A COROA DO ADVENTO

A COROA DO ADVENTO

30/11/2015 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Notamos que cada, no Advento, aumenta o número das comunidades que colocam nas suas igrejas e capelas, nos seus locais de reunião para as celebrações litúrgicas e outras atividades comunitárias a coroa do Advento. A coroa do Advento, feita com ramos verdes, enfeitada com quatro laços, normalmente de cor vermelha fitas e quatro velas que progressivamente vão sendo acesas, retoma o costume judaico de celebrar a vinda da luz na humanidade dispersa pelos quatro pontos cardeais, mostrando que Jesus veio para todos os povos. Portanto as velas recordam que Jesus Cristo é a luz do mundo. Nos quatro domingos do Advento as velas acesas convidam-nos a uma atitude crescente de vigilância, de prontidão e abertura ao Salvador que vem, e marcam o ritmo de espera deste tempo. Nós o aguardamos acordados e vamos a Ele com lâmpadas acesas. É preciso estar sempre acordados. Em cada domingo, acendemos uma vela. Com a aproximação do Natal cresce, portanto, a luz na coroa.

O país de origem da coroa do Advento é a Alemanha, mais exatamente entre os Luteranos no norte deste país. Aí surgiu no fim do século XIX o costume de tecer uma coroa de ramos de abeto (uma espécie de pinheiro). No inverno, quando nos países frios todas as árvores perdem suas folhas, somente os pinheiros guardam suas agulhas verdes e são, assim, um sinal de que, na natureza não morreu toda a vida. Aliás, o mesmo simbolismo verde, de ter sinal de vida, estava na origem da árvore de natal. Também nos países tropicais o verde tem o mesmo significado. Pois observamos que, depois de um período de seca, quando a grama está queimada e parece morta pelo calor e pela falta de água, tudo fica verde com as primeiras chuvas e pode crescer de novo.

A luz da vela fala forte nos países nórdicos, onde no inverno as noites são muito mais longas do que os dias e onde, durante o dia nesta época do ano, o sol se levanta somente um pouco, se ele não ficar totalmente escondido pelas nuvens. Nas longas noites e às vezes até o dia todo, lâmpadas e velas são imprescindíveis e muito apreciadas. Mesmo nas regiões do mundo que são mais abençoadas com a luz do sol, uma vela e sua luz tem um grande valor simbólico. Também a cor vermelha, em quase todas as partes do mundo, tem o significado do amor.

Pelo sentido natural dos elementos da coroa do Advento percebemos que ela pode muito bem acompanhar os cristãos durante o Advento, em sua caminhada para o Natal, para a vinda do Filho de Deus ao mundo. Ele é a vida que está presente mesmo num mundo de sofrimento, de pecado e de morte. Ele nos revelou, pela sua encarnação, pela sua vida de doação e entrega até à morte, o amor do Pai do céu, o eterno plano do amor divino, e nos deixou seu exemplo e seu mandamento do amor. Ele é a luz que ilumina nossas trevas. E esta luz, com o acender primeiro de uma, depois de duas, três e quatro velas, fica cada vez mais forte à medida em que a festa da luz, por excelência, o Natal, se aproxima. A forma em círculo representa a eternidade para onde caminhamos e também nos lembra o círculo do ano, o tempo da nossa vida e o vai e vem da história, na qual Jesus está presente com sua luz.

Não é de se admirar que, na Alemanha, no início do século XX, também os católicos adotaram dos seus irmãos evangélicos o costume de colocar a coroa do Advento nas suas igrejas e casas. Missionários que vieram da Alemanha para o Brasil e brasileiros que conheceram a coroa na Europa, trouxeram-na para cá, e agora ela se espalha também entre nós. Realmente, a coroa pode nos ajudar, pela sua força simbólica, a nos abrirmos para o grande dom de Deus que nos será dado no Natal: o próprio Filho de Deus.

A coroa do Advento contém uma linguagem de silêncio, mas que fala forte através do círculo, da luz, das cores, dos gestos correspondentes. Trata-se de um suporte em forma circular. Pode ser colocada junto ao altar ou próxima ao ambão (mesa da Palavra). Mas não deve “roubar a cena” do altar e da mesa da Palavra! Para que isso não aconteça, é preciso ter o cuidado de não fazer uma coroa muito grande.

As velas vão sendo acesas, gradativamente, nas quatro semanas do Advento: no primeiro domingo, uma; no segundo domingo, duas; no terceiro, três, e no quarto, todas. No segundo domingo do Advento a primeira vela deve estar acesa deste o início da celebração. Após a saudação do presidente acende-se a segunda vela e assim também nos outros domingos.

Estão presentes na coroa três simbologias significativas: a luz como salvação, o verde como a vida que esperamos, a forma arredondada como símbolo da eternidade. Ela expressa bem (como o fazem as leituras bíblicas, as orações e os cantos) a espera de Jesus Cristo como Luz e Vida para todos. Lembre-se que as velas não são símbolo, mas a luz que elas irradiam, sim. Portanto, a cor das velas não interfere no significado da Coroa do Advento, podendo, pois, utilizar quatro velas brancas.

Muitas comunidades por falta de orientação estão substituindo as velas do Altar pelas velas do coroa do Advento. É preciso distinguir que a coroa tem o sentido de espera do Salvador e as velas do Altar a alegria do banquete eucarístico.

Observação: evidentemente a Coroa do Advento perde sua força simbólica se já nela antecipamos o Natal, seja através de um material que não seja folhas verdes naturais, seja por enfeites e decorações de muitas cores brilhantes que lembrariam, antes, o brilho da plena luz do Natal do que a alegre espera do Senhor, cuja vinda esperamos no Natal e no fim da nossa vida e da história. Não podemos queimar etapas, isto é, atropelar o Advento para celebrar o Natal antes do tempo. Nunca usar na Coroa folhas verdes artificiais ou material seco. Evitar a todo custo colocar bolas da árvore de Natal ou outros enfeites natalinos na Coroa, senão vira coroa de Natal e não Coroa do Advento.

Além da coroa do Advento, podemos usar troncos secos e com brotos para visualizar as imagens bíblicas que se referem à esperança do povo de Deus. Também preparar um galho seco com folhas verdes. As músicas próprias expressam a invocação do coração, o desejo de ver os céus se abrirem e descer à terra o Salvador prometido.