Diocese realiza Assembleia de Pastoral

Diocese realiza Assembleia de Pastoral

08/11/2021 Off Por Marcos Perussi

Pela 24ª vez em sua história (que supera 90 anos), a Diocese de São José do Rio Preto reuniu suas lideranças em Assembleia de Pastoral. A Comunidade Jesus Bom Pastor e São Sebastião acolheu Padres, Diáconos, Religiosos e representantes de Paróquias e demais organismos diocesanos no sábado, 6 de novembro. Já no início do encontro, durante a oração inicial, o Sínodo dos Bispos 2023 mereceu a atenção dos presentes. Arranjo celebrativo se firmou como sinal do “tempo de escuta” que segue em curso. O Povo de Deus, na ocasião, foi abençoado pelo arcebispo de Ribeirão Preto e administrador apostólico – sede vacante, dom Moacir Silva.

Ao Coordenador Diocesano de Pastoral, padre Gerson Carlos Cavalin, coube apontar pistas para a plena vivência da Assembleia; em especial fazendo menção às Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2019-2023). Também dele partiu a acolhida ao assessor da iniciativa, padre José Carlos Pereira.

Formação, atuação e Celebração
Recordando que as Comunidades Eclesiais Missionárias (tema da Assembleia) nasceram na Conferência de Aparecida, em 2007, o padre José Carlos reiterou que as Diretrizes apontadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil são a base de todo o trabalho, mas o religioso fez um alerta: “entre a teoria e a prática há um grande abismo e é nesse abismo, que muitas vezes, nós naufragamos”.

Também foi partilhado pelo assessor do encontro que a evangelização não tem acontecido, com a energia necessária, no seio das famílias. É nessa realidade, em especial, que se insere a proposta de formação de Comunidades Eclesiais Missionárias (CEM). “O método do ver, julgar e agir é fundamental na implantação”, completou. Ainda no contexto dos desafios, as CEM se apresentam disponíveis para trabalhar nos grandes centros urbanos, nos condomínios; podendo, consideradas as realidades diocesanas diversas, sofrer as adaptações necessárias “a partir de um olhar de Discípulos Missionários”.

Compromisso
Entre os vários documentos em destaque, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2019-2023) se apresentaram como ponto importante de apoio; à luz dos 4 pilares propostos (Palavra, Pão, Caridade e Missão). O padre José Carlos Pereira sublinhou cada um dos aspectos em certa etapa de sua exposição.

O religioso, por primeiro, falou da centralidade da Palavra. Segundo ele, a Leitura Orante se firma como um compromisso importante na vivência das Comunidades Eclesiais Missionárias. “A soma de todos os pilares resultam no 4º, o da missão”, sintetizou.

Igualmente buscando as urgências das Diretrizes anteriores, o padre José Carlos questionou sobre o quanto essas urgências foram esgotadas. Uma delas, (“Igreja, Comunidade de Comunidades”), tem forte “influência” sobre as CEM; que não podem se contentar apenas com os irmãos já inseridos na caminhada. “Precisamos buscar aqueles que se identificam como Católicos, mas não tem nenhuma atuação na Igreja”, disse o religioso. “Não se preocupem com visibilidade: é como o fermento na massa que faz crescer sem ser visto”, completou o assessor da Assembleia.

Raio X
As Comunidades Eclesiais Missionárias consistem em pequenos grupos de famílias. Essa é a síntese (simplificada) do trabalho. As mesmas se encontrarão, como indicam as Diretrizes, em ruas, condomínios, aglomerados, edifícios; “lugares muito distintos uns dos outros”, mas que formam uma rede, em comunhão com a igreja local. “É a unidade na diversidade (…) distante da ideia de grupos paroquiais isolados. Nós não estamos em uma Igreja isolada, mas estamos unidos a uma mesma estrutura que vem de Roma”, sublinhou.

No trânsito da Assembleia, tornou-se evidente que as CEM apontam para ações concretas que vão incentivar, como fruto, o surgimento de missionários para as diversas realidades de missão. Para tanto, a descentralização e a alegria no anúncio não podem faltar. “Nós evangelizamos demonstrando paixão pela nossa Igreja”, disse o padre José Carlos.

Acolhimento e inclusão
Despertar a consciência de pertença à Igreja exige o abandono de “estruturas tradicionais”, fortalecendo o compromisso com o apostolado e a abertura às possibilidades de encontros (em casas, salões, espaços públicos, etc). Outro aspecto a ser considerado, por exemplo, é a flexibilização de horários; garantindo a participação de mais irmãos e irmãs (que deverão ser devidamente acolhidos, reforçando a ideia de uma “Igreja porto seguro”). “Todos podem participar indistintamente (…). As Comunidades Eclesiais Missionárias são células vivas”, completou o religioso.

“Fila do povo”
As perguntas apresentadas tiveram alguns pontos comuns: a retomada das atividades no “pós pandemia” e o resgate dos avanços já conquistados na Diocese (que vive o projeto Rede de Comunidades há 24 anos) foram os principais. “Comecem com aqueles que já estão engajados até que seja alcançado quem não participa”, recomendou. O uso das Redes Sociais também se coloca como método para o trabalho. “Espaços que a gente não ocupa, estão sendo ocupados por outros que desvirtuam aquilo que a Igreja propõe”, igualmente frisou o padre José Carlos.

O protagonismo do Conselho de Pastoral Paroquial também foi sublinhado em prol de decisões colegiadas e que fomentem ações em conjunto; rompendo o “fechamento” das Pastorais e Movimentos. “Se o CPP falha, nós teremos muitas dificuldades para implantar as Comunidades Eclesiais Missionárias”, alertou o assessor da Assembleia Diocesana. E sobre os vários carismas, o padre reforçou que ninguém vai perder a sua identidade. “Não é um trabalho para diminuir e dividir, mas para favorecer a conversão pastoral das nossas Paróquias”, concluiu.

Palavra do Arcebispo
O administrador apostólico da Diocese de São José do Rio Preto, dom Moacir Silva, expressou a alegria pela realização da Assembleia. “As Comunidades Eclesiais Missionárias concretizam o grande apelo de Aparecida (Igreja, Comunidade de Comunidades) e do Papa Francisco por uma Igreja em saída. As CEM se adaptam. Elas podem ser aplicadas em toda e qualquer realidade”, disse o arcebispo.

Falando sobre o Sínodo dos Bispos, dom Moacir reiterou sua importância. “Estamos começando um tempo muito especial. Esse caminho de escuta implica, também, em conversão. (…) Que a nossa Igreja esteja em estado permanente de missão, escutando uns aos outros, para vivermos nossa vocação de batizados e enviados”, concluiu.

Consagrados ao Coração de Maria, em comunhão, os Diocesanos foram abençoados ao final do encontro e partiram para incentivar a participação a partir da missão; no espírito da Igreja Sinodal necessária para os novos tempos.

TEXTO / FOTOS
André Botelho
Assessor de Comunicação
Santuário São Judas Tadeu

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