Canonizado no coração do povo, Padre Donizetti tem relíquia entronizada na Catedral de São José do Rio Preto

Canonizado no coração do povo, Padre Donizetti tem relíquia entronizada na Catedral de São José do Rio Preto

14/08/2022 Off Por SEDICOM

Em Tambaú/SP ou na Catedral da Diocese de São José do Rio Preto é possível venerar a relíquia do Beato Padre Donizetti Tavares de Lima. O religioso, também conhecido pelo dom da bilocação (estar em 2 lugares ao mesmo tempo), agora conta com um ponto de peregrinação no Noroeste Paulista. Dom Antonio Emidio Vilar, sdb, em Missa celebrada no domingo, 14 de agosto, destacou algumas das virtudes heroicas daquele que caminha para a canonização. “Como eu fiquei encantado por você; um verdadeiro padres dos padres”, disse o epíscopo voltado para a imagem do futuro Santo. Ainda segundo Dom Vilar, padre Donizetti fora perseguido quando de sua atuação em Vargem Grande do Sul/SP (época em que, de maneira profética, denunciava a violação dos direitos trabalhistas). Foi por conta dessa perseguição que o religioso, que também era advogado a serviço dos pobres, fora enviado à Tambaú.

Um entre tantos

O milagre reconhecido, e que tornou possível a beatificação do padre Donizetti, em 2019, favoreceu a cura de Bruno Henrique Arruda de Oliveira. Seu pé, torto desde o nascimento, seria alvo de tratamento ortopédico. Sua mãe, sabedora dos desafios que os procedimentos ocasionariam, pediu que o padre Donizetti intercedesse. No dia seguinte, após a oração, o menino já tocava o chão com os pés completamente apoiados.

Relatos históricos dão conta, também, de fato extraordinário ocorrido quando da chegada de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida a Tambaú. Na ocasião chovia muito! O religioso não desistiu de realizar uma procissão de acolhida: por onde o povo passava, a chuva cessava e ninguém se molhava.

A Padroeira do Brasil acompanhou o Beato por toda a vida: a Matriz de Santo Antônio foi consumida pelas chamas de um incêndio em 1929. Controlada a situação, o padre superou os escombros de uma igreja estruturalmente comprometida (tamanha a gravidade do ocorrido) para retirar, do meio deles, a imagem intacta de Nossa Senhora.

Partilha

Recordando a devoção do padre Donizetti, Dom Vilar pediu que uma imagem da Mãe de Jesus fosse disposta ao lado do nicho onde, na Catedral de São José, ficarão expostas a relíquia e a imagem do religioso. “É bom colocarmos em nossa vida a santidade que a Igreja destaca. O padre Donizetti acendeu o fogo (da fé) e aqueceu e iluminou muitos corações”, disse o bispo que, à época da beatificação, era o responsável pela Diocese de São João da Boa Vista (da qual a cidade de Tambaú faz parte).

Dom Vilar, ainda no contexto de sua partilha, relatou que, em 2018, ao agradecer a declaração de venerabilidade do religioso, fora informado de um sinal que impressionou as instâncias vaticanas: muitas pessoas costumam dar o nome de um santo aos seus filhos. Cerca de dois milhões e meio de ocorrências foram verificadas quando da consulta acerca do termo “Donizetti”. Na Catedral de São José, durante a Missa de entronização da imagem e da relíquia, foi possível atestar esse fato a partir de vários relatos.

Testemunho

Ainda no terceiro dia de vida, o choro constante preocupou casal que não mediu esforços para descobrir a causa de tamanho incômodo do filho. Os primeiros médicos consultados diagnosticaram que o bebê estava com tétano. Segundo eles, era uma questão de pouco tempo para que o óbito se confirmasse.

Rogando ao padre Donizetti, a criança, de fato com tétano, foi submetida a tratamento mediante a aplicação de dezenas de injeções. Igualmente suplicando a Nossa Senhora Aparecida, a cura fora alcançada. “Minha vida é um milagre”, testemunhou Donizete (por causa do Beato) Aparecido (em hora à Padroeira do Brasil) de Oliveira, 61 anos; que nunca esteve em Tambaú, mas que fez questão de participar da Missa na Catedral de São José. “Tenho certeza que ele já é Santo no coração de muita gente” concluiu o devoto.

Artigo
Dom Antonio Emidio Vilar, sdb, oferece (em artigo publicado na sequência) diversos indicativos da Santidade do Padre Donizetti Tavares de Lima. “O Padre Donizetti é exemplo de padre diocesano, ‘apóstolo da acolhida’, ‘pastor com cheiro de ovelhas’ e ‘padre dos pobres’. Viveu de modo simples e humilde, a serviço do povo, dos pobres, doentes e trabalhadores, com múltiplas e criativas iniciativas pastorais”, escreveu.

TEXTO | FOTOS
André Botelho
Jornalista / Assessoria de Imprensa
Diocese de São José do Rio Preto

 

ARTIGO

Padre Donizetti Tavares de Lima: o padre dos padres
Dom Antonio Emidio Vilar, sdb

Nasceu em Cássia, MG. Seus pais Tristão e Francisca lhe herdaram a fé e o cultivo das letras e da música. Tanto, que seu pai lhe dá o nome do músico italiano Gaetano Donizetti (1797-1848). Aos 4 anos, mudam-se para Franca (SP).

Aos 15 anos, dom João Batista Corrêa Nery (1863-1920), novo bispo de Vitória (ES), quis levá-lo consigo para ajudá-lo na música sacra. Sua mãe se opôs, pois era muito novo. Aos 18 anos, cursa Direito na Universidade São Francisco, SP, onde é organista nas igrejas. Pensando no seminário, em meio a um temporal abriga-se na igreja e pede discernimento a Deus, invocando Nossa Senhora Aparecida. Uma voz chama seu nome e sente uma mão tocá-lo. Era dom Nery que lhe diz: Sua vocação é o sacerdócio para ajudar a humanidade que sofre.

Vai a Pouso Alegre (MG) com Dom Nery que o ordena em 12 de julho de 1908.Dom Nery, transferido para Campinas, o leva para Jaguariúna. Em 1909 é nomeado pároco em Vargem Grande do Sul, onde cuida dos pais e aí fica 17 anos.

Em 1926 é transferido para Tambaú, testemunha do pastor com cheiro de ovelhas, com curas pela sua bênção. Romeiros sem conta o procuram para livrar-se de seus males, vindos em caminhões pau de arara, de trem, a cavalo, a pé, de bicicleta, em carro… Muitos alcançam o que buscam, outros não, mas saem confortados pelo vigor do santo que encontram.

Em sua última bênção pública, a 30 de maio de 1955, foi organizada uma chuva de pétalas de rosas.

Morreu a 16 de junho de 1961 sem realizar o sonho de construir o santuário a Nª Srª Aparecida, para abrigar a imagem dos milagres que ficou na casa paroquial. Depois de sua morte o santuário foi construído. E somente 60 anos após sua morte, a 16/06/2021, a imagem dos milagres de Nª Srª Aparecida foi abrigada dignamente no santuário. A aí a arte registra os painéis dos milagres da água e do fogo.

– Da água porque em 1926 ele recebeu na estação de trem a imagem fac-símile de Nª Srª Aparecida com forte chuva, e o povo em procissão. Ninguém se molhou.

– Do fogo porque em 1929 pegou fogo na matriz Santo Antônio e ele celebrava na capela São José. Ele chegou, viu tudo queimado, mas a imagem de Nossa Senhora Aparecida estava intacta.

O Papa Francisco em 10 de outubro de 2017, declarou o Servo de Deus Venerável reconhecendo o grau heroico de suas virtudes teologais, fé, esperança e caridade, das virtudes cardeais, prudência, fortaleza, temperança e justiça, e das virtudes anexas, pobreza, castidade, obediência e humildade. Em 23 de novembro de 2019, o Papa o declarou Beato, aprovando um milagre. Agora, será declarado Santo com um segundo milagre.

O Padre Donizetti é exemplo de padre diocesano, ‘apóstolo da acolhida’, ‘pastor com cheiro de ovelhas’ e ‘padre dos pobres’. Viveu de modo simples e humilde, a serviço do povo, dos pobres, doentes e trabalhadores, com múltiplas e criativas iniciativas pastorais.

Em sua devoção a Nossa Senhora Aparecida, à multidão que ia a Tambaú para receber a bênção, ele dizia que pedia à Mãe de Jesus e Ela tudo conseguia de seu Filho. Rezemos por sua canonização.

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb, é bispo diocesano de São José do Rio Preto/SP.

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