Padre Jarbas Brandini Dutra

Padre Jarbas Brandini Dutra

01/11/2017 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Morrer bem

Todos e todas nós, queremos ir para o céu, mas não hoje, nem amanhã e não tão já. Sonhamos com uma vida longa e bem vivida para, depois sim, no final da mesma, atender ao chamado do outro lado. Nascemos para viver e não para morrer. Para isso precisamos uns dos outros, pois não nascemos prontos. A Antropologia do Imaginário chama de regime noturno o lado latente da realidade e de regime diurno o lado patente da mesma. Numa visão holística e integrada da vida, entendemos que as partes e o todo do latente e do patente, são dimensões da mesma realidade. Para nós, cristãos, criados que fomos espirituais e imortais, o viver e o morrer são filhos gêmeos univitelinos: Paulo confirma: Cristo será engrandecido com minha vida corporal ou com minha morte (Fl 1, 22-23). Na Liturgia católica, o Dia de Todos os Santos, é celebrado bem próximo ao Dia de Todos os Fiéis Defuntos. A distância entre nós, Igreja peregrina, que ainda está aqui, e eles, os que já se foram, os que saíram da grande tribulação (Ap 7, 14), é praticamente imperceptível ao radar humano; eles são os que vivem em Deus a alegria escondida com Cristo (Col 3,3); nós estamos vivendo no tempo e temos tempo, o que eles não têm mais. Certamente, eles gostariam de ter tempo para amar mais, para conformar-se mais à figura do Cordeiro. Nós, temos tempo de viver e morrer bem. Por isso, caminhai enquanto tendes luz (Jo 12,35). Aos olhos da fé e da misericórdia divina, o corpo de Cristo Morto e Ressuscitado nos aproxima tanto, nos une com os que já se foram que formamos uma comunhão profunda, a Comunhão dos Santos, adoradores do mesmo Cordeiro: eles estão apenas do outro lado do altar e nós do lado de cá. Nossa vocação é a santidade. Por isso, para viver e morrer bem, busquemos o primeiro e maior referencial da santidade, aquele que nos revela o amor de Deus, o Filho no qual o Pai pôs todo o seu bem querer (Mt 3,17; Mc 1,11; Lc 3,22). Em seguida vem Maria, Mãe de Deus e nossa, em cuja humildade o Todo-Poderoso fez maravilhas, cumprindo as promessas feitas a Abrãao e a seus descendentes (Lc 2, 46-55). Depois deles seguem os Santos, os que nos precederam, na vida, na fé e na morte.

A Comunhão dos Santos nos protege, nos incluem e nos cerca numa nuvem que nos envolve: nós, portanto, rodeados de uma viagem tão densa de testemunhas, desprendamo-nos de toda carga e do pecado que nos encurrala, corramos com constância a corrida que nos espera, com os olhos fixos em Jesus (Hb 12,1-2a). Para os Santos, a celebração da Liturgia é eterna e permanente, mas para nós, o tempo é das Bem-aventuranças. Tanto eles como nós, para sermos perfeitos como o Pai Celeste, adoramos o Cordeiro eternamente vivo. O morrer e o viver transcendem o tempo e o espaço da vida humana que encontra em Deus a sua primeira e última razão. O amor aos irmãos mais pequeninos, com os quais Cristo se identifica, é a melhor forma de viver para alcançar o melhor modo de morrer.

 Pe. Jarbas Brandini Dutra – Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração

Compartilhe: