a terra no versículo 8. Talvez deva-se repetir o refrão também no fim do Salmo.

O rosto de Deus no Salmo é abençoador. É novamente o Deus da Aliança, mas isso não é exclusividade ou privilégio de Israel. Ele é o Deus de todos os povos. Julga-os com justiça e retidão. Todos os povos o celebram, e o resultado disso é a vida que brota da terra. A bênção é, na Bíblia, sinônimo de fecundidade. Além disso, trata de um Deus ligado profundamente a duas coisas: a justiça e a terra que produz. A terra, produzindo (para todos), ofereceu a Israel a possibilidade de descobrir que Deus é Senhor do mundo e dos povos, sem imperialismos, sem dominação de um povo sobre o outro. Todos os povos se encontrarão em torno do único Deus, celebrando-O e usufruindo sua bênção, traduzida na fecundidade da terra.

No Novo Testamento, além de recordar o que já se disse dos outros salmos de ação de graças coletiva, é bom ver como Jesus se relacionou com o que não pertenciam ao povo de Deus, isto é, o Povo de Israel, e como eles tiveram fé em Jesus, tratando-O carinhosamente (por exemplo, Lucas 7,1-10; João 4,1-42).

Agradeçamos ao Senhor porque fez justiça na terra, dando razão a Jesus e libertando-o da morte. Que Ele tenha piedade de nós e nos dê o Espírito Santo, para que possamos em todo o tempo conhecer os seus caminhos que estão em nossa história.

QUE AS NAÇÕES VOS GLORIFIQUEM, Ó SENHOR,
QUE TODAS AS NAÇÕES VOS GLORIFIQUEM!

Segunda leitura – Apocalipse 21,10-14.22-23. Antes, a nova Jerusalém era contemplada qual noiva indo ao encontro do Esposo (versículos 2s); agora, a Esposa do Cordeiro coincide com a cidade santa de Jerusalém que desce do céu, de jun to de Deus, revestida da glória de Deus (versículo 10), insinuando um novo ato criador, descrita em toda a sua formosura, personificada sob figura de mulher gratificante aos olhos (cf. Isaias 61,10).

Como Ezequiel (40,2) e Isaias (2,2), João foi “transportado em espírito a um grande e alto monte” (versículo 10), onde será erguida a futura Jerusalém, capital do mundo novo, da nova terra, eterna e aberta a todos os povos (Isaias 2,2s; Miquéias 4,1ss; Ezequiel 17,22). “Não vi nela templo algum, porque o Senhor Deus todo-poderoso é o Cordeiro (versículo 22). Além de “revestida da glória de Deus”, João vê a nova Jerusalém descer do céu, brilhante como jaspe cristalino (versículo 11) – esplendor do próprio Deus, brilho da sua presença, participação de sua glória (Apocalipse 21,23; cf. Isaias 60,12.19), uma vez que nela habita e a ilumina (Isaias 58,8; 2Coríntios 3,18). Sua formosura total é reflexo da beleza espiritual de seus habitantes.

Como em Ezequiel (48,30-35), ao longo do muro havia 12 portas, guardadas por 12 anjos (cf. Isaias 62,6; Gênesis 3,24) e com os nomes das 12 tribos; os anjos estão a serviço de Deus e da Igreja. O número 12 exprime a plenitude moral, sólida e equilibrada; semelhança (visão e números) frisa a continuidade da antiga e Nova Aliança; não são duas revelações, mas uma e única. Havia 3 portas em cada ponto cardeal, do que se deduz da boa estrutura e simetria da cidade; as 3 portas abertas (versículo 25) permanentemente para as 4 regiões do mundo são imagem da universalidade da Igreja.
“A muralha tinha 12 alicerces (ou setores), e neles os nomes dos 12 Apóstolos do Cordeiro” (versículo 14): a nova Jerusalém – a Igreja – é “apostólica” porque está edificada sobre o alicerce dos apóstolos e profetas (Efésios 2,20). A visão integral sugere também as outras notas da Igreja: unidade e santidade.

Nessa cidade tão maravilhosa não se via templo algum, porque “O Senhor Deus… é seu templo, assim como o Cordeiro” (versículo 22). Isto nos surpreende, pois antes João falara do templo e do culto celestes (Atos 5,12; 7,15); 8,3; 11,19; 14,15ss; 16,1.17). É que João empregou essa imagem para falar de várias realidades; entretanto, quando ele quer expressar a vida gloriosa no céu, a imagem já não lhe pareceu oportuna. Com efeito, o templo era sinal visível da presença de Deus e o Cordeiro a enchem com sua presença imediata e os eleitos os vêem face a face (Apocalipse 22,4), o templo terrestre se dispensa: o céu fica sendo templo eterno.

E, pensando em Isaias (60,19s), se diz que a “cidade não necessita de sol e nem de lua para a iluminar, porque a glória de Deus a ilumina, e a sua luz é o Cordeiro” (versículo 23). Deus e o Cordeiro aparecem em linha de igualdade, aqui e em outros lugares do Apocalipse (7,9-12; 14,4; 21,1ss). Logo, São João vê no Cordeiro uma pessoa divina. Os habitantes da Jerusalém celeste, frente o resplendor de Deus e do Cordeiro, não precisam de sol e nem de lua (versículo 23); claro, em sentido espiritual. Deus é o sol que ilumina a vida interior dos cristãos para sempre, constituindo-se em sua felicidade. No universo, sol e lua já não têm sentido, Deus os substitui.

Evangelho – João 14,23-29. O Evangelho de hoje se apresenta como discurso de despedida de Jesus aos discípulos. Uma despedida marcada pela esperança e por recomendações sobre a continuidade da missão. Continuar a missão significa viver e testemunhar as palavras de Jesus, “palavra que vem do Pai” (João 14,24). Essa vivência e testemunho se constituem numa relação de amor: amor a Deus e amor de Deus. Amar a Jesus e ao Pai é tornar-se morada, templo de Deus (João 14,23). Diante de tão desafiadora missão, Jesus faz a promessa de enviar o Espírito Santo como aquele que vai “ensinar todas essas coisas”. Ele fará a memória de suas palavras (João 14,26)

A palavra aparece no Evangelho como elemento central da mensagem: palavra criadora, que ensina, que orienta, que envia para a missão. Palavra de esperança, que faz promessa. Palavra reveladora e transformadora. A transformação do mundo se dá pela palavra. É ela que comunica a vontade do Pai. Trata-se de uma palavra de ânimo e de paz (João 14,27). Palavra que ajude a uma realidade presente e a uma realidade porvir (João 14,29).

O Evangelho de hoje situa-se no primeiro “Discurso de Despedida” de Jesus, João 14,1-31 (o Segundo é João 15-16, o Terceiro Discurso, também chamado a “Oração sacerdotal”, João 17). Não devemos considerar os Discursos de Despedida como relatos históricos das últimas palavras de Jesus, mas, antes, como uma coleção de sentenças características do Senhor e meditações da Igreja Primitiva, especialmente do Evangelho de João. O “Primeiro Discurso” trata essencialmente da situação dos discípulos depois da ida de Jesus ao Pai. Nos versículos 5-7, Jesus explica o sentido do seu afastamento: os discípulos, tendo visto Nele o Pai, continuarão a sua obra, com a assistência do Espírito Santo (o Paráclito). Nos versículos 18-24, então, é mostrada uma outra face da mesma realidade do “adeus”: Jesus há de voltar a eles, mas de modo diferente: voltará com o Pai.
O contexto do Evangelho de hoje descreve, portanto, a situação do cristão no mundo, na ausência (física) de seu Mestre e Senhor, até a Parusia, isto é, sua volta.

As palavras de Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra…” são bem a resposta certa à questão porque Ele não se manifestará ao mundo. Jesus não precisa nem pode, de modo gratificante, manifestar-se ao “mundo” termo que, neste lugar, tem o sentido de os que rejeitam Jesus: aos que não o amam, Jesus não se pode manifestar na sua verdadeira realidade (glória) pois eles não têm olho e nem fé para isso. Mas quem o ama, neste Ele habitará, e o Pai também; e que quando alguém o ama, guarda a sua Palavra. A verdadeira manifestação de Cristo é: estabelecer moradia nos seus fiéis. Essa manifestação se dá na prática do amor, da adesão à sua Palavra. Jesus se torna presente no discípulo e na discípula, isto é, com o Pai, pois Jesus – assim repete, mais uma vez, o versículo 24 – só fala o que é do Pai (cf. João 7,16; 8,26.28; 12,49s; etc.)

Os versículos 26-27 forma uma espécie de conclusão. O que Jesus diz, antes de ir embora, ainda não fica claro agora, mas ficará mais tarde, graças ao Espírito Santo. Nesta idéia repete-se a experiência dos primeiros cristãos. Não entenderam logo a profundidade de sua experiência com Jesus, mas depois de sua morte e glorificação revelou-lhes o sentido de sua missão (cf. João 2,22; 12,16, etc.). Esta nova experiência é atribuída ao Espírito Santo, no Evangelho de João também chamado o Paráclito (o outro Paráclito ou “assistente jurídico”, assim como Jesus foi o primeiro apoio dos discípulos no processo com o mundo: João 14,16). O Espírito Santo continua a obra de Jesus. Ele vem no nome de Jesus, porque Ele próprio pediu ao Pai (João 14,16).

O Espírito Santo será a testemunha da presença de Jesus (João 14,26; 15,26). Jesus compara a missão do Espírito com a sua: não se trata de crer que o Reino de Cristo terminou e que o Espírito Santo o substitui.

A presença do Espírito Santo se revestirá de um caráter judiciário (tema do Paráclito defensor). Além do aspecto judiciário da presença do Espírito, o Evangelho salienta seu papel educativo “…ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito” (versículo 26; cf. João 16,13). Com certeza, Cristo, que ainda tem muitas revelações a fazer, confia esta tarefa ao Espírito Santo. Quer dizer que o mundo aprenderá verdades novas que Cristo não teria ensinado? Não. Somente Jesus é a Palavra: Ele disse verdadeiramente tudo. Mas seu ensinamento deixado para os Apóstolos precisa ser aprofundado, melhor compreendido e confrontado com os acontecimentos. É aquilo que hoje chamamos de “formação ou aprofundamento”. Portanto, o Espírito Santo não ensinará coisas novas, Cristo é a revelação definitiva.

O versículo 27 introduz a bênção que encerra o discurso (cf. a bênção no fim da despedida em Gênesis 49,28; Atos 20,32ss). Tal bênção poderia ser um voto de paz, como em nossa liturgia (“Vamos em paz”); mas Jesus não expressa apenas um voto de paz: Ele dá a própria paz, como um presente; Ele deixa a paz, como uma herança, um legado, uma tarefa. Esta paz é o shalom, o dom messiânico por excelência, aquilo mesmo que o Messias veio realizar. Portanto, quando Jesus deixa a paz, como obra acabada, Ele quer dizer que cumpriu sua tarefa messiânica. Esta paz não é como aquela que o mundo dá. A paz que o mundo dá é o equilíbrio das forças do ódio… A paz que Jesus deixa é o “estar bem” com Deus e com todos a quem Ele ama, especialmente na doação até o fim.

“Vou para o Pai, pois o Pai é maior do eu”. Ele vai agora para Aquele que é maior do que Ele, seu “chefe”, aquele que o mandou como Enviado. Não devemos procurar, nesta expressão, alimento para brigas cristológicas, como os subordinacionistas, que encontraram aqui um argumento para declarar a natureza de Jesus inferior à do Pai (subordinacionismo). João não pensa em tal cristologia grega. Ele quer dizer simplesmente o que Jesus disse e deu a entender: que ele é obediente até a morte porque nesta obediência Ele revela o amor que o Pai tem pelo mundo, isto é, um Deus apaixonado pelo mundo (João 3,16). A obediência de Jesus é a realização daquele que o mandou. O Pai ama o mundo até sacrificar para ele seu Filho querido; ora, aqui também valer: “O enviado não é maior do que aquele que o enviou” (cf. João 13,16). Aparece aqui, portanto, a íntima solidariedade do Pai e do Filho. A obediência do Enviado, antes de diminuir sua natureza, a eleva e realiza sua divindade, ou seja, sua íntima união com o Pai.
O Evangelho tem uma função catequética: demonstrar a unidade entre o Pai, o Filho e o Espírito. Chama-nos à vivência do amor e ao testemunho; encoraja-nos para a missão; é promessa de envio do Espírito e da volta de Jesus; deseja-nos a paz. A paz deixada por Jesus não é a paz medíocre e falsa do mundo, mas a paz que brota do cuidado à vida.

3- LUGAR NA LITURGIA

A primeira leitura de hoje, Atos 15,1-2.22-29, nos fornece uma amostra daquilo que o Espírito Santo opera na Igreja (Atos 15,28). A segunda leitura, tomada do Apocalipse 21,10-14.22-23, descrevem em imagens apocalípticas a plenitude messiânica. Assim, estas duas primeiras leituras são ilustrações daquilo que o Evangelho de João diz. O Espírito Santo faz entender o que Jesus queria. E a paz que Ele nos deixa é projetada numa descrição apocalíptica. Porém, não devemos esquecer que ela já existe agora, para quem permanece em Cristo.

Deste modo, a liturgia de hoje, no conjunto de suas leituras, nos prepara para celebrarmos, no próximo Domingo, a “ida” de Jesus ao Pai (Ascensão) e, dentro de duas semanas, a missão do Espírito Santo (Pentecostes).

4- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

A liturgia de hoje nos desafia a um olhar atento sobre três dimensões da vida comunitária: fé, testemunho e missão, todas elas unidas e alimentadas pelo amor. No Evangelho, fica claro o apelo a viver a Palavra. Neste sentido, podemos nos perguntar: o que significa viver a Palavra como comunidade? O Evangelho lança luzes sobre essa questão, afirmando que a vivência da Palavra se expressa na vivência do amor: amor a Deus e aos irmãos. Deus se faz presente na comunidade, em cada um e cada uma de nós, através do amor.

É em nome desse amor que aguardamos, confiantes, a vinda do Senhor. Por seu Espírito, ele continua a agir no meio de nós, fazendo-nos entender e testemunhar seu projeto. Como comunidade, somos chamados a construir nosso caminho, guiados pelo Espírito de Deus. É ele que nos ajuda a continuar a missão da construção do Reino.

O Reino de Deus é um Reino de paz. Uma paz que brota da luta e da busca da justiça. Paz muitas vezes marcada pelo martírio, pelo sofrimento e pela dor, mas que nos conduz à transformação do mundo, em conformidade com o plano de Deus. Deus não nos quer conformados com as estruturas de pecado do mundo, por isso envia seu Espírito: para nos fortalecer e animar nesta caminhada.

Viver em comunidade e aceitar o desafio de seguir Jesus é libertar-se do jugo da lei. Por vezes, a lei acaba se tornando entrave para a vida comunitária. Ao tomarmos a lei como critério de ação, corremos o risco de rejeitar e excluir o diferente, impedindo a verdadeira evangelização, fundamentada na fé em Jesus e no amor ao próximo. A Boa-Nova de Jesus nos convoca a romper com tudo aquilo que nos impede de viver a liberdade que brota de Cristo. Trata-se de um convite para a liberdade, para priorizarmos aquilo que é essencial no projeto de Jesus, a vivência do amor.

É por meio do amor que Deus se manifesta ao mundo. Aqueles que resistirem diante das dificuldades e das perseguições provarão da glória de Deus, manifesta nas palavras, testemunho e martírio de Jesus. Por sua total e incondicional entrega, Jesus venceu a morte. Por meio da ressurreição, deu-nos sua luz e sua paz. Coloquemo-nos, pois, a caminho, confiantes na vitória de Jesus.

5- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Em honra do Ressuscitado

A Oração do Dia fala que a celebração dos dias pascais se faz em honra de Jesus, a fim de que a vida dos crentes corresponda àquilo que celebram. Para que este entrelaçamento entre celebração e existência seja um fato e a cidade santa – Jerusalém – desça do Céu brilhando com a glória de Deus, é necessário que a palavra de Cristo não fique no sepulcro, mas ressuscite, de modo que o amor entre ele e o Pai fecunde a vida comum de seus seguidores e seguidoras (cf. aclamação ao evangelho). A memória do Ressuscitado, portanto, se dará na mediação de seu Espírito agindo em meio a comunidade dos discípulos e discípulas. A promessa do Espírito que a liturgia explicita neste domingo tem a ver, necessariamente, com a continuidade da presença de Jesus na vida cotidiana dos seus amigos e amigas. A memória ritual ordena-se à memória existencial (o culto ritual ao culto existencial desdobrado na vida justa e em paz).

O Espírito nos faz conformes à imagem do Filho

Dídimo, o Cego escreve sobre o papel do Espírito: “O Espírito Santo (…) renova-nos no batismo (…) livra-nos do pecado e da morte e, de terrenos que somos, isto é, feitos do pó da terra, torna-nos espirituais, participantes da glória divina, filhos e herdeiros do Pai, conformes à imagem do Filho, seus irmãos e herdeiros com Ele, destinados a ser um dia glorificados e a reinar com Ele.”

Em cada celebração do tempo Pascal afirmamos cantando que somos “novas criaturas” porque tentamos ser e agir conforme o Filho. Vejamos bem: fomos “banhados em Cristo”. A água que nos lavou “é” Cristo – é símbolo d’Ele, morto e ressuscitado. Somos herdeiros daquilo que o Pai deixa para o seu Filho, seu Amor terno e compassivo.

Jesus, por sua vez, não pode guardar para si esta riqueza, ele a distribui aos amigos e o faz mediante uma vida totalmente voltada para o bem dos seus. O frutificar-se do sacramento pascal – objeto da súplica da Igreja na Oração depois da comunhão – manifesta-se numa vida completamente à imagem do Filho. Fora disso, tudo não passa de vaidade pessoal, esforço humano estéril e infrutífero.

6- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Jesus prepara um grupo de discípulos e os envia em missão. Ele os convida à mesa, para participar de sua Páscoa. A Eucaristia nos alimenta para a missão e é também o objetivo da missão: levar a todos o Cristo vivo, para que se tornem discípulos e missionários.

No memorial da Páscoa de Cristo, celebrado na Eucaristia, fazemos nossa a forma como Deus nos ama: seu corpo entregue por nós, seu sangue derramado por nós. Ninguém amou como ele amou. Na Eucaristia, confluem e dela emanam todos os esforços da Igreja. A Igreja se constrói em torno da Eucaristia.

A igreja que nasce da Eucaristia é uma comunidade de amor. Não basta participar da Eucaristia como de um momento de piedade particular. Trata-se de um ato de fé que leva a um compromisso de fidelidade com Deus e com os irmãos e irmãs.

O Espírito da verdade nos faz passar da morte para a vida. É a ele que invocamos sobre os dons do pão e do vinho, para torná-los sacramento de vida e salvação.

Na oração eucarística damos graças ao Pai por ter enviado seu filho Jesus. Ele viveu em tudo a condição humana, menos o pecado. Anunciou aos pobres a salvação, aos oprimidos a liberdade, aos tristes a alegria… E, para que vivêssemos não mais para nós, mas para ele – que por nós morreu e ressuscitou –, enviou do Pai o Espírito Santo, como primeiro dom aos fiéis, para santificar todas as coisas, levando à plenitude a sua obra (Oração Eucarística IV).

7- PARA A ESPIRITUALIDADE PRESBITERAL

A fidelidade à Palavra de Deus nasce da intimidade do ministro ordenado com a Sagrada Escritura pela leitura, pela oração e pelo estudo. O presbítero, pela oração da Liturgia das Horas, pela Lectio Divina e pelo estudo, sobretudo na preparação das homilias, torna-se servo da Palavra de Deus, exercendo junto ao seu bispo, o múnus do ensino.

A Constituição Dei Verbum, 10, afirma:

Este Magistério não está acima da Palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinado apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, ouve a Palavra de Deus com amor, a guarda com todo o cuidado e a expõe fielmente, e neste depósito único da fé encontra tudo quanto propõe para se crer como divinamente revelado.

8- ORIENTAÇÕES GERAIS

1. Os cinqüenta dias que vão desde o Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor até o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com verdadeira alegria como se fosse um grande domingo. Esses cinqüenta dias é como se fosse um só dia de festa, “símbolo da felicidade eterna” (Santo Atanásio). Os domingos pascais se caracterizam pela ausência de elementos penitenciais e pela acentuação de elementos festivos. A alegria deve ser a característica do Tempo Pascal. A alegria deve estar presente nas pessoas da comunidade e também no espaço litúrgico, na cor branca (ou amarela), nas flores, no canto alegre do “Aleluia”, na alegria de sermos aspergidos pela água batismal, no gesto da acolhida e da paz. O Tempo Pascal constitui-se em “um grande domingo”. Vivenciamos dias de Páscoa e não após a Páscoa.

2. Neste domingo, em que o Ressuscitado nos convida a amá-Lo e guardar sua Palavra, uma boa sugestão para aqueles que preparam a liturgia é verificar se a comunidade está sendo morada de Deus. As maneiras de fazer podem ser diversas, mas a exigência é a mesma: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (João 14,23).

3. Dar destaque durante o Tempo Pascal para a água batismal. Onde há pia batismal, ela deve ser o ponto de referência para a realização de ritos como aspersão, renovação de promessas, compromissos. Onde não há pia batismal, preparar alguma vasilha de cerâmica, de preferência junto do Círio Pascal.

4. O Tempo Pascal é muito indicado, liturgicamente, para as celebrações da Crisma e da primeira eucaristia, numa continuidade com a noite batismal da Páscoa.

9- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com o Tempo Pascal e com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Páscoa, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento. O canto de abertura deve nos introduzir no mistério celebrado

A equipe de canto faz parte da assembléia. Não deve ser um grupo que se coloca à frente da assembléia, como se estivesse apresentando um show. A ação litúrgica se dirige ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Portanto, a equipe de canto deve se colocar entre o presbitério e a assembléia e estar voltada para o altar, para a presidência e para a Mesa da Palavra.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico II da CNBB e o Ofício Divino das Comunidades nos oferecem uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia XV.

1. Canto de abertura. Alegria porque Deus libertou o seu povo (cf. Isaias 48,20). “Cristo venceu, aleluia! Ressuscitou…”, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 11.
2. Refrão para o acendimento do Círio Pascal. “Cristo-Luz, ó Luz, ó Luz bendita…”, CD: Festas Litúrgicas I, faixa 9; “Salve Luz eterna, és tu Jesus…”, Hinário Litúrgico II da CNBB, página 292.

3. Canto para o momento da aspersão com a água batismal. “Eu vi, eu vi, a água manar”, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 12; “Banhados em Cristo, somos uma nova criatura”, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 11 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 196.

4. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

5. Salmo responsorial 66/67. Que Deus mostre sua bondade. “Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem!”. CD: Liturgia XV, melodia igual da faixa 2.

6. Aclamação ao Evangelho. O que guarda a Palavra de Cristo é anfitrião de Deus. “Aleluia… Quem me ama realmente guardará minha palavra”, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 7. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical ????

7. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, no Tempo Pascal. Jesus Cristo ressuscitado nosso Irmão, nos concede o perdão de nossas faltas. “Aleluia… Recebe, ó Pai, esta nossa oblação…”, CD: Liturgia XV, faixa 12.

8. Canto de comunhão. Amar Jesus é guardar sua Palavra (João 14,15-16). “Ressuscitei, aleluia, e ainda estou convosco, aleluia”! CD Liturgia XV, melodia da faixa 13.

O canto de comunhão tem por finalidade estabelecer vínculo entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística. Podemos ouvir a voz do Ressuscitado falando conosco perto da Ascensão nos encorajando a guardar a sua Palavra e dizendo: “Ressuscitei, e ainda estou convosco”. É muito oportuno como no domingo passado manter este canto de comunhão que a Liturgia indica acima.

10- ESPAÇO CELEBRATIVO
1. Preparar de forma festiva o ambiente, dando destaque ao Ícone do Ressuscitado, ao Círio Pascal, a pia batismal, com flores e a cor branca ou amarelada nas vestes e toalhas. Ornamentar com flores, mas em exageros, para não transformar o espaço da celebração numa floresta, para não roubar a cena do altar e do ambão. De certo modo, a liturgia deste domingo já nos prepara para o “envio do Espírito Santo” que será celebrado enfaticamente em Pentecostes. O Espírito Santo é o Espírito de Cristo, o Amor do Pai habitando o Corpo do Filho, do qual nos tomamos parte pelo batismo. Pela ação de seu Espírito vamos vivendo conforme à imagem de Cristo Jesus. Sugerimos, então, para esta celebração, que junto à Mesa da Palavra ou da Pia Batismal esteja um ícone da Face do Ressuscitado.

2. Vivamos intensamente este tempo de festa, celebrando a vida nova que Cristo nos deu, vencendo a morte. É importante que o espaço celebrativo da Vigília Pascal continue o mesmo para as celebrações de todo o Tempo Pascal.

3. O Tempo Pascal não é nada mais, nada menos do que a própria celebração da Páscoa prolongada durante sete semanas de júbilo e de alegria. É o tempo da alegria, que culmina na festa de Pentecostes. Tudo isso deve ficar evidente no espaço da celebração.

11. AÇÃO RITUAL

1. Neste domingo, em que o Ressuscitado nos deixa a Sua paz, uma boa sugestão para aqueles que preparam a liturgia é verificar se a comunidade está sendo instrumento da paz que vem do Senhor. As maneiras de fazer podem ser diversas, mas a exigência é a mesma: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo”.

2. Valorizar os ritos iniciais, pois a reunião da comunidade é lugar da manifestação do Ressuscitado. O uso do incenso na celebração acentuará o aspecto solene e festivo do Tempo Pascal. Acolher, com afeto e alegria, os irmãos e irmãs que chegam para tomar parte na celebração pascal – para o encontro com o Senhor ressuscitado.

Ritos Iniciais

1. Na procissão de entrada entrar com as pessoas que foram batizadas ou pessoas que receberam um dos sacramentos na Vigília Pascal, ou crianças com vestes brancas, trazendo flores.

2. Para o Sexto Domingo da Páscoa, usar saudação presidencial, já predispondo a comunidade, pode ser a fórmula “d” do Missal Romano (Romanos 15,13). Depois disso é que se propõe o sentido litúrgico e não antes do canto de entrada.

O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.

3. Após a saudação presidencial dar o sentido litúrgico:

Domingo da promessa do Espírito Santo. O Senhor nos revela a alegria da sua Ressurreição, para que possamos ser portadores deste anúncio por onde andarmos.

4. Em seguida fazer um pequeno lucernário, solenizando o acendimento do Círio Pascal: uma pessoa acende o Círio e diz: “Bendita sejas, Deus da Vida, pela ressurreição de Jesus Cristo e por essa luz radiante!”. Ou outros refrões que revela o sentido pascal: “Salve, luz eterna és tu, Jesus!/ Teu clarão é a fé que nos conduz! (Hinário II, pág. 292). “Cristo-Luz, ó Luz bendita,/ Vinde nos iluminar!/ Luz do mundo, Luz da Vida,/ Ensinai-nos a amar! A seguir, incensa o Círio pascal e a comunidade reunida.

5. Para este domingo em que a Liturgia pontua a herança de Cristo que recebemos pela participação em sua Páscoa, sugerimos fazer a Recordação da Vida neste momento. Trazer os fatos da vida de maneira orante e não como noticiário.

6. Substituir o ato penitencial pelo rito de aspersão com a água que foi abençoada na Vigília Pascal. Essa ação ritual ajuda a comunidade a aprofundar sua consagração batismal. Não havendo água abençoada na Vigília Pascal, o ministro reza o oração de bênção conforme o Tempo Pascal que está no Missal Romano página 1002. No ato da aspersão, a assembléia canta: “Eu vi, eu vi, foi água manar” ou “Banhados em Cristo, somos u’a nova criatura).

7. O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Enquanto a assembléia entoa o Hino de Louvor, pode-se incensar o Ícone da Face do Ressuscitado. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

8. Na oração do dia, suplicamos a Deus, que nos dê celebrar com fervor os dias do Tempo Pascal com júbilo em honra do Cristo Ressuscitado. Assim nossa vida corresponda aos mistérios que celebramos na Divina Liturgia. Esta oração é inspirada em Atos 12,2-3: toda Liturgia é em honra do Senhor.

Rito da Palavra

1. As leituras sejam proclamadas com esmero, para que a Palavra de Deus produza frutos na vida da comunidade.

2. Valorize-se o canto do salmo, da aclamação conforme propõe o Lecionário e o silêncio sagrado após a homilia.

3. Após a homilia e o refrão meditativo, sugerimos uma Oração sobre o Povo, do Missal. A opção número 8 está em harmonia com o sentido litúrgico desta celebração:

Permanecei, ó Deus, com vossos filhos e filhas e dai vossa assistência aos que se gloriam de vos ter por criador e guia, renovando o que criastes e conservando o que renovastes. Por Cristo, nosso Senhor.

4. Valorizar a Palavra implica propor preces que nasçam da meditação dos textos bíblicos e eucológicos, tarefa irrenunciável da equipe de Liturgia. As preces, formuladas assim, devem ser proferidas do Ambão, pois são Palavra de Deus transformada em oração.

5. Na profissão de fé, convidar os que receberam os sacramentos na Vigília Pascal para se aproximarem do Círio Pascal com velas acesas.

6. A cada prece responder cantando: ATENDEI-NOS, SENHOR DA PAZ!

Rito da Eucaristia

1. Na oração sobre as oferendas, pedimos que nossas preces e nossas oferendas subam até Deus a fim de que sejamos purificados pela bondade do Deus-Amor.

2. Na Liturgia Eucarística, a Palavra se converte em sacramento. Para se tornar essa realidade ainda mais evidente, seria oportuno seguir a recomendação do Magistério de oferecer aos fiéis hóstias consagradas na celebração, evitando, o quanto possível, de se recorrer ao tabernáculo.

3. Como no Domingo passado, seria oportuno o Prefácio IV do Tempo Pascal, página 424 do Missal Romano, em que contemplamos Cristo Ressuscitado que nos introduz na “Nova Criação”. Seguindo essa lógica, cujo embolismo reza: “Vencendo a corrupção do pecado, realizou uma nova criação. E destruindo a morte, garantiu-nos a vida em plenitude”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na celebração, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. Elas não podem ter os prefácios substituídos com grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia. A Oração Eucarística I é um pouco mais longa, mas tem a vantagem de oferecer uma parte própria para o Tempo Pascal. Onde for possível, cantar o Prefácio e, nas celebrações da Palavra, cantar a Louvação Pascal (Bendito Pascal) do Hinário II da CNBB, página 156.

4. Dar realce ao gesto da “fração do pão”. Cristo nosso Páscoa, é o Cordeiro imolado, Pão Vivo e verdadeiro. Um (uma) solista canta: “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo. A assembléia responde: Tende piedade nós… Deve ser executado assim, porque ele tem caráter de ladainha.

5. De acordo com as orientações em vigor, a comunhão pode ser sob as duas espécies para toda a comunidade. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240).

Ritos Finais

1. Na oração depois da comunhão, peçamos a Deus com fervor que frutifique em nós o sacramento pascal e infundi em nossos corações a força da Eucaristia, alimento de salvação.

2. Antes da bênção final o presidente da celebração procure ajudar a comunidade a realizar um compromisso concreto de amor com a Palavra para possamos ser morada da Trindade.

3. Dar uma bênção especial do Tempo Pascal para as mães presentes e enviá-las, juntamente com toda a comunidade à missão (oração e bênção, conforme o Missal Romano, página 523). No final o povo responde “Aleluia, Aleluia”, no envio dos fiéis.

3. As palavras do envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou”. Ide em paz, e o Senhor vos acompanhe, aleluia, aleluia!

12- CONSIDERAÇÕES FINAIS

A memória do Evangelho é sempre perigosa para quem se fecha ao projeto de Deus. Os grandes santos da Igreja, principalmente São Francisco de Assis, foram aqueles que souberam acolher a força do Espírito Santo e viram o ressuscitar dessa memória e dessa forma fizeram prodígios. No momento atual do mundo e da história da Igreja no mundo parece importante que esse Espírito possa atuar. Ele deverá quebrar formas e construções do passado, demolir esquemas feitos e com sabor de estagnação e fazer nascer o novo. Cristo foi para o Pai mas voltou a nós na forma de Espírito.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
Pe. Benedito Mazeti

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