6º DOMINGO DO TEMPO COMUM  ANO B – 11 de fevereiro de 2018

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO B – 11 de fevereiro de 2018

09/02/2018 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Leituras

Levítico 13,1-2.44-46. Lava-te e ficarás limpo.

Salmo 31/32,1-2.5.11. Regozijai-vos, ó justos em Deus.

1Coríntios 10,31-11,1. Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo.

Marcos 1,40-45. Eu quero: fica curado!

 

“SE QUERES, TENS O PODER DE CURAR-ME”

1- PONTO DE PARTIDA

 

Domingo do leproso curado. Neste 6º Domingo do Tempo Comum, o Evangelho narra a cura de um leproso que se aproxima de Jesus confiando imensamente em seu poder.

 

Jesus, considerando a vida humana mais importante que o conceito formulado pela sociedade da época, acolhe o homem, livra-o da lepra e possibilita sua inclusão social. Testemunhemos a compaixão do Senhor que se manifesta na cura de um leproso e na sua reintegração na comunidade.

 

Celebremos a Páscoa de Jesus Cristo que se manifesta na vida das pessoas e dos grupos que testemunham a compaixão de Deus com os doentes e sofredores.

 

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

 

Contemplando os textos

 

Primeira leitura Levítico 13,1-2.44-46. Os capítulos 11 a 15 do Livro do Levítico contêm as chamadas “leis de pureza”. Trata-se de uma legislação complexa e minuciosa, destinada a estabelecer em que casos se registravam situações de impureza, tornando as pessoas inadequadas para participar do culto.

 

No interior desta secção, os capítulos 13 e 14 são dedicados à lepra. A leitura de hoje traz os dois primeiros versículos do capítulo 13, que atribuem ao sacerdote a tarefa de julgar se existe ou não um estado de impureza (era uma função religiosa, não medicinal, porque de fato não se prescreviam medicamentos); e os versículos 44-46 do mesmo capítulo com a descrição do comportamento imposto ao leproso.

 

Os leprosos eram excluídos. As leis de Israel referentes à lepra são severas. Mesmo sem que se saiba a natureza da doença, quem demonstra seus sintomas deve ser afastado da sociedade, do Templo, da sinagoga e seus objetos destruídos. Estas medidas parecem inspiradas pela higiene, mas não deixam de sugerir a presença de uma força maligna nos infelizes. Trata-se de um verdadeiro tabu e discriminação social (cf. Deuteronômio 24,8-9; Números 12,10-15).

O Livro do Levítico descreve vários tipos de doença da pele que nós temos dificuldade em classificar. As doenças pelas quais era decretado o estado de impureza eram as contagiosas, que tinham a ver com bolor, com a deterioração dos tecidos e nas quais se via o efeito terrível, incontrolável e devastador da morte e da corrupção. Isso era sinal inequívoco de que a doença tinha a ver com o pecado.

 

A lepra (provavelmente não se pode identificar em sentido estrito co o “bacilo de Hansen”) constituía a infecção mais grave, da qual era preciso proteger a comunidade. Eis o porque da existência  de um estatuto especial para o leproso. Este devia viver separado de todos, devia ser bem reconhecido para que ninguém se aproximasse dele por engano e, em todo o caso, era obrigado a avisar quem encontrava, denunciando o seu estado e gritar: “Impuro! Impuro!” (versículo 45). Que a lepra era considerada uma investida dos poderes da morte na vida humana deduz-se dos sinais de luto que deve manifestar, a saber, “as vestes rasgadas” (versículo 45). É fácil de imaginar o sofrimento psicológico, o sentido pesadíssimo de “culpa, a percepção de ser rejeitado também pela parte de Deus – para alem das dores físicas – que uma legislação deste tipo provocava nos doentes”. Tendo isto em conta, poderemos compreender melhor o Evangelho de hoje.

 

A ação salvadora de Deus atinge a todos, mas de preferência os mais necessitados e excluídos, a quem pertencem também os leprosos. A cura dos leprosos faz parte da esperança messiânica do judaísmo do tempo antes e durante a vida de Jesus (cf. Mateus 11,5; Lucas 7,22).

 

Salmo responsorial – Salmo 31/32,1-2.5.11. É um Salmo de ação de graças individual. Uma pessoa, cercada de gente, conta feliz o que aconteceu, ou seja, expressa a alegria de ter sido perdoada por Deus. E quer que essa felicidade contagie os ouvintes.

 

O leproso estava assim porque, pensava-se, que tinha pecado e portanto Deus o tinha rejeitado. Mas o Salmo abre um caminho de esperança para quem pecou: é um hino de ação de graças elevado por um pecador que reconheceu a sua culpa, a confessou diante de Deus e foi perdoado e cumulado de graças.

 

De fato, a introdução (versículos 1b-2) começa falando da felicidade. Quem é feliz? A pessoa que foi perdoada, no caso, o próprio salmista, Deus perdoou a ofensa, o pecado e o delito.

 

É preciso descobrir o rosto de Deus neste salmo. Há dois modos de se ver Deus. antes do perdão, a pessoa via Deus como opressor que não dá sossego; é a caricatura de Deus. Nós o vemos assim quando não cremos que possa nos perdoar. Depois do perdão, a pessoa vê Deus como refúgio e libertação, aquele que devolve a felicidade. É novamente o aliado que liberta. Com isso a pessoa reencontra sua estrutura e a consciência se renova. O caminho do reencontro com Deus mediante o perdão liberta e faz viver feliz.

 

No Novo Testamento Jesus assume esse rosto de Deus que liberta quem se aproxima Dele. É o caso da pecadora perdoada (Lucas 7,36-50) e do cobrador de impostos que volta para casa justificado (Lucas 18,9-14). O Jesus de Lucas mostra que Deus perdoa (veja todo o capítulo 15 de Lucas). Mas, diante de Jesus, há também os que são como cavalos e jumentos estúpidos, e por isso o pecado deles permanece (João 9,41).

 

Sendo ação de graças, é bom rezar este Salmo quando nos sentimos perdoados por Deus ou quando precisamos do seu perdão; quando sentimos falta da sua misericórdia, ou nos encontramos desestruturados por causa de nossos limites, falhas e pecados.

 

Cantando este Salmo na celebração de hoje, peçamos a Deus que nos purifique de todos os males e nos dê o espírito de solidariedade para os que sofrem de toda espécie de enfermidade.

 

SOIS, SENHOR, PARA MIM, ALEGRIA E REFÚGIO.

 

Segunda leitura – 1Coríntios 10,3-11,1. Para o cristão, tudo está fundamentalmente relacionado a Deus; logo, o batizado deve glorificar a Deus em tudo. Onde estiver, faça o que fizer – coma ou beba, exerça atividades humanas, faça uso correto das coisas que o Criador lhe confiou – o cristão encontrará Deus em tudo isso e terá motivo para render-lhe homenagem e gratidão. Inclusive sentirá a maior felicidade ao descobrir que, assim, está se realizando da maneira mais sublime, isto é, glorificando a Deus.

 

Do ponto de vistas pessoal, portanto, o cristão sabe que toda a sua vida, cada ação sua está no interior do relacionamento totalizante com Deus, ao qual é chamado a dar cada vez mais “gloria”, isto é, “peso” no interior da própria vida. É isto que acontece exatamente numa relação de amor, onde tudo, de uma forma ou de outra, tem que ver espontaneamente com a pessoa que se ama.

 

Do ponto de vista mais exterior, diríamos social, o cristão é convidado por Paulo a não dar motivo de escândalo a ninguém, nem dentro nem fora da comunidade eclesial, nem a quem tem uma sensibilidade mais próxima (os Judeus), nem aos que estão mais distante (os Gregos). O discípulo de Cristo é chamado a viver conscientemente a sua relação com Deus, pondo de lado a intolerância ou a pretensão de uniformizar a todos (mesmo na comunidade) com o seu ponto de vista, manifestando respeito e acolhimento ao próximo, com as suas convicções, inclusive com as suas fraquezas.

 

Nisso, o único ponto de referência é Cristo, que nós podemos reconhecer através de todos os que assumiram “sentir” como Ele, como Paulo que se propõe aos Coríntios como modelo a imitar (cf. 11,1).

 

Evangelho – Marcos 1,40-45.  A cura do leproso é tão importante que é narrada também por Mateus e Lucas. Os três evangelistas parece estar de acordo em fazer da cura um dos primeiros milagres do Senhor, impregnando-a assim de uma espécie de manifestação do poder que possuía o rabino itinerante sobre o mal. Concordam também ao colocar este milagre na Galiléia. Marcos encara este milagre como um dos primeiros do jovem rabino.

 

Inicialmente, Jesus é tomado de compaixão pelo sofrimento que encontra na sua frente. Mas esta “emoção” e esta “compaixão” são importantes, pois é através de tais sentimentos humanos que Cristo evapora o amor poderoso e benéfico de Deus. Humanamente, Jesus quer a cura dos enfermos que encontra, e neste desejo transparece seu carisma de taumaturgo. Cristo tem, pois, consciência de que o amor de seus irmãos é o canal do amor de Deus pelas pessoas.

 

Para Jesus, como a vida e a dignidade do ser humano tinham sempre prioridade, Ele olhou o leproso com afeto e misericórdia, estendeu-lhe a mão e tocou nele sem nenhum pré-conceito. Levando em conta o que já vimos sobre como era considerado o leproso naquela época, imaginemos o espanto que Jesus causou ao tocar naquele homem. O texto nos diz que “no mesmo instante a lepra o deixou” (versículo 42), o poder curador de Deus passa através de um simples contato humano, ou seja, é o contato humano de um Homem-Deus. Bastou um gesto corajoso do Filho de Deus para restituir a vida a um homem desesperado. Jesus sabe que isto servirá de testemunho (cf. versículo 44) e o leproso curado não pode calar o amor que lhe restituiu a vida (cf. versículo 45).

 

A verdade é que Jesus viu no homem, o ser humano, antes de ver a lepra. Ele não pensou no que poderiam achar daquela situação. Preocupou-se com o outro, com sua condição de sofrimento, não só físico, mas principalmente emocional e moral, pelo abandono e exclusão como os quais viviam os leprosos.

 

Por isso, após tê-lo curado, mandou-o mostrar-se ao sacerdote, remetendo-o novamente ao convívio social, resgatou-lhe tanto o direito como membro da sociedade na qual vivia quanto sua dignidade humana.

 

Olhemos, também, para esse homem que, sofrendo com a doença, não desanimou, não ficou inerte nem conformado com a situação; ao contrário, enxergou em Jesus a vida, confiou totalmente Nele, buscou-o, foi ao Seu encontro, prostrou-se de joelhos diante do Mestre e fez sua profissão de fé: “Se queres tem o poder de curar-me”.

 

Jesus exige do doente curado que guarde silêncio (versículo 43). Insiste, sobretudo, para que não se dispense dos exames legais (Levítico 13-14). Enfim, foge o quanto pode do entusiasmo das multidões que poderiam interpretar mal os seus milagres (versículo 45). Podemos observar, igualmente, que Cristo não apela para a fé do leproso, como faz em seguida, de modo geral. O objetivo é descobrir o poder divino que em Jesus habita, e procura as melhores condições para exercê-lo.

 

A mentalidade religiosa dos contemporâneos de Cristo totalizava alma e corpo numa unidade mais profunda do que a mentalidade grega. Conseqüentemente, qualquer enfermidade física devia ser reflexo de uma enfermidade moral, isto é, fruto do pecado (cf. João)

 

As curas das enfermidades ensinam a todos nós mais sobre a pessoa de Jesus do que sobre a própria doença, pois essas são apenas o momento significativo de uma cura que abrange a criação inteira na vida e na pessoa de Jesus Cristo.

 

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

 

Atualmente, a lepra tem tratamento adequado e não constitui mais um motivo de exclusão social. No entanto, outras “lepras” geram preconceitos e causam sofrimentos a muitas pessoas. Há muitas formas de exclusão social no mundo de hoje. As próprias condições desumanas em que vivem alguns fazem que sejam excluídos e percam o acesso a condições dignas de saúde, moradia, educação e trabalho. Portanto, também hoje, existem os abandonados e destinados a “morar fora do acampamento”.

 

Como Jesus, vamos estender a mão a quem pede auxílio para vencer as dificuldades, tomar a postura de não ter medo de estar ao lado dos que são vistos como excluídos, nem de causar espanto nas atitudes que priorizam a vida.

 

O homem que sofria de lepra alcançou a cura ao buscar Jesus e ao experimentar, em seu encontro com Ele, amor e misericórdia. É preciso acolher a todos e integrá-los em nossas comunidades e pastorais, possibilitando o encontro deles com Jesus, sem preconceitos nem exclusões.

 

“O ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, também possui altíssima dignidade que não podemos pisotear e que somos convocados a respeitar e promover” (Documento de Aparecida, 464).

 

Devido aos atuais recursos, a medicina conta com tratamentos que promovem a qualidade de vida e aliviam o sofrimento, mesmo em doenças para as quais ainda não se descobriu a cura completa. Nem todos, no entanto, têm acesso ao adequado atendimento de saúde. Essa exclusão fere a dignidade da vida humana, além de ser injusta e preconceituosa. O poder econômico determina os que ficam “fora do acampamento” e, em determinadas situações, é utilizado para manipular a vida em vez de defendê-la. São milhões os que morrem longe dos muros dos hospitais.

 

Hoje, mais do que nunca, a Igreja de Deus precisa de cristãos como Jesus, com olhos misericordiosos e braços prontos a abrir-se para acolher, de cristãos capazes de narrar aos irmãos a misericórdia de Deus.

 

A celebração pode ser um momento forte de encontro com o Cristo, na sua Palavra e na partilha do pão; um momento de restabelecer o equilíbrio físico e espiritual, de renovar o compromisso de anunciar o seu nome por um estilo de vida baseado no amor, na doação. É importante que o presidente da celebração tenha consciência do seu papel e possam de fato prestar um serviço aos que vêm para buscar alimento e consolo.

 

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

 

Renovados pela Eucaristia celebrada, em que as ações benéficas de Deus em favor do mundo são proclamadas e acolhidas, não resta outra atitude para a sua Igreja, senão a de ser imitadora daquele que realiza em nosso meio sua presença: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo”. Saímos da celebração comissionados por Deus para espalhar no mundo sua fama, mediante posturas e ações que salvem a vida dos irmãos e irmãs, por amor ao mundo. Um amor que tem sua origem em Deus. Amor do qual somos testemunhas, do qual fazemos experiência, pois nos deixamos organizar (purificar) por Ele. Assim rezamos na Oração Eucarística VI-D: “Dai-nos olhos para ver os sofrimentos e necessidades de nossos irmãos […] fazei que a exemplo de Cristo e seguindo o seu mandamento nos empenhemos lealmente no serviço a eles”.

 

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Na Liturgia, lugar privilegiado do encontro com Jesus Cristo, que todos sejam acolhidos e se possa sentir, na celebração, vivo o espírito de comunhão fraterna para possamos testemunhar a caridade.

 

Devemos refletir nossa vida na Liturgia, assim como viver a Liturgia em nossas vidas; por isso, na oração do dia pedimos ao Senhor: “Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo…”

 

Na Liturgia da Palavra, em nosso diálogo com Deus, possamos ter os mesmos sentimentos do salmista, livres dos preconceitos com os irmãos e corajosos nas atitudes em defesa da vida, dizendo com sinceridade: “Regozijai-vos, ó justos, em Deus, e no Senhor exultai de alegria! Corações retos, cantai jubilosos!”.

 

Quando comungamos o Cristo Eucarístico, Jesus está inteiro e, assim, comungamos também sua Palavra; por isso, comprometem-nos, como Ele, em estender a mão e tocar os que estão excluídos e sofrem com alguma forma de abandono.

 

Ao sairmos da celebração, levamos conosco a experiência do encontro com Jesus, sua presença em nós, e, desta Liturgia, o forte convite do Apóstolo Paulo: “Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo” (1Coríntios 11,1).

 

O mal que nos afeta não é menos grave do que a lepra. Basta pensar no ódio que muitas vezes habita nosso coração. Como nossas preces são fracas pra nos livrar de Deus! O ódio e seus companheiros – a violência e o rancor – nos afastam das pessoas. Se o Cristo estender a mão e tocar nosso coração, deixemos brotar de nossa boca a Boa-Nova. Deus completa a obra da salvação.

 

6- ORIENTAÇÕES GERAIS

 

  1. O que caracteriza e soleniza o Domingo é a reunião da comunidade, convocada pelo Senhor, para escutar a sua Palavra, render graças e partilhar o pão da vida, a eucaristia. Esse é o espírito que deve perpassar e alimentar todas as nossas celebrações.

 

  1. A preparação da celebração, do espaço, dos ministros, dos cantos e da assembléia traz esse enfoque básico: somos convidados a preparar a nossa mesa pra a refeição com o Senhor na atitude de ação de graças, de partilha de bens, de perdão, de confiança nas pessoas, de acolhida e respeito.

 

  1. Antes da celebração, evitar a correria e agitação da equipe litúrgica e a equipe de canto, com afinação de instrumentos e testes de microfone. Tudo isso deve ser feito antes. A equipe de canto não deve ficar fazendo apresentação de cantos para entretenimento da assembléia. É importante criar um clima de silêncio.

 

  1. É sumamente aconselhável que os ministros rezem antes os textos bíblico-litúrgicos que serão proclamados na celebração, fazendo com eles um encontro com o Senhor.

 

  1. O canto de abertura não é para acolher o presidente da celebração nem os ministros. Ele tem a finalidade de congregar a assembléia para participar da ação litúrgica. Nunca dizer vamos acolher o presidente da celebração e seus ministros com o canto de abertura.

 

  1. O momento ideal para os pedidos e intenções não é o início da celebração, mas no momento próprio, que é o momento da oração da assembléia dos fiéis. Intenções de ação de graças seria interessante lembrar antes da oração eucarística. Os falecidos podem ser lembrados também na oração eucarística, durante a intercessão pelos falecidos, também chamado de “memento dos mortos”.

 

7- MÚSICA RITUAL

 

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo do Tempo Comum, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do 6º Domingo do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

 

A equipe de canto faz parte da assembléia. Não deve ser um grupo que se coloca à frente da assembléia, como se estivesse apresentando um show. A ação litúrgica se dirige ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Portanto, a equipe de canto deve se colocar entre o presbitério e a assembléia e estar voltada para o altar, para a presidência e para a Mesa da Palavra.

 

  1. Canto de abertura. Deus, nosso rochedo e fortaleza (Salmo 30/31,3-4). Para o canto de abertura, sugerimos o Salmo 30/31,3-4: “Sê a rocha que me abriga” CD Liturgia VI, melodia da faixa 8. Cantar a antífona de entrada, recuperada pelo Hinário Litúrgico III da CNBB, é uma boa opção. Cantar essa antífona de entrada tirada do Salmo 30/31, recuperada pelo Hinário Litúrgico III da CNBB, é uma boa opção para iniciar a celebração dominical. A antífona está articulada com o Salmo 30/31.

 

Como canto de abertura da celebração, sugere-se o canto proposto pelas Antífonas do Missal Romano e ricamente musicadas pelo Hinário Litúrgico III da CNBB. Isso não significa rigidez. Mas a equipe de liturgia, a equipe de celebração, a equipe de canto juntamente com o padre têm a liberdade de variar sua escolha, desde que isso manifeste o Mistério celebrado e seja fiel aos princípios que regem a escolha de uma música adequada para a celebração. Uma sugestão, para entender bem o que significa isto, seria “De todos os cantos viemos para louvar o Senhor, Pai de eterna bondade”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão – CNBB/Paulus), melodia da faixa 2 é uma boa opção para iniciar a celebração. Sobretudo no refrão quando contemplamos um Deus de eterna bondade, Deus vivo, libertador. Nas estrofes levamos em conta que nosso Deus é Libertador. Ele merece o louvor das pessoas que vem de todos os cantos da terra: pais e mães; lavradores e operários percebemos uma boa sintonia com o mistério celebrado.

 

A escolha dos cantos para as celebrações seja feita com critérios válidos. Não se devem escolher os cantos para uma celebração porque “são bonitos animados e agradáveis”, ou porque “são fáceis”, mas porque são litúrgicos. Que o texto seja de inspiração bíblica, que cumpram a sua função ministerial e que se relacionam com a festa ou o tempo. Que a música seja a expressão da oração e da fé desta comunidade; que combinem com a letra e com a função litúrgica de cada canto.

 

O canto de abertura não é para acolher o presidente da celebração nem os ministros. Ele tem a finalidade de congregar a assembléia para participar da ação litúrgica. Nunca dizer vamos acolher o presidente da celebração e seus ministros com o canto de abertura.

 

  1. Ato penitencial. Sugerimos o formulário 3 do Missal Romano com o texto do n. 4 das invocações para o Tempo Comum. Ou substituir pela aspersão com água.

 

  1. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

 

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

 

  1. Refrão meditativo: Em vez de comentário cantar este refrão meditativo para afinar o coração na escuta da Palavra: “Guarda a Palavra, guarda no coração”, CD: Deus é bom, (Paulus).

 

  1. Salmo responsorial 31/32. A alegria de ser perdoado e readmitido. “Sois, Senhor, para mim, alegria e refúgio!”, CD: Liturgia IX, mesma melodia da faixa 3.

 

A função do salmista é de suma importância. Sua função ministerial corresponde à função dos leitores e leitoras, pois o salmo é também Palavra de Deus posta em nossa boca para respondermos à sua revelação. Por isso, o salmo dever ser proclamado do Ambão e, se possível, cantado.

 

  1. Aclamação ao Evangelho. “Os sãos não têm necessidade de médico e sim os doentes; não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento” (Lucas 5,31-32) “Aleluia… Os sãos não precisam de médico, mas sim, quem padece na dor” CD: Liturgia VI, melodia da faixa 13. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

A aclamação ao Evangelho é um grito do povo reunido, expressando seu consentimento, aplauso e voto. É um louvor vibrante ao Cristo, que nos vem relatar Deus e seu Reino no meio das pessoas. Ele é cantado enquanto todos se preparam para ouvir o Evangelho (todos se levantam, quem está presidindo vai até ao Ambão).

 

Preserve-se a aclamação ao Evangelho cantando o texto proposto pelo Lecionário Dominical. Ele ajudará a manifestar o sentido litúrgico da celebração, conforme orientações da Igreja na sua caminhada litúrgica.

 

  1. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração. Neste domingo seria oportuno cantar o canto “Oração da Família” do padre Zezinho. Outra opção seria o Salmo 115, “A vós, Senhor apresentamos estes dons: o pão e o vinho, aleluia!”, CD Liturgia VI, melodia da faixa 9; “De mãos estendidas”, CD Liturgia VI, melodia da faixa 4.

 

  1. O canto do Santo. Um lembrete importante: para o canto do Santo, se for o caso, sempre anunciá-lo antes do diálogo inicial da Oração Eucarística. Nunca quando o presidente da celebração termina o Prefácio convidando a cantar. Se o (a) comentarista comunica neste momento o número do canto no livro, quebra todo o ritmo e a beleza da ligação imediata do Prefácio como o canto do Santo.

 

  1. Canto de comunhão. “Se queres, tens o poder de curar-me. ”Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: Eu quero: fica curado!” (Marcos 1,40b-41). “Senhor, se tu queres, tu podes me curar!”, articulado com o Salmo 33/34, CD: Liturgia VI, mesma melodia da faixa 7. Sem dúvida, este é o canto de comunhão mais adequado pra esse domingo.

 

A mesma orientação dada para o canto de abertura vale para o canto de comunhão. Mas na mesma liberdade e bom senso, sugerimos um canto bem conhecido com várias palavras de Jesus tiradas dos quatro evangelhos. Jesus veio pra quer todos tenham vida em abundância (João 10,10). “Eu vim para que todos tenham vida, que todos tenham vida plenamente”, CD: Tríduo Pascal I, melodia da faixa 19 e Hinário Litúrgico II da CNBB, página 226.

 

O fato de a Antífona da Comunhão, em geral, retomar um texto do Evangelho do dia revela a profunda unidade entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia, Eucarística e evidencia que a participação na Ceia do Senhor, mediante a Comunhão, implica um compromisso de realizar, no dia-a-dia da vida, aquela mesma entrega do Corpo e do Sangue de Cristo, oferecidos uma vez por todas (Hebreus 7,27).

 

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

 

  1. “A decoração da Igreja deve manifestar o caráter festivo da celebração. As flores, as velas e as luzes devem colaborar para que as celebrações sejam de fato memória da Páscoa de Jesus”.

 

  1. “Os detalhes merecem cuidado especial, pois nunca devem sobrepor ao essencial. As flores, por exemplo, não são mais importantes que o Altar, o Ambão e outros lugares simbólicos. Os excessos desvalorizam os sinais principais. A sobriedade da decoração, favorece a concentração no mistério” (Guia Litúrgico Pastoral, pág. 110).

 

  1. AÇÃO RITUAL

 

O culto cristão supõe dois lados, como uma moeda: celebração e vida que devem se alternar e se corresponder de tal forma que o equilíbrio não impeça o giro, pensando sobre um lado, fazendo aparecer apenas o outro.

 

Ritos Iniciais

 

  1. É importante que não se diga nenhuma palavra antes da saudação: nem “Bom dia ou “Boa noite”, nem comentários ou introduções! Bom dia e boa noite não é saudação litúrgica. Primeiro devemos saudar a Trindade.

 

  1. Compete ao presidente da celebração (bispo, presbítero, diácono ou leigo/a presidindo a celebração da Palavra) pronunciar as palavras do sinal do cruz e não a equipe de canto como muitas vezes acontece.

 

  1. Neste domingo também é muito oportuno que a saudação seja cheia de esperança. Para isso sugerimos Romanos 15,13:

 

“O Deus da esperança, que nos cumula de toda a alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo esteja convosco”.

 

  1. Após a saudação inicial, conforme propõe o Missal Romano, dar o sentido litúrgico da celebração, isto é, o mistério celebrado. Pode ser feito por quem preside, ou o diácono ou um leigo ou leiga preparado, dar o sentido da celebração com estas palavras ou outras semelhantes:

 

Domingo do leproso curado. Testemunhamos a compaixão do Senhor que se manifesta na cura de um leproso e na sua reintegração na comunidade e na sociedade. Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se manifesta na vida das pessoas e dos grupos que testemunham a compaixão de Deus com os doentes e sofredores.

 

  1. Em seguida todos são convidados a recordar os acontecimentos da semana, sobretudo aqueles que revelam a vida e a libertação que Jesus nos trouxe. Colocar os acontecimentos de forma orante e não como noticiário.

 

  1. Neste dia, é oportuno substituir o Ato Penitencial pela bênção da água e aspersão em recordação do Batismo. Nesse caso, utilize-se a oração de bênção n. 1 que reza: “Deus eterno e todo-poderoso, quisestes que pela água, fonte de vida e princípio de purificação…” Assim, os ritos iniciais já começam a sintonizar a assembléia celebrante com o que será anunciado na Liturgia da Palavra, ao mesmo tempo em que se mostra uma antecipação ritual do que será proclamado. Cante-se uma antífona ou outro canto adequado: por exemplo, o Salmo 50/51.

 

  1. De optar pelo Ato penitencial, sugerimos o formulário 3 do Missal Romano com o texto do n. 4 das invocações para o Tempo Comum.
  2. Cada Domingo é Páscoa semanal, cantar com exultação o Hino de louvor (glória).

 

  1. Na Oração do Dia suplicamos a Deus que tenhamos um coração reto e sincero que possa ser morada de Deus.

 

Rito da Palavra

 

  1. Após a homilia, o presidente da celebração pode proceder com uma Oração sobre o povo. Sugerimos a opção 2, do Missal Romano, p. 531: “Concedei, ó Deus, aos vossos ­ filhos e ­ filhas, vossa assistência e vossa graça: dai-lhes saúde de alma e corpo, fazei que se amem como irmãos e estejam sempre a vosso serviço. Por Cristo, nosso Senhor ”. Ou antes da bênção final.

 

Rito da Eucaristia

 

  1. Na Oração sobre as oferendas pedimos a Deus que o a Eucaristia nos purifique e nos renove.

 

  1. Muito apropriada para a celebração deste Domingo é a Oração Eucarística para as diversas circunstâncias – VI-D. Nela encontramos esta belíssima amamnese: “ele sempre se mostrou cheio misericórdia pelos pequenos e pobres, pelos doentes e pecadores, colocando-se ao lado dos perseguidos e marginalizados”. Também a seguinte intercessão pela Igreja, a fim de que imite o Cristo, conforme São Paulo sugere na II Leitura: “Dai-nos olhos para ver as necessidades e sofrimentos dos nossos irmãos e irmãs; inspirai-nos ações para confortar os desanimados e oprimidos; fazei que, a exemplo de Cristo, e seguindo o seu mandamento, nos empenhemos lealmente no serviço a eles”. Além disso, manifesta mais claramente a ligação entre a Mesa da Palavra e da Eucaristia. Além disso, deixará claro que a Palavra proclamada se “encarna” no rito eucarístico, isto é, a união das duas mesas.

 

  1. Caso escolher outra Oração Eucarística, neste caso, pode-se utilizar a I e a III, a II admite troca de prefácio, escolher o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum IV “contempla a renovação das pessoas em Cristo e o perdão dos pecados”. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “Nascendo na condição humana, renovou inteiramente a humanidade. Sofrendo a paixão, apagou nossos pecados. Ressurgindo, glorioso, da morte, trouxe-nos a vida eterna. Subindo, triunfante, ao céu, abriu-nos as portas da eternidade”. Seguindo essa mesma lógica outra opção é o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum I. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. Elas não podem ter os prefácios substituídos com grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia

 

  1. Neste Domingo é muito oportuno apresentar o pão e o vinho para o convite à comunhão utilizando o Salmo 33/34,9. Ao apresentar o pão e o vinho, o presidente da celebração diz:

 

“Provai e vede, como o Senhor é bom, Feliz de quem nele encontra seu refúgio. Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.”

 

  1. Da mesma forma, valorize-se, na medida do possível, a comunhão do cálice, sob a espécie de vinho, para todos os fiéis, pois assim se “ressalta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico, e expressa-se com mais clareza a vontade segundo a qual a nova e eterna Aliança, foi selada no sangue do Senhor, e, ainda, a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai (cf. Mateus 27-29)” (Guia Litúrgico Pastoral, p. 30). “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob esta forma se manifesta mais perfeitamente o sinal dom banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico do Reino do Pai” (IGMR n. 240). Assim estamos sendo coerentes e sensíveis com aquilo que o Senhor disse no momento da narrativa da Ceia: Ele não disse somente “tomai, todos e comei”, mas também “tomai todos e bebei…”.

 

Ritos finais

 

  1. Na Oração depois da comunhão, nos mostra que na Eucaristia provamos as alegrias do céu e pedimos que sempre devemos desejar o alimento que traz a verdadeira vida.

 

  1. Nos Ritos finais, faça-se a oração sobre o povo n. 2, página 531 do Missal Romano , em seguida a bênção final.

 

Concedei, ó Deus, aos vossos filhos e filhas, vossa assistência e vossa graça: dai-lhes saúde de alam e corpo, fazei que se amem como irmãos e estejam sempre a vosso serviço. Por Cristo, nosso Senhor. Amém,

 

  1. As palavras do rito de envio podem estar em consonância como mistério celebrado: Anunciai a todos que Jesus Cristo nos liberta de todos os males. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

 

  1. É comum além, de entrar em procissão no início da celebração guiados pela cruz, também retirar-se do espaço sagrado em procissão, igualmente guiados pela cruz.

 

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A promoção de uma sociedade mais justa e de uma cultura de paz tem suas bases em valores como igualdade, solidariedade e fraternidade, pois todos nós temos direitos e deveres iguais enquanto seres humanos e cidadãos, também temos direito à vida e a ser respeitados em nossa dignidade humana.

 

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

 

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

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