A educação é prática da liberdade e sempre pedagogia da esperança

22/09/2021 Off Por José - Setor de Comunicação

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

Ao celebrarmos o centenário do nascimento de Paulo Reglus Neves Freire, originário de Recife, estamos a homenagear não só um dos maiores educadores do Terceiro Mundo, mas um dos mais influentes filósofos e antropólogos da cultura humana. Considerou a alfabetização como uma leitura do mundo e o letramento como um processo de autonomia e liberdade, que leva a pessoa a tomar posse da palavra, para recriá-la e com ela transformar o mundo.

Às portas da terceira Campanha da Fraternidade, sobre Educação, com o lema “Fala com Sabedoria e ensina com o coração”, (Pr. 31,26), reconhecemos sua influência nas duas primeiras, “A verdade vos libertará”, que traz toda a experiência do MOBRAL, e “A Serviço da Vida e Esperança”, que reflete sobre a inclusão e democratização do ensino escolar, bem como a superação da desigualdade.

Contrapõe, com clareza, a educação bancária, que reproduz a estratificação social, e os condicionamentos à educação despertadora da consciência e da desalienação. Preocupou-se muito com a cultura popular e, sempre com o seu método dialógico e interativo, procurou desencadear processos de troca de saberes nos numerosos e fecundos círculos de cultura que tiveram a participação, prevista em 1964, para mais de dois milhões de analfabetos. Tratou de valorizar e qualificar a educação pública, empoderando e enaltecendo a vocação e missão do professor.

A cena evangélica que ilumina e fundamenta a Campanha da Fraternidade 2022, apresenta Jesus com a mulher adúltera, mostra como o Mestre divino dá a palavra para a mulher, e questiona a atitude dos moralistas que queriam apedrejá-la, despertando sua consciência ética, inspira profundamente a obra freiriana.

Finalmente, podemos relacionar a belíssima intuição de Paulo Freire sobre a Cidade Educadora, com a Proposta abrangente e iluminada do Papa Francisco sobre o Pacto Mundial Educativo, onde o Pontífice afirma o pensamento africano de que, para educar uma pessoa, é necessária toda uma aldeia. Paulo morreu no dia 02 de maio de 1997, aos 75, deixando um legado intelectual brilhante e um testemunho de coerência, amor e dignidade para a educação integral, popular e profundamente alinhada com o humanismo solidário. Deus seja louvado!

Material retirado do site: https://www.cnbb.org.br/a-educacao-e-pratica-da-liberdade-e-sempre-pedagogia-da-esperanca/

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