Comunidade tessalonicense, alegria e glória de Paulo

Comunidade tessalonicense, alegria e glória de Paulo

06/12/2017 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Comunidade tessalonicense, alegria e glória de Paulo

  1. d) 2,13-16 – A acolhida da Palavra durante a perseguição

Paulo louva a Deus porque os cristãos tessalonicenses acolheram o Evangelho anunciado como palavra divina. Nesse sentido, os apóstolos continuam a atividade dos antigos profetas, na condição de porta-vozes do Senhor. A ação da palavra de Deus é acolhida por meio da fé. Paulo insiste na transformação de vida dos tessalonicenses, que os tornaram imitadores das Igrejas da Judeia (2,14). Essa imitação não é consequência tanto de uma intenção, mas de um acontecimento: seus concidadãos, principalmente os membros da Sinagoga, os perseguiram (At 17,1-9).

Paulo se utiliza de uma linguagem áspera contra os membros da sinagoga tessalonicense que se opõem ao messianismo de Jesus e ao Evangelho (2,15-16). Apresenta a ideia de um crescimento do pecado na história, culminando no julgamento divino. No AT, a punição de Deus é medicinal. Inclusive, os profetas fazem várias referências à ira divina, para chamar o povo à conversão. Paulo se aproveita dessa linguagem para demonstrar a obstinação da sinagoga em colocar empecilhos ao seu ministério.

 

  1. e) 2,17-3,10 – Paulo distante de Tessalônica: angústia e alívio

Esta parte da carta é rica de emoção e de afeto. Paulo demonstra todo o seu amor pela comunidade por meio de expressões como “sois a nossa glória”, “a nossa alegria”, “desejamos rever-vos” (2, 17.19). Depois de narrar a sua chegada a Tessalônica (1,2-2,16), agora aborda as dificuldades de visitá-la novamente (2,18). Ele não explica os motivos pelos quais não pôde retornar, mas os atribui à oposição de Satanás ao Evangelho (2,18; 3,5). Distante da comunidade, Paulo não deixa de cuidar dessa Igreja, seja por meio de mensageiros, seja por meio de cartas. O envio de seu colaborador Timóteo serve, exatamente, para detectar a real situação da caminhada cristã dos tessalonicenses e, assim, confirmá-los na fé (3,2). A angústia de Paulo era esta: “O que se tornou a fé desses novos cristãos e sua perseverança, diante das provas que atingiram a comunidade?”.

Na época, imaginava-se que, antes do fim do mundo, as provações deveriam se abater sobre os fiéis até que o Messias viesse para reinar (Mc 13). Após a morte e a ressurreição de Jesus, os primeiros cristãos acreditaram entrar neste período final, durante o qual esperavam a vinda do seu Senhor (2,19). Viver na tribulação era, para Paulo, a condição normal dos cristãos antes da manifestação gloriosa de Cristo. Esse era um ponto central da catequese apostólica (3,4; At 17,3; Rm 5,2-4).

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