03/02/2017 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Iniciação à vida cristã: participação no mistério de Cristo

O que há de especifico na iniciação à vida cristã? Não se pode negar que o cristianismo primitivo assimilou muitos elementos da iniciação religiosa comuns das religiões antigas, sobretudo das chamadas iniciações mistéricas, contudo é bem verdade que a iniciação cristã se difere, muito, das iniciações dos cultos pagãos. A diferença por excelência está no ‘objeto’ da iniciação. Enquanto as iniciações religiosas antigas não iniciações aos mistérios, a iniciação cristã é um mergulho no Mistério, não em qualquer mistério, mas no mistério de Deus, revelado em Jesus Cristo. O próprio Jesus, ao falar do Reino, utiliza a categoria mistério. ‘A vos é confiado o mistério do Reino de Deus’ (Mt 4,11; Mt 13,11; Lc 8,10). Reside aqui, sem sombra de dúvida, a identidade da fé cristã e a razão de ser da iniciação cristã: adentrar, mergulhar no mistério do Deus de Jesus Cristo. O que se é comunicado na iniciação cristã ‘não é um corpo de verdades abstratas: ela é comunicação do mistério vivo de Deus’ (CT 7), pois no próprio centro da catequese encontramos essencialmente uma Pessoa: a de Jesus de Nazaré (CT, 5).

Do ponto de vista teológico-litúrgico, a iniciação cristã é um processo sacramental de envolvimento no mistério do Deus de Jesus Cristo, em cuja dinâmica recebe importância central o conjunto de símbolos e ritos. São elementos visíveis de uma realidade total na qual Cristo, através da Igreja, comunica sua presença e seu mistério na história. Esvaziada do conhecimento vivencial da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, a iniciação cristã não passa de uma doutrina, de um conjunto de leis e regras a serem aceitos. Iniciação à vida cristã remete fundamentalmente à plena, livre e consciente participação no Mistério de Cristo.

 O termo grego mistagogia, que etimologicamente significa “ser conduzido para dentro do Mistério”, expressa com mais clareza a dimensão pessoa e social (eclesial) da iniciação cristã: ser iniciado é ser transformado pessoalmente pela ação do Espirito, é passar de um determinado status de ser a outro. A dimensão coletiva revela a familiaridade, conforme a expressão da Epistola aos Efésios ‘Já não sois estrangeiros e adventícios, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus’ (Ef 2,19).