A luz do sol

A luz do sol

22/03/2018 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

“A luz do sol é o melhor desinfetante”. A frase foi dita em 1914, há mais de um século, pelo juiz Louis Brandeis, da Suprema Corte americana. E, quando se trata do cenário político, ela continua mais atual do que nunca.

O magistrado cunhou a famosa frase ao defender, já naquela época, a transparência no sistema financeiro dos Estados Unidos. E desde então ela vem sendo utilizada reiteradas vezes para fortalecer a necessidade de que nada permaneça obscuro nos atos da administração pública.

Mas, é claro, que nem sempre essa transparência tem sido respeitada. E não precisamos ir até Brasília para verificar isso: está no nosso quintal mesmo. Nos últimos dias do mês de fevereiro, o vereador Mineiro, de Mirassol, apresentou projeto aumentando o número de representantes no legislativo da cidade – dos atuais 10 para 13. A princípio, nenhum problema, já que os parlamentares são livres para proporem o que quiserem. O xis da questão foi a forma como o projeto foi elaborado: no melhor estilo “mineirinho” (impossível fugir da piada pronta), sem que fosse consultado o principal interessado neste tipo de projeto; Justamente a população mirassolense.

Assim que a proposta de aumento conheceu a luz, não bastou uma semana para que a ideia de Mineiro fosse soterrada e o projeto sequer chegasse a ser protocolado. Com medo da reação popular, os vereadores que haviam assinado o aumento recuaram imediatamente. Eles apostavam antes que, fazendo tudo às escuras, a população só saberia do teor da proposta quando fosse tarde demais e ela já tivesse sido aprovada pela câmara. Ledo engano.

No momento em que os municípios em geral, e Mirassol em particular, sangram seus cofres com uma crise sem precedentes e têm dificuldades em manter o salário do funcionalismo em dia, o projeto de Mineiro – que cria ainda mais despesas com três novos vereadores na câmara – chega a ser um descalabro. Se os parlamentares que apoiaram inicialmente a proposta quisessem mesmo debater o aumento, que realizassem então audiências públicas e consultassem a população. É claro que eles já sabiam da resposta e, com isso, optaram por agir nas sombras.

Mas isso não é uma exclusividade da Cidade Amiga. Em Fernandópolis, no apagar das luzes, os vereadores aprovaram no finzinho do ano projeto aumentando o salário do prefeito e do vice. O resultado? População indignada, pressão de todos os lados e os parlamentares recuando do reajuste que tinham concedido às autoridades semanas antes.

Parece que nossa classe política não aprende lições antigas e de elevado cunho moral. Está lá em Eclesiastes 1:9,10: “O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. Haverá algo de que se possa dizer: ‘Veja! Isto é novo!‘? Não! Já existiu há muito tempo; bem antes da nossa época”. Essa tentativa de enganar a população por meio de artimanhas obscuras sempre ocorreu. Não é de agora. Mas eles não aprendem e tentam, sempre que podem, tapear o povo. Mas não cola. Não mais. Porque não há nada de novo nessas malandragens debaixo do sol. E o sol, afinal, desinfeta tudo.

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