A SOMBRA DO POPULISMO

A SOMBRA DO POPULISMO

18/10/2017 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Vivemos tempos perigosos na política do País. Se de um lado a Operação Lava-Jato tem feito um trabalho primoroso e eficiente no combate à corrupção, do outro vemos um Congresso Nacional infestado de políticos acuados por denúncias de rapinagem do dinheiro público. Tal panorama nos leva a dois cenários preocupantes. O primeiro é o acirramento do extremismo político. Em 2013 tivemos no Brasil o renascer dos movimentos de ruas. Ruas essas que, do ponto de vista político, estavam desertas desde o impeachment de Fernando Collor de Melo, em 1992. A sociedade parecia finalmente ter acordado da sua letargia, exigindo seus direitos e mais moralidade dos seus representantes. De lá pra cá, tivemos uma eleição presidencial acirrada, a derrubada da ex-presidente Dilma Rousseff e o trabalho da Lava-Jato que revelou o quão suja estava nossa política. Paralelo a esse movimento, porém, fortaleceu-se também o extremismo nas opiniões. Em um momento em que o País ficou fragilizado, o discurso de ódio da direita contra a esquerda e vice-versa solapou qualquer iniciativa de tentar diálogo entre os atores envolvidos. É só navegar pelas redes sociais para ler e sentir a amargura destilada em postagens, fotos e ironias. Além de tornar o Brasil mais fraco e dividido, tal ódio escancara as janelas a outro cenário igualmente preocupante: o surgimento dos salvadores da Pátria. De pessoas que se colocam acima do Bem e do Mal e iludem milhões com discursos mirabolantes, palavras de efeito e retórica vazia. A História nos ensina o mal que tais políticos trazem não só ao seu país, mas para a humanidade. Hitler na Alemanha, Stálin na União Soviética e Mussolini na Itália são só alguns exemplos de pessoas que seguiram a receita do personalismo na política e terminaram por mergulhar seus próprios povos e o mundo inteiro em um mar de sangue. É da lavra do político e filósofo irlandês Edmund Burke (1729-1797) a célebre frase: “Aqueles que não conheçam a História estão fadados a repeti-la”. Ainda que em terras tropicais seja reduzida a chance de parirmos um sanguinário do quilate de Hitler, o populismo e o messianismo político podem muito bem dar asas a governantes que vão mergulhar o País em uma crise ainda mais profunda, tanto financeira quanto moral. O ódio nunca é o caminho para nada – nem no nosso dia-a-dia, nem na política. Quem aposta neste discurso deve, com a escolha consciente do eleitor, chafurdar na irrelevância política em 2018.

Fabrício Carareto, jornalista. Editor Chefe da CBN-Grandes Lagos.

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