Dia Mundial dos Pobres: união de esforços em São José do Rio Preto

Dia Mundial dos Pobres: união de esforços em São José do Rio Preto

13/11/2022 Off Por SEDICOM

O Jubileu Extraordinário da Misericórdia não terminou (ainda que tenha sido encerrado pelo Papa Francisco em 2016). É que o seu “apelo” se renova, ano a ano, no Dia Mundial dos Pobres; um dos mais bonitos frutos daquela iniciativa.

No domingo, 13 de novembro, em todo o mundo, foi celebrada a 6ª edição da proposta que coloca os empobrecidos no centro das discussões e da ação. “Jesus Cristo fez-Se pobre por vós” (cf. 2 Cor 8, 9) foi o versículo bíblico que norteou a mensagem do Santo Padre para a ocasião. No Brasil, a partir da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora da CNBB, outra motivação também foi sublinhada: “dai-lhes vós mesmos de comer”. Dezenas de voluntários disseram sim a esse chamado e na cidade sede da Diocese de São José do Rio Preto cerca de 400 pessoas em situação de rua foram alimentadas corporal e espiritualmente.

Iniciativa inédita
O bispo diocesano, Dom Antonio Emidio Vilar, sdb, presidiu a Eucaristia em espaço montado pela Prefeitura junto ao centro de acolhida estruturado pelo Poder Público para atender número cada vez maior de pessoas que fazem de marquises e praças seu lar.

Por ocasião do Dia Mundial dos Pobres, além da atuação da Pastoral do Povo em Situação de Rua (que realiza trabalho semanal com essa população), outros parceiros oferecem – de forma inédita – serviços ligados à emissão de documentos, verificação de benefícios de seguridade social, atividades restaurativas, consultório médico de rua, internações e pronto atendimento psicológico. O “mutirão” contou com a articulação da Vara da Infância e Juventude de São José do Rio Preto e do Sistema de Justiça. “Nosso agradecimento aos parceiros. Nós estamos caminhando juntos”, disse o juiz Evandro Pelarin que, no Município, coordena Comitê que atua nesse segmento.

Outra liderança perseverante, e que incentivou as atividades pelo Dia Mundial dos Pobres, foi o padre Ernesto Pedro de Oliveira Rosa. Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Brasil, o presbítero é reconhecido pelos irmãos em situação de rua pelos banhos solidários oferecidos, pela lavanderia comunitária estruturada e pelo atendimento aos animais de estimação que dividem as calçadas com seus donos. “A nossa esperança é fazer a unidade desses trabalhos”, disse o religioso que sublinha números que impressionam: 1500 peças de roupas lavadas e cerca de 60 banhos efetivados, a cada semana, em estrutura móvel criada exclusivamente para essa finalidade; sem contar as mais de 250 refeições servidas a cada encontro.

Junto ao sofredor
Além do padre Ernesto, quem também concelebrou a Santa Missa presidida por Dom Vilar foi o Frei Francisco Belotti. O religioso da Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus mantém inúmeros trabalhos humanitários no Brasil e em outros países. Entre as ações mais destacadas estãos os Barcos Hospitais a serviço das populações ribeirinhas na Amazônia. A ação teve como origem um indicativo do Santo Padre durante a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, no Rio de Janeiro. Tanto que, e por essa razão, a primeira das três embarcações leva o nome do Sumo Pontífice.

Dando graças a Deus pelo “dia histórico” celebrado em São José do Rio Preto, Dom Vilar colocou todos aqueles que se disponibilizam aos irmãos empobrecidos como “parceiros de Deus”. O bispo igualmente chamou a atenção das autoridades presentes para importância de se acreditar que iniciativas coordenadas tem o poder de transformar a vida dos irmãos empobrecidos. “Estou muito contente de estar aqui nesse dia e ver tantos parceiros da caridade. É a caridade que vai nos salvar. Devemos nos unir para fazer bem o bem que fazemos. Nós queremos acreditar que é possível recomeçar de onde estamos”, disse o religioso.

Ainda durante a Celebração Eucarística, Dom Vilar dirigiu uma palavra de encorajamento àqueles que estão em situação de rua: “a Cruz não é derrota. Somos irmãos nesse mundo. Que nós tenhamos a humildade de nos ajudarmos. Que nós possamos avançar nessa comunhão”, concluiu o epíscopo igualmente dedicando bênçãos às Pastorais Sociais da Diocese e seus agentes.

Testemunho
Além da Pastoral do Povo em Situação de Rua, que – coordenada pelo senhor Gregório Di Berardo – já atua há quase 30 anos em São José do Rio Preto, outra instituição presente às celebrações pelo Dia Mundial dos Pobres foi a entidade Madre Teresa de Calcutá (que oferece refeições e encaminhamentos diários de saúde e cidadania em sua sede). São esses voluntários os responsáveis por descobrir talentos, como Rogério Pacheco, 53 anos. Morador em situação de rua, ao final da Celebração Eucarística ele cantou para os presentes. “Nessa condição eu só tenho a calçada como casa. Cantar acalma o meu coração”, disse. Perguntado sobre a atuação dos voluntários, Pacheco mostrou-se profundamente grato. “O trabalho da Pastoral é magnífico. A gente vê a sinceridade nos momentos de atendimento. Isso nos conforta”, concluiu.


Incentivo
Como cristãos, que atitude tomar diante desta civilização que descarta os pobres, os velhos e os nascituros?” A pergunta apresentada pelo Papa Francisco, durante a Missa pelo Dia Mundial dos Pobres, celebrada na Basílica de São Pedro, no domingo, 13 de novembro, encontra resposta na atuação de Adriana Martinez. Apoiada em sua máquina de costura, ela promove reparos para as roupas dos irmãos em situação de rua; bem como concerta aquelas que a eles serão doadas. “Eu vi a necessidade. Adoro esse serviço. É gratificante fazer para ajudar o próximo. É uma troca: eles mais nos ajudam que nós a eles”, disse a costureira. Quem também atua junto aos empobrecidos é Dagmar Marçal Zanini. Voluntária há 8 anos, ela corta cabelos nas ruas de São José do Rio Preto. “Pra mim foi um chamado de Deus. Me sinto muito feliz”, completou.

Liderando um grupo de voluntários vindos de São Paulo, Lenon Volpini distribuiu cerca de 300 kits de higiene no Dia Mundial dos Pobres celebrado em São José do Rio Preto. O rapaz, que fundou a ONG “Banho de Gato” há 6 anos, começou o trabalho ao se deparar com a dolorosa realidade da “cracolândia” (ponto de consumo de drogas na maior cidade do país). A partir de doações, cerca de 1000 unidades são entregues todos os meses em ações realizadas na Capital. “Higiene básica é questão de saúde”, sublinhou.

Compromisso
Acompanhados pelo coordenador diocesano de pastoral, padre Luiz Caputo, o prefeito de São José do Rio Preto, Edinho Araújo, o vice-prefeito, professor Orlando Bolçone, o presidente da Câmara de Vereadores, Pedro Roberto, e representantes do Judiciário, Polícia Militar, Civil e Guarda Municipal, também participaram da Missa. “Você que vive em situação de rua é visível aos nossos olhos. Estamos realizando um ato que queremos se repita ao longo do ano. Nós amamos vocês e queremos agir, na prática”, se comprometeu o chefe do Executivo local.

À luz da mensagem do Papa Francisco para a ocasião, que o Dia Mundial dos Pobres se firme como expressão de misericórdia e que suscite “um exame de consciência pessoal e comunitário, interrogando-nos se a pobreza de Jesus Cristo é a nossa fiel companheira de vida”, conforme escreveu o Santo Padre.

TEXTO / FOTOS
André Botelho
Jornalista / Assessoria de Imprensa
Diocese de São José do Rio Preto

 

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