FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA, JESUS, MARIA E JOSÉ ANO C – Domingo na Oitava do Natal 27 de dezembro de 2015

FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA, JESUS, MARIA E JOSÉ ANO C – Domingo na Oitava do Natal 27 de dezembro de 2015

21/12/2015 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Leituras

Eclesiástico,3,3-7.14-17a. Quem teme o Senhor, honra seus pais.
Salmo 127/128,1-5. Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor.
Colossenses 1,12-21. O amor é o vínculo da perfeição
Lucas 2,41-52. Estava sentado no meio dos mestres.

presepio-natal

“SUA MÃE CONSERVAVA NO CORAÇÃO TODAS ESSAS COISAS”

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo as Sagrada Família. A festa que celebramos hoje leva-nos a contemplar a família de Jesus e, nela a nossa família e todas as famílias cristãs. Estamos no tempo do Natal, chamado também “tempo da manifestação”. O Verbo Eterno do Pai torna-se humano, vem morar entre nós e, desse modo, passa a nos manifestar de que jeito Deus é: amor sem medida, justiça, misericórdia, paz.

Ao olharmos a família de Nazaré, vemos a importância do lar, especialmente do lar cristão, mas não há como deixar de perceber seu contraste com tantas comunidades familiares desestruturadas, tantos lares arruinados.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Eclesiástico 3,3-7.14-17a. Esta leitura nos mostra que para agradar a Deus não basta rezar, oferecer-lhe sacrifícios, cumprir as leis religiosas e celebrar o culto. É preciso colocar em prática.

Esta leitura do Eclesiástico que trata dos deveres dos filhos com seus pais abrange os versículos 1 a 18. As idéias ai desenvolvidas podem ser sintetizadas assim: aquele que honra seus pais receberá as bênçãos prometidas; este dever de honrar os pais continua também quando eles ficam idosos e doentes; quem cumpre este dever recebe o perdão de sues pecados; agir ao contrário é blasfemar contra Deus.

E um dever elementar de toda pessoa humana honrar e respeitar os pais. O sábio inspirado por Deus recorda esse dever e o liga diretamente a Deus. O texto refere-se ao pai e à mãe separadamente, mas é apenas uma questão de gênero literário. Tanto um como outro merecem igualmente o amor, a honra e o respeito dos filhos.

Cumprir bem os deveres para com os pais é, certamente, muito mais que dar esmolas. Praticar o amor, a paciência, o respeito para com os pais até a sua velhice é uma obra das mais louváveis diante de Deus. A tal ponto que chega a descontar nossos pecados diante de Deus e merecer o perdão.
Este dever para com os pais não se esgota na infância ou na adolescência. O autor do Eclesiástico recorda-o de modo claro. É justamente na velhice que mais necessitam do amor e do cuidado de seus filhos. O texto lembra especialmente duas circunstâncias em que o filho deve mostrar seu amor e respeito para com seus pais: nos dias da velhice e quando falham suas faculdades mentais. Da mesma forma que os filhos necessitam do amor e cuidado de seus pais quando são pequenos, assim na sua velhice necessitam os pais dos cuidados de seus filhos.

É tão necessário insistir nesse dever que a Palavra de Deus nos recorda! Quantos exemplos tristes nós presenciamos em nossos dias! A nossa sociedade consumista e hedonista vê como um estorvo as pessoas idosas que já nada mais produzem. Então a tendência de livrar-se dos “idosos”, mandando-os para algum asilo ou casa de repouso, quando poderiam e deveriam ter o acolhimento e o carinho dos filhos e netos! A Bíblia tem uma palavra terrível para os que não cumprem como esse dever: quem abandona seus pais nessas circunstâncias é como um blasfemador (a blasfêmia era um dos maiores pecados na Bíblia e para os judeus) e será amaldiçoado por Deus!

O segredo, isto é, a fonte, é o próprio Deus. “Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe”. Quem teme o Senhor, honra seus pais. É a partir de Deus que surgem as melhores relações de honradez, respeito, amparo e compreensão no âmbito familiar. É a partir de Deus que a família melhor se constitui e vai bem pelos caminhos da vida.

Salmo responsorial 127/128,1-5. O começo do Salmo é de bem-aventurança: “Feliz”. Temer a Deus tem aqui um sentido bastante genérico, de fidelidade e reverência; manifesta-se em seguir o caminho de Deus, isto é, em cumprir os mandamentos.

A bem-aventurança refere-se à vida cotidiana, do trabalho e da família: bens simples e fundamentais. A imagem vegetal descreve a fecundidade, a mesa reúne ao seu redor a família, que come o fruto do trabalho. Deste modo torna-se experiência profunda e símbolo superior.

A bênção familiar realiza num círculo perfeito e limitado a bênção mais ampla sobre o povo: sai de Sião, onde Deus reside, estende-se a toda a cidade santa, abarca todo Israel, em suas gerações. A bênção do simples e do pleno tem outro nome: paz.

O rosto de Deus no Salmo. Por duas vezes se diz que o Senhor é temido (versículos 1b.4) e uma vez se diz que abençoa. Três vezes, portanto, se fala dele. Temer a Deus não significa sentir medo, mas respeitá-lo e respeitar seus mandamentos com fonte de felicidade e de bênção. O Senhor deseja que o ser humano seja feliz e abençoado, e isso está vinculado aos mandamentos, condições que Israel, como aliado do Senhor. O rosto de Deus neste Salmo é abençoador do seu povo.

Cantando este Salmo, peçamos que o Senhor nos ensine o caminho da unidade e da partilha. É a partir de Deus que a família melhor se constitui. Dessa forma, cantamos com o salmo 127/128:

FELIZES OS QUE TEMEM O SENHOR E TRILHAM SEUS CAMINHOS.

Segunda leitura – Colossenses 3,12-21. A comunidade de Colossos esta vivendo uma situação difícil no caminho da fé. Como os cristãos dessa comunidade vinham do paganismo, estava havendo uma confusão na compreensão da fé. Misturavam elementos do paganismo, do Judaísmo e do Cristianismo, como conseqüências sérias na vida de cada dia. Paulo então escreve da prisão uma carta, lembrando aos irmãos e irmãs em que consiste a prática da fé em Jesus Cristo.

Paulo chama os cristãos de “santos eleitos” e convida-os a “revestirem-se” de certos sentimentos, até então era uma qualidade de Deus (versículos 12-15). A idéia de santidade contém normalmente e idéia de separação: Deus era o Santo, no Primeiro Testamento, porque nada tinha em comum com os homens, não participava das injustiças e pecados dos homens, isto é, Deus era separado de tudo isso, e o povo de Israel era santo, por sua vez, na medida em que se separava das outras nações pagãs e seus costumes (Isaias 4,3; Deuteronômio 7,6). Mas em Jesus Cristo a santidade de Deus se revelou, precisamente em comunicação, e sua divindade manifestou-se nas criaturas. Por isso São Paulo pode chamar os cristãos de “santos” na medida em que compartilham do sentido da comunicação com os outros nas virtudes da bondade, do perdão, da caridade, da compaixão, etc.

São Paulo fala que a soberania de Cristo nas celebrações litúrgicas. Para isso Paulo consagra os versículos 16-17, que revelam o esquema essencial das reuniões litúrgicas: a proclamação e comentário da Palavra de Deus, o cântico dos salmos e dos hinos, a ação de graças, finalmente (versículos 15b e 17). Mas a liturgia deve estar ligada com a vida cristã, e Paulo preocupa-se tanto com a ressonância da Palavra, dos cânticos e da ação de graças nos corações e nas atitudes da vida cotidiana, quanto com a própria liturgia. Desse modo, ele não esquecerá que entre “liturgia e vida” há um relacionamento recíproco, isto é, inseparáveis e que ambas devem ser uma constante ação de graças ao Senhor, por seu perdão, sua escolha, sua graça e o dom de sua palavra.

Como Paulo exige que “tudo que fizerdes… fazei em nome do Senhor Jesus” (versículo 17), também a vida familiar deverá se orientar pela Palavra de Deus. A novidade, porém, é que tudo deve ser feito “no Senhor”, o que modifica profundamente qualquer lei ou preceito. O Cristianismo aperfeiçoa a lei humana, não a destrói. Depois de Cristo tudo está sob sua influência. Paulo, então, exige que os maridos amem suas esposas como aguais a si mesmos, imitando o Cristo (Efésios 5,22ss). Ainda para os pais, lembra que o excesso de dureza conduz a nada. Os pais são antes de tudo amigos, a quem os filhos devem amor e obediência, não patrões e senhores. As obrigações são de ambos os lados. Marido, mulher, pais e filhos, são todos iguais diante de Deus, e como tais devem se relacionar, respeitar e amar. Apóstolo afirma que a família é lugar de aprendizado. Os filhos aprendem com os pais e os pais aprendem com os filhos.

O apelo de Paulo é nos revestirmos de Evangelho, de caridade, roupagem do seguimento de Jesus: compaixão, bondade, humildade, mansidão, longanimidade, sendo suporte para os irmãos com amor, perdão; como fomos perdoados devemos perdoar. Fomos chamados a ser um só corpo, uma só família em Cristo Jesus. Paulo ensina que para conviver com os outros requer humildade, acolhida mútua, paciência. O amor é o vínculo que nos une.

Evangelho – Lucas 2,41-52. Diz o Santo Evangelho que os pais tinham o costume de ir todo o ano celebrar a Páscoa em Jerusalém, o que aconteceu também quando Jesus atingiu doze anos. Na cultura judaica, “aos treze anos os meninos entram no mundo dos adultos: passa a ser plenamente responsável diante de Deus e das pessoas”. Era a idade da plena iniciação na Lei e a obrigação de observá-la. A caminhada para Jerusalém por ocasião das grandes festas de Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos fazia parte destas obrigações (cf. Êxodo 23,14-17; Deuteronômio 16,16-17). A primeira romaria à capital da nação e ao Templo de Jerusalém era, pois, uma data marcante e almejada na vida dos meninos, não somente do ponto de vista religioso, mas também psicológico e social. Chegou sua maturidade religiosa e civil. Os pais piedosos preparavam seus filhos com carinho a esta data e que os filhos descontavam os dias que precediam à viagem. A narração supõe que Maria e José tenham levado Jesus consigo já um ano antes da obrigação da Lei quando tinha doze anos.

Ao voltarem para casa, pensando que o Menino estivesse na caravana, Maria e José viajaram tranqüilos por um dia inteiro. De repente, deram conta de que Ele não estava na caravana. Procuraram-no por todo lado, entre parentes e conhecidos. E nada! Retornaram então para Jerusalém. “No terceiro dia o encontraram no Templo sentado no meio dos doutores, escutando-os e fazendo-lhes perguntas. O terceiro dia é, na Bíblia, o dia da decisão (cf. Êxodo 19,11.16; 1Reis 12,12; Ester 5,1; Atos 9,9) e de salvação (cf. Gênesis 42,18; 2Reis 20,5.8; Oséias 6,2-3; João 11,17-39). Em vez de “sentado aos pés dos doutores” por ser um menino, estava “sentado no meio dos doutores, como, por exemplo, em Atos 22,3, onde Paulo afirma: Instruí-me aos pés de Gamaliel”.

Todos os que O ouviam estavam maravilhados de sua inteligência e de suas respostas. O Jesus do versículo 46 que escutava e faz perguntas, no versículo 47 é quem fala e dá respostas. Diante de Maria e José, angustiados e perplexos com o que aconteceu, Jesus simplesmente responde: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” Não entenderam nada! Então Jesus partiu com seus pais e, como diz o Evangelho, “era-lhes obediente”. Maria, no entanto, “conservava no coração todas essas coisas”. Quanto a Jesus, “crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens”.

Na verdade, Jesus está mostrando em segredo, a saber, de onde podemos construir profundos laços de amor familiar. O segredo já era apontado pelo Espírito bem antes de Jesus vir ao mundo: no livro do Eclesiástico, como está na primeira leitura de hoje.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Voltemos ao Santo Evangelho. Temos de vê-lo não apenas como um relato de fatos corriqueiros da infância de Jesus, mas como mensagem que nos é passada por Lucas à luz da experiência pascal. Sabemos que este Evangelho foi escrito mais de quarenta anos depois da ressurreição de Jesus. É à luz do mistério pascal que Lucas constrói o relato que acabamos de ouvir. Todo ele está repleto de cores e alusões pascais, que não vêm ao caso verificarmos em todos os detalhes.

Detenhamo-nos apenas num detalhe fundamental, a saber: Jesus está no Templo e, nesse espaço sagrado, ele faz a pergunta: “Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?”. Trata-se de uma cena profundamente pascal. O que, à luz da Páscoa, a Palavra quer nos dizer? E quais as conseqüências para nossa vida cristã e familiar?

À luz da morte e ressurreição de Jesus aquilo que ele disse aos 12 anos de idade (“Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?”) Como que “antecipa” o futuro de sua história: revela-nos sua condição de Ressuscitado e Glorificado na casa do pai. O Evangelho quer nos mostrar que Jesus é “aquele que deve estar na casa do Pai”. Sempre! Como se fosse a “trilha sonora” de toda a atividade de Jesus: em toda a trajetória do seu agir, ele tem de estar no Templo, isto é, precisa estar em Deus, no espírito do Pai. E tudo vai culminar com sua glorificação, narrada no fim do Evangelho de Lucas: “Enquanto os abençoava, Jesus afastou-se dos apóstolos e foi levado ao céu” (Lc 24,51).

Diz o Evangelho que Maria conservava no coração todas essas coisas. Podemos dizer que “a mãe de Jesus é tipo do verdadeiro discípulo: apesar de não entender plenamente, vai assimilando o projeto de Jesus sem pôr obstáculos. Torna-se também um ponto de referência para os pais de todos os tempos: ter um filho não é possuí-lo ou aprisioná-lo na dependência, mas permitir que chegue a maturidade, desenvolvendo-se como ser humano maduro e responsável”.

Diz também o Evangelho que “Jesus desceu com os pais para Nazaré, e lhes era obediente…”. Fiel a seu projeto de vida, isto é, de estar no Templo, ou melhor, de estar em Deus, ele se faz obediente. Assim, “crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens”.

Note-se que “Jesus tinha duas ‘casas do pai’: a de José, por enquanto; e a de Deus, para sempre. Esta última é a casa decisiva. Essa história contém uma lição para os pais cristãos. ‘Teus filhos não são teus filhos’, diz o profeta no livro de Kahlil Gibran. Os filhos são filhos de Deus. É por isso que se batizam os filhos desde pequenos. Ora, isso tem conseqüências: a casa, o sustento e a educação que os pais cristãos proporcionam a seus filhos […], tudo isso está a serviço daquela ‘casa’ mais importante e destina-se a um encaminhamento superior, o plano de Deus. Os pais não educam seus filhos para si, mas para Deus. A pais ricos pode assim acontecer que paguem estudos de médico, para depois ver seu filho se dedicar, quase de graça, ao serviço de saúde da Prefeitura ou do Estado, para atender gente sem renda […]. A pais pobres – como foram José e Maria – acontece que o filho que lhes poderia facilitar a vida começa, num determinado momento, a empenhar todos os seus recursos nos projetos e nas lutas da comunidade. Nem por isso, tais filhos são desobedientes ou ingratos. Apenas manifestam que a casa de Deus é maior que a casa da gente”.

“Já sei onde está minha casa!”, proclama o jovem apaixonado pelo trabalho social, mergulhado no serviço aos pobres. “Um pai de família se queixa ao pároco que seu filho, líder de jovens, nunca está em casa”. Talvez os pais de tais filhos estejam passando pela aflição que assolou José. O consolo é: ler o Evangelho até o fim […].

Mas ficamos com outra preocupação ainda. A grande maioria dos filhos hoje não ‘se perde’ no templo da comunidade, na ‘casa do Pai’, e sim, nos templos do consumo, nos shopping centers, danceterias etc. E o caminho que aprendem naqueles palácios da satisfação imediata e ilimitada não está no Evangelho de Lucas ( a não ser na parábola do filho pródigo…)
Por isso hoje pedimos: Deus, “pela intercessão da Virgem Mãe de Deus e do bem-aventurado São José, firmeis nossas famílias na vossa graça, conservando-as na vossa paz” (oração sobre as oferendas).

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

A imagem da família na experiência do Mistério

Não é novidade que a liturgia utilize termos relacionados à vida matrimonial e familiar para aludir à relação entre Deus e seu povo. Durante todo o tempo do natal essas imagens fixam-se em nossos corações, de modo a confirmar que o Natal do senhor é fruto das núpcias de Deus com a humanidade, simbolizada em Maria de Nazaré.

No caso da celebração desse domingo, às vezes costumamos “estrangular” o sentido fundamental da imagem da família de Nazaré, fazendo-se notar somente seu sentido puramente humano, e na pior das hipóteses, moral: a família de Nazaré como modelo “histórico” de estruturação familiar. A condição idealizada, empobrece e romantiza a interpretação dos textos e ritos nesse dia. Os textos evangélicos devem conduzir nosso olhar para Cristo Jesus e sua relação com a Igreja e o mundo, na qual ela existe. Embora a vida familiar seja importante, ela não deve ofuscar o centro da celebração.

O sentido da família de Nazaré

É bem verdade que os textos eucológicos nos apresentam uma linguagem ambígua, que, aos mais desavisados, pode levar a uma leitura reducente do significado desta celebração. A Oração do Dia, por exemplo, fala em exemplo e virtudes da Sagrada Família, mas não evidencia quais são. O mesmo se diga da oração depois da comunhão. Já a oração sobre as oferendas nos dá um viés interessante: firmeis as nossas famílias na vossa graça.
Aqui temos a chance de nos aproximar do aspecto do mistério da celebração, isto é, da possibilidade de nossa participação: Jesus habita no seio da família de Nazaré, revelando como lugar de manifestação da glória de Deus. Ela, a família de Nazaré, é ícone primeiro da comunidade dos fiéis e depois da humanidade inteira, que se deixa conduzir pela vontade do Senhor e se põe a seu serviço. O casal, Maria e José, acolhem em seu seio familiar, o Verbo de Deus. É portanto, a Palavra de Deus núcleo gerador daquela família e por decorrência, de toda família que se entenda cristã. Sua existência está vinculada à atuação da graça divina. Todos são Filhos do Mandamento, em Jesus.

Em Jesus, Deus relaciona a família humana com a divina. O terceiro prefácio do Natal é oportuno para esta liturgia e nos fornece a chave com a qual devemos celebrar: “Por ele (Cristo) realizou-se neste dia o maravilhoso encontro que nos faz renascer, pois, enquanto vosso Filho assume nossa fraqueza, a natureza humana recebe uma incomparável dignidade; torna-se de tal modo um de nós que nos tornamos eternos.”

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Celebramos hoje o mistério de Jesus no Templo, como fonte de vida familiar. “Somente em sua dimensão pascal, só no Templo é que Jesus pode ser encontrado. Não adianta procurá-lo fora do Templo. O que significa isso? O Templo significa habitação de Deus, o lugar onde se encontra Deus. Jesus encontra-se em Deus: ‘Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?’. Estar na casa de seu Pai, fazer a sua vontade, viver na dimensão pascal, significa para Jesus a mesma coisa. Também hoje Jesus poderá ser encontrado somente no Templo, isto é, na Casa do Pai, ou seja, a partir de Deus, em Deus. Até Maria e José tiveram dificuldade de entender mistério[…]. À luz dessa realidade Jesus podia descer com eles para Nazaré e ser-lhes submisso. E sua mãe conservava a lembrança de todos esses fatos em seu coração. Aos poucos ela foi compreendendo a dimensão pascal e divina da vocação de seu Filho.

O mesmo mistério manifesta-se na família humana, Somente no Templo, somente na casa de Deus, isto é, a partir de Deus, os membros que compõem a família poderão perceber a vocação de cada um. Somente em Deus, […] os esposos hão de conhecer-se e amar-se mutuamente, sendo um para o outro comunicação de facetas diferentes do próprio Deus. Somente quando a família for um templo de Deus, pequena Igreja, os pais acolherão e guiarão os filhos, respeitando sua personalidade na vocação de cada um. Somente quando todos se sentirem acolhidos na Casa do Pai, isto é, em Deus, os filhos retribuirão ao amor dos pais com amor e carinho […].

Este domingo bem pode ser chamado de Dia da Família. “Celebremos, pois, os valores da família na missa e na intimidade de nossos lares.”

Na liturgia eucarística louvamos a Deus pela encarnação de seu Filho no seio de uma família humana. Louvamos a Deus, sobretudo porque, estando no Templo, isto é, totalmente imerso o âmbito sagrado da vontade do Pai, ele veio restaurar o universo e libertar o ser humano: “Ao tornar-se ele um de nós, nós nos tornamos eternos”. Nós nos tornamos eternos em virtude de sua morte e ressurreição, cuja memória celebramos na eucaristia. Ao participarmos deste memorial, recebendo o corpo entregue e o sangue derramado de Jesus, em meio a tantas dificuldades da vida, nós assimilamos o exemplo da Sagrada Família para que, com ela, possamos um dia cantar a vitória final no pleno convívio familiar em Deus. Por isso que, após a comunhão, o sacerdote reza em nome de todos: “Concedei-nos, ó Pai, na vossa bondade, que, refeitos com o vosso sacramento, imitemos continuamente a Sagrada Família, e após as dificuldades desta vida, convivamos com ela no céu”. Que assim seja, meus irmãos!

6- ORIENTAÇÕES GERAIS

1. As cores das vestes litúrgicas normalmente é o branco, porém, talvez seja bom lembrar que nos dias festivos a Introdução Geral do Missal Romano nº 309 prevê o uso de “vestes litúrgicas mais nobres, mesmo que não sejam da cor do dia”. Seria o caso de se usar vestes festivas. Algumas comunidades usam cores festivas como expressão de nossa cultura.

2. Não podemos esquecer que a Festa da Sagrada Família é uma festa natalina, não podemos fazer da celebração uma missa temática sobre a família.

3. Nossa comunidade é uma família. Quando se reúne em assembléia para ouvir a Palavra e celebrar a ceia do Senhor, torna-se ela mesma lugar privilegiado da presença do Senhor (Templo vivo do Espírito).

4. Cada pessoa que chega deve sentir-se de fato na Casa aconchegante de Deus. Por isso, é de suma importância que todos sejam bem acolhidos, num espaço também acolhedor. Não de Maneira formal, artificial, como acontece muitas vezes em ambientes de prestação de serviços públicos. Mas de maneira profundamente humana, carinhosa, afetuosa, divinamente humana. Acolher na celebração é uma forma de oração!

5. Ao anunciar os cantos, cuidado com alguns possíveis “cacoetes”. Por exemplo, “vamos acolher o celebrante com o canto tal”, ou “vamos cantar o número tal”. Primeiro: a finalidade do canto inicial não é acolher o celebrante, mas fazer com que a comunidade, cantando, já faça a experiência de ser acolhida por Deus em sua casa. Segundo: celebrante é toda a assembléia, e a pessoa que normalmente costumamos chamar de “celebrante” é o presidente da assembléia celebrante. Terceiro: nunca se canta o “número” e sim o canto, que tem letra e música próprias para o momento celebrativo.

6. Valorizar hoje: presépio, flores, luzes, estrelas, vestes brancas ou coloridas e onde for possível, dança litúrgica.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo do Tempo do Natal, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo do Natal, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

1 Canto de abertura. Maria, José e os pastores junto ao presépio (Lucas 2,16). Sem dúvida, o canto de abertura mais adequado pra esse dia é: “Nasceu-nos, hoje, um Menino”, Salmo 98, CD: Liturgia V, melodia da faixa 6.

Não se trata de rigidez. A Igreja oferece ainda duas outras opções. A primeira é o Salmo 67/66: “Tua bênção, Senhor, nos ilumine”. Destaque para a estrofe que fala: “Deus se compadece e de nós se compraz, em nós resplandece seu rosto de paz”, CD: Liturgia V, faixa 11. A segunda opção é o canto “Nasceu a flor formosa, da tribo de Jessé”, Hinário Litúrgico I da CNBB, página 79. Como canto de abertura, não podemos deixar de entoar um desses cantos que nos introduzem no mistério a ser celebrado.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico I da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD Liturgia V.

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de Louvor (Glória) é, sem dúvida, um dos momentos altos da celebração. Deve ser cantado solenemente por toda a assembléia. Deve-se estar atento na escolha dos cantos para o momento do glória. Ideal seria cantar o texto mesmo, tal como nos foi transmitido desde a antiguidade, que se encontra no Missal Romano, ou, pelo menos, o mesmo texto em linguagem mais adaptada para o nosso meio e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores (como já existe!). Evitem-se, portanto, os “glórinhas” trinitários! O hino de louvor (glória) não de caráter Trinitário e sim Cristológico. Pode ser acompanhado de uma coreografia feita por um grupo de crianças e ao som de sinos, onde houver.

3. Salmo responsorial 127/128. Bênção da família do justo. “Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!” CD: Liturgia V melodia da faixa 9.

Para a Liturgia da Palavra ser mais rica e proveitosa, há séculos um salmo tem sido cantado como prolongamento meditativo e orante da Palavra proclamada. Ele reaviva o diálogo da Aliança entre Deus e seu povo, estreita os laços de amor e fidelidade. A tradicional execução do Salmo responsorial é dialogal: o povo responde com um refrão aos versos do Salmo, cantados um ou uma salmista. Deve ser cantado da mesa da Palavra.

4. O canto ritual do Aleluia. A paz de Cristo e sua Palavra habitem em vós (Colosseses 3,15a.16a). Aleluia… que a paz de Cristo reine em vossos corações”, CD: Liturgia V, melodia da faixa 3. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

A aclamação ao Evangelho é um grito do povo reunido, expressando seu consentimento, aplauso e voto. É um louvor vibrante ao Cristo, que nos vem relatar Deus e seu Reino no meio das pessoas. Ele é cantado enquanto todos se preparam para ouvir o Evangelho (todos se levantam, quem está presidindo vai até ao Ambão).

5. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração no Tempo do Natal do Senhor. “Nas terras do Oriente, surgiu dos céus uma luz”, CD: Liturgia V, melodia da faixa 10.

Para essa ação ritual, a Igreja oferece outras opções: “Celebremos com alegria”, Hinário Litúrgico I, página 63; “Belém é aqui, aqui é Natal”, Hinário Litúrgico I, página 62.; “Chegou a hora de sonhar de novo…”, Hinário Litúrgico I, página 64; “Vinde, Cristãos, vinde à porfia…”, Hinário Litúrgico I, página 90.

6. Canto de comunhão. Deus conviveu com a humanidade (Baruc 3,38). “Da cepa brotou a rama”, CD: Liturgia 5, melodia da faixa 5. “Nasceu em Belém e Belém quer dizer: a casa do pão”, Hinário Litúrgico I, página 80; “Nasceu a flor formosa da tribo de Jessé” Hinário Litúrgico I, pagina 79. Outra ótima opção é o canto: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”, João 1,14 e estrofes do Salmo 147, “Louva Jerusalém, louva o Senhor teu Deus”, Hinário Litúrgico I, página 35. Estes quatro cantos retomam o Evangelho na comunhão de maneira autentica. Veja orientação abaixo.

7. Canto de louvor a Deus após a comunhão. Cantar o Magnificat que é o canto de Maria. “O senhor fez em mim maravilhas”.

8- Canto final. “Vinde Cristãos, vinde à porfia”, Hinário Litúrgico I, página 90. Todos se aproximam do presépio para uma adoração durante o canto final.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Uma orientação para o Tempo do Natal: Usar o recurso da iluminação na igreja e também no presépio, com foco de luz sobre a imagem do Menino na manjedoura. Evite-se, no máximo, o uso de pisca-piscas, tanto no presépio como em árvores de Natal dentro do espaço da celebração como em muitas comunidades se faz! É que o show de pisca-piscas durante a missa transforma-se em “ruído”, “rouba a cena”, pois distrai as pessoas do verdadeiro centro de atenção, que é o mistério celebrado na mesa da Palavra e na mesa da Eucaristia. . São símbolos da onda consumista das festas natalinas e de final de ano que invade as mentes e os corações das pessoas já desde o mês de outubro. Não se deixem influenciar por esta onda consumista que queima etapas e deturpa o Mistério do Natal. Evitem-se também músicas comercias de Natal.

2. Sem dúvidas, a celebração do Natal do Senhor deve fazer-se notar pela ornamentação do espaço e por sua iluminação. Estamos muito acostumados em nossos templos, à iluminação direta e exagerada, o que causa dispersão na assembléia. A experiência das trevas nos ajuda a perceber a força da importância da luz. Sugerimos que, na celebração da noite, o templo esteja na penumbra. Pelo espaço, podem ser espalhadas diversas velas coloridas, que deverão ser acesas no momento oportuno. Em destaque esteja o Círio Pascal

9. AÇÃO RITUAL

Deus ao tomar parte na família humana, revela-se não mais apenas como Criador, mas como Redentor, no sentido de ser aquele que recupera a dignidade ferida do mundo e da humanidade e paga um preço para isso: tornar-se humano e estar sujeito à morte. Para garantir a vida, submete-se à morte. Por isso a vence. A celebração da Sagrada Família nos faz participar deste mistério e abre nossa consciência para a importância das relações familiares (não só consangüíneas) na construção do Mundo de Deus.

Ritos Iniciais

1. Lembrando a Sagrada Família de Jesus, Maria e José, sugere-se que uma família participe com os ministros na procissão de entrada para a celebração levando a imagem da Sagrada Família.

2. Entoe-se o Canto de Abertura “Nasceu-nos hoje um Menino ou “Nasceu a flor formosa da tribo de Jessé” e lembrando a Sagrada Família de Jesus, Maria e José, sugere-se que uma família participe com os ministros na procissão de entrada para a celebração levando a imagem da Sagrada Família.
3. Para saudação presidencial poderá ser inspirada em Gálatas 4,4:

O Deus que, na plenitude dos tempos, enviou o seu Filho nascido de uma mulher, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.
Todos: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

4. Em seguida, dar o sentido litúrgico da celebração. O Missal deixa claro que o sentido litúrgico da celebração pode ser feito pelo presidente, pelo diácono um leigo/a devidamente preparado (Missal Romano página 390). Em seguida propõe o sentido litúrgico:

Domingo da Sagrada Família de Mazaré. Com os pastores, vamos a Belém encontrar o Menino Jesus com Maria e José. Demos graças ao Pai por Jesus ter nascido numa família humana, trazendo esperança para todas as famílias da terra.

5. Após a saudação do altar e da assembleia, seguido ao sentido litúrgico onde for possível sugerimos, o rito da Recordação da Vida. Conforme as circunstâncias, pode-se ouvir as alegrias, as dificuldades e os sonhos das famílias presentes. Pode ser preparado com antecipação ou feito de maneira espontânea (sendo que este último caso é o mais apropriado para as comunidades pequenas e que já tenham certo costume com o rito, para que não o transformem em um momento de súplicas, ação de graças ou intercessão). A equipe pode criativamente ajudar a comunidade a recordar acontecimentos e pessoas em que se reconhece hoje a passagem libertadora de Deus. Nessa Recordação da Vida, pode-se escolher acontecimentos da vida da comunidade, da Paróquia, da Diocese e da sociedade como um todo que revelam a presença salvadora de Deus.

6. O Ato penitencial pode ser feito conforme a primeira fórmula do Missal Romano, página 395.

Senhor, Filho de Deus, que nascendo da Virgem Maria, vos fizestes nosso irmão, tende piedade de nós.

7. O Hino de Louvor (Glória) é, sem dúvida, um dos momentos altos das celebrações natalinas. Deve ser cantado solenemente por toda a assembleia. Deve-se estar atento na escolha dos cantos para o momento do glória. Ideal seria cantar o texto mesmo, tal como nos foi transmitido desde a antiguidade, que se encontra no Missal Romano, ou, pelo menos, o mesmo texto em linguagem mais adaptada para o nosso meio e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores (como já existe!). Evitem-se, portanto, os “glórinhas” trinitários! O hino de louvor (glória) não de caráter Trinitário e sim Cristológico. Pode ser acompanhado de uma coreografia feita por um grupo de crianças e ao som de sinos, onde houver.

8. Na Oração do dia suplicamos ao Deus de bondade que nos ajude a imitar em nossos lares as virtudes da Sagrada Família para que possamos ficar unidos pelos laços do amor.

Rito da Palavra
1. Dar destaque especial à Liturgia da Palavra, proclamando bem as leituras, especialmente o Evangelho. O Evangeliário pode ser acompanhado de tochas e incenso. E a proclamação deve ser feita de tal maneira que a comunidade viva e experiência da Encarnação de Jesus o Verbo (Palavra) que se fez carne e habitou entre nós. Palavra que é o próprio Cristo, recebendo acolhida na assembléia reunida, seu Corpo. Ao final da leitura e do Evangelho, nunca se deve dizer “Palavras do Senhor” e “Palavras da Salvação”, mas “Palavra do Senhor” e “Palavra da Salvação” (usa-se o singular, pois é Jesus, a Palavra do Pai, que acabou de falar!). A Palavra é realçada também por momentos de silêncio, por exemplo. Após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecendo a atitude de acolhida à Palavra de Deus. No silêncio, o Espírito torna fecunda a Palavra no coração da comunidade e de cada pessoa. Nunca é demais insistir: proclamem-se bem as leituras até mesmo fazendo um breve silêncio entre cada uma delas. Por exemplo, após o salmo responsorial, não iniciar logo a segunda leitura. Dar uma pequena pausa para assimilar-se a riqueza do salmo.

2. Hoje a primeira leitura poderia ser proclamada por um pai ou um jovem. Mas preparar bem antes! A preparação prévia é de suma importância. Antes de ler, é preciso primeiro mergulhar na Palavra, rezar a Palavra. Pois “na liturgia da Palavra, Cristo está realmente presente e atuante no Espírito Santo. Daí decorre a exigência para os leitores, ainda mais para quem proclama o Evangelho, de ter uma atitude espiritual de quem está sendo porta-voz de Deus que fala ao seu povo”.

3. Cuide-se para que a homilia promova a família como sinal do amor de Deus no mundo. Evite-se, portanto, um tom moralista, doutrinário e excludente.

4. Na Profissão de fé (Creio), usar o “Símbolo de Nicéia- Constantinopla” é mais extenso e mais completo que o “símbolo apostólico” que se costuma usar todos os domingos. No Natal, como em outros dias festivos, é interessante usar o primeiro, que fala mais sobre a Encarnação do Filho de Deus: “Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito do Pai, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós homens e para a nossa salvação, desceu dos céus; e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem (…)”. Durante as palavras “e se encarnou”, todos se ajoelham em sinal de adoração.

Rito da Eucaristia

1. Uma ou mais famílias – a depender do número de pessoas – pode ser convidada a entrar com os dons do pão e do vinho, na procissão das ofertas.

2. Na Oração sobre o pão e o vinho, suplicamos a Deus que confirme nossas famílias na Sua graça e Sua paz.

3. Sugerimos o Prefácio do Natal do Senhor, III que destaca a dignidade da existência humana e o intercâmbio no mistério da Encarnação. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “Por ele, realiza-se hoje o maravilhoso encontro que nos dá vida nova em plenitude. No momento em que vosso Filho assume nossa fraqueza, a natureza humana recebe uma incomparável dignidade: ao tornar-se ele um de nós, nós nos tornamos eternos”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na celebração, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

4. A Oração Eucarística I (ou Cânon romano) é um pouco mais longa, mas tem a vantagem de oferecer uma parte própria para o Natal: “Em comunhão com toda a Igreja, celebramos o dia santo (a noite santa) em que a Virgem Maria deu ao mundo o Salvador. Veneramos também a mesma Virgem Maria e seu esposo São José”.

5. Onde for possível antes da Oração Eucarística, isto é, antes do diálogo inicial, a comunidade seja convidada a proclamar as esperanças que animam, hoje, a caminhada das famílias.

6. Na celebração da Palavra, onde não houver Missa, após o rito da Palavra, cantar a Louvação do Natal sugerida no Hinário Litúrgico I, CNBB, página 74.

Ritos Finais

1. Na Oração após a comunhão suplicamos a Deus Pai de todos os dons, que nos ensine a reconhecer os Seus benefícios e a importância da convivência eclesial.

2. Bênção especial, com imposição das mãos sobre as famílias presentes e oração própria. Em seguida, abençoar toda a comunidade com a fórmula solene, e própria do Tempo do Natal (cf. Missal Romano, página 520).

3. Convidar todas as famílias a se aproximarem da imagem ou ícone da Sagrada Família. Colocar um braseiro nos pés da imagem. Um pai, ou numa mãe ou um filho se aproxima do braseiro e coloque o incenso. Neste momento cantar a primeira parte e o refrão da Oração da Família do Pe. Zezinho. Em seguida quem preside entende as mãos sobre as famílias e faz a bênção:

Ò Deus bendito, em Jesus, teu Filho e Senhor Nosso, vieste dignificar a família humana. Nós vos bendizemos, Senhor nosso Deus, pois quisestes que o vosso Filho feito homem participasse da família humana e crescesse em estrita intimidade familiar, para conhecer as aflições a provar as alegrias de uma família.
Senhor, nós vos rogamos humildemente por estas famílias; protegei-as e guardai-as, para que confortadas com o dom de vossa graça, gozem de paz e harmonia e dêem no mundo testemunho de vossa glória, agindo como verdadeira Igreja doméstica. Por Cristo nosso Senhor. Amém!

4. As palavras do rito de envio podem estar em consonância como mistério celebrado: A alegria do Senhor seja a vossa força. Esposas, maridos e filhos, vivam no amor de Deus. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

5. Momento de adoração. No final, seguir em procissão até o presépio e convidar todos a se aproximarem do mesmo, símbolo do Natal e cantar: “Belém é aqui, aqui é Natal…”, Hinário Litúrgico I, página 62 “Celebremos com alegria o dia em que Jesus nasceu…”, Hinário Litúrgico I, página 63; “Vinde Cristãos, vinde à porfia…”, Hinário Litúrgico I, página 90. Onde houver “Folia de Reis”, convidar para este momento com seus cantos populares para homenagear o Menino Deus, uma espécie de auto de Natal (canto, dança no final da celebração).

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Natal é a presença transformadora de Deus na vida e na história das pessoas. Na festa do natal, desfrutamos desta presença de Deus. Mas também somos responsáveis por sua difusão no mundo das pessoas.

Quando assim celebramos o Natal, não será somente o nascimento do Menino Jesus; será o nascimento de um mundo novo, do mundo como Deus o quer: cheio de bondade, de amor, de justiça, de paz. Então “Deus será tudo em todos” (cf. 1Coríntios 15,28).

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
pe. Benedito Mazeti