FESTA DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE – ANO C – 12/12/2018

FESTA DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE – ANO C – 12/12/2018

11/12/2018 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Fonte: ACI Digital

 

12 de Dezembro de 2018

 

Leituras

Gálatas 4,4-7. Se és filho, és também herdeiro.

Salmo 95/96,4-9. Cantai ao Senhor Deus um canto novo.

Lucas 1,39-47. Maria entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.

 

 

“BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES E BENDITO É O FRUTO DO TEU VENTRE”

 

 1- PONTO DE PARTIDA

 

Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira principal da América Latina. O primeiro sinal de Nossa Senhora foi sua aparição em Guadalupe, México em 1531. Um indígena chamado Juan Diego da colina de Tepeyac, teve uma bonita visão providencial da Virgem Mãe. Mãe do Senhor e de toda a humanidade, ela manifesta-se em nosso continente como protetora dos pequenos e defensora dos oprimidos. A imagem de Nossa Senhora apareceu impressa no manto do indígena San Juan Diego, período de grande opressão espanhola no México.

 

Em 1724, escrevia o Papa Bento XIV a respeito de Nossa Senhora de Guadalupe: “Nela tudo é milagroso: uma imagem que provém de flores colhidas  num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros; uma Imagem estampada numa tela tão rala que, através dela, pode-se enxergar o povo e a nave da Igreja tão facilmente como através de um filó; uma Imagem em nada deteriorada, nem no seu supremo encanto, nem no brilho de suas cores, pelas emanações do lago vizinho que, todavia, corroem a prata, o ouro e o bronze… Deus não agiu assim com nenhuma outra nação”. Juan Diego foi canonizado pelo papa João Paulo II no dia 31 de julho de 2002.

 

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

 

Contemplando os textos

 

Segunda leitura – Gálatas 4,4-7. O apóstolo Paulo afirma que Ele veio como filho de mãe humana. O pensamento desta passagem é dominado por duas frases semelhantes: “Deus enviou seu Filho” e “Deus enviou o Espírito de Seu Filho”. Na primeira parte da passagem (versículos 4-5) Paulo afirma que a vinda do Filho de Deus ao mundo marca a plenitude dos tempos. Na segunda parte (versículos 6-7), que todos os cristãos – sejam eles convertidos do judaismo, seja do paganismo – participam desta plenitude pelo dom do Espírito Santo. Os cristãos devem esta participação na plenitude pelo fato de que o Filho de Deus se solidarizou com todas as pessoas até o pleno esvaziamento de Si mesmo.

 

A Encarnação não é, portanto, a plena realização da plenitude dos tempos. É, antes, a inauguração da mesma. O Filho de Deus solidariza-se com os homens, para que eles, adotados como filhos de Deus e equipados com o Espírito do Filho de Deus, levassem os tempos à sua plenitude. E isto se faz, solidarizando-se com os semelhantes, libertando-os de toda a espécie de escravidão e discriminação, e levando-os à dignidade humana natural e sobrenatural e fazendo-os herdeiros dos bens divinos, do mesmo modo como Cristo o fez a respeito deles, isto é, pelo esvaziamento de si mesmo (cf. Filipenses 2,6-11).

 

Ele nasceu submisso à lei, como sua Mãe, para que nos tornássemos filhos do mesmo Pai. Tornando-nos filhos, Deus enviou-nos o Espírito de seu Filho para que possamos clamar: Paizinho! A partir do mistério da Encarnação não somos escravos, mas filhos e filhas e também herdeiros.

 

Salmo responsorial 95/96,1-3.11-13.  Com o Salmo 95/96, resposta à Palavra de Deus, mesmo sendo um salmo de realeza, é também um hino de louvor. Israel tem por ofício louvar a Deus, e com este louvor leva todos os povos a conhecer a Deus. A eleição de Israel é missionária, seu louvor é testemunho. A ação criadora demonstra o poder de Deus.

 

O rosto de Deus no salmo. O Senhor sempre merece um canto novo porque é Criador, libertador universal. Canto novo, a todo momento porque a sua Criação não é coisa do passado, ela se renova em cada ser humano, animal e planta que nasce. A Criação também se renova através do nosso trabalho. Além de Criador, Deus é Libertador universal, (as “maravilhas” do versículo 3b recordam a saída do Egito) e, sobretudo, o Rei universal O seu governo e administração se caracterizam pela retidão, (versículo 10b), justiça e fidelidade (13b). O Senhor é um aliado da humanidade, soberano do universo e da história. Devemos proclamar isto, desmascarando tudo o que pretende ocupar o lugar de Deus. A criação inteira é convidada a festejar nosso Deus que sempre vem!

 

O tema da realeza de Jesus está presente em todos os evangelhos. Mateus mostra que Jesus traz uma nova prática da justiça para todos, e isso faz acontecer o reinado de Deus na história. Os contatos de Jesus com os não judeus demonstram que seu Reino não tem fronteiras e que seu projeto é o de um mundo cheio de vida para todos.

 

Por Ele, bendizemos nosso Deus e nos alegremos. Expressemos também nossa confiança, pois sabemos que Ele virá “julgar a terra inteira” e seu julgamento será justo. Cantemos ao Senhor nosso Deus porque Ele se revela na humanidade de Jesus e se faz presente em nossas vidas.

 

R: MANIFESTAI A SUA GLÓRIA ENTRE AS NAÇÕES.

 

Evangelho – Lucas 1,39-48. O Evangelho nos fala de Maria, grávida, indo com pressa visitar (mulher de Zacarias), grávida também; grávida do futuro profeta João Batista, preparador do povo para acolher a vinda do Salvador. O Evangelho fala de Izabel cheia do Espírito Santo, com a criança pulando de alegria no seu ventre. Assim que viu Maria, ela exclamou num grito: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?”. Estas palavras resumem a felicidade imensa de um povo pobre e “machucado” pela corrupção e pela violência das autoridades romanas e religiosas; um povo pobre que, de repente, vê com os próprios olhos e sente em si mesmo a presença de um futuro promissor de plena paz.

 

Nada mais simples e corriqueiro do que a viagem de uma moça à casa de uma parente para ajudá-la nos afazeres domésticos durante os últimos meses da gravidez. Lucas percebeu com uma clareza incomparável que as maravilhas de Deus se realizam neste nível de vida, isto é, nessa ajuda simples e corriqueira. Maria, ao ouvir que a parente dela, apesar da idade avançada, estava grávida, foi ao encontro dela. Uma viagem de mais ou menos 150 km, isto é, de três ou quatro dias.

 

A ideia que se traz presente nesta narrativa é a da transferência da Arca da Aliança para Jerusalém (2 Samuel 6,2-11). Tanto num como no outro relato a viagem se realiza no país de Judá, em direção a Jerusalém (versículo 39; cf. 2Samuel 6,2), provoca as mesmas manifestações  de alegria (versículos 42.44 e 2 Samuel 6,2),  e até as “danças” sagradas (versículo 44) em que a criança “salta” no seio da mãe:  cf. 2 Samuel 6,12). A casa de Zacarias (versículo 40) torna-se réplica da casa de Obed-Edom (2 Samuel 6,10) e Maria é a fonte de bênção como outrora o era a Arca (2 Samuel 6,9). Finalmente, Maria, como a Arca, permanece três meses na casa dos que a hospedam (versículo 56; cf. 2 Samuel 6,11).

 

O anjo aparece, inicialmente em Lucas 1,17 no Templo a Zacarias; seis meses depois (180 dias) a Maria (Lucas 1,26), após nove meses (270 dias) Cristo nasce, e 40 dias mais tarde é apresentado no Templo de Jerusalém. Ora, esses números perfazem um total de 490 dias ou setenta semanas! Cada etapa é, aliás, assinalada pela expressão “completados os dias…” (Lucas 1,23; 2,6; 2,22), que dá aos eventos a significação de cumprimento profético.

 

Por trás deste simbolismo, esconde-se a ideia diretriz de São Lucas: os fatos que envolvem o nascimento de Jesus realizam, ao mesmo tempo, a profecia de Malaquias 3 e as da setenta semanas de Daniel. Sob os traços de Gabriel, Deus já enviou seu anjo a Zacarias (Malaquias 3,1; cf. Lucas 1,5-25); resta agora, ao próprio Deus, fazer sua aparição no Templo (Malaquias 3,2). A partida de Maria conduz seu filho até Judá; a segunda etapa será a subida, propriamente dita, a Jerusalém em Lucas 2,22-38, que termina com a apresentação oficial da criança no Templo onde estava presente o idoso Simeão e a viúva e profetiza Ana.

 

Maria é a verdadeira morada de Deus entre as pessoas. Lucas o demonstrou, comparando-a à Arca ou a Sião. Deus, pois, não mais habita num templo de pedras, mas em pessoas vivas. Seguindo Maria, cada cristão é, no mundo, sinal da presença de Deus. São as suas atitudes na vida e seus engajamentos – não mais as pedras sagradas – edificam a habitação divina na terra. Por mais profana que seja a vida de um cristão é agora mais imbuída de presença do que um templo consagrado ou uma Arca de Aliança. A Eucaristia dá a nossas vidas tal densidade.

 

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

 

Voltemos ao Evangelho. O que vemos? Um encontro entre duas mães agraciadas com o dom da fecundidade e da vida. Um encontro entre duas crianças, o Precursor e o Salvador, sob o dinamismo do Espírito Santo. O Deus Trindade revelando-se nos pobres e fazendo deles sua morada permanente: “O Pai havia revelado a Maria o dom feito a Isabel, a marginalizada porque era estéril […]; o Espírito Santo revela a Isabel que Maria, a serva do Pai, se tornou ‘Mãe do Senhor’. Assim a Trindade entra na casa dos pobres humilhados que esperam a libertação”. E são os pobres que “proclamam a misericórdia do Deus que se lembra dos pobres, vem morar com eles porque os ama, trazendo-lhes a plenitude da salvação”.

 

Isabel chama Maria de “bendita”. Na Bíblia, as pessoas falam assim quando descobrem a presença do Deus que salva. Maria é chamada de “bendita” porque é vista como o lugar privilegiado onde se experimenta Deus. E, Mais, na cena se percebe o Antigo Testamento (representado por Isabel e João) bendizendo o Novo que irrompe (simbolizado por Maria e Jesus); o Antigo Testamento reconhecido a nova humanidade que se está formando no seio de Maria. É a misericórdia de Deus para com a humanidade agora se revelando em Jesus que vem para salvar.

 

Interessante que Isabel elogia Maria e a chama de feliz, porque acreditou que as coisas ditas pelo Senhor iriam se cumprir. Neste sentido, Maria, feita totalmente serva do Senhor, aparece como perfeito modelo do discípulo. “Felizes os que ouvem a Palavra de Deus e a observam”, dirá Jesus mais tarde.

 

“Bendito o fruto do teu ventre”, proclama Isabel. Sim, ali está um corpo que veio para fazer a vontade do Pai: “Eis que eu venho […], ó Deus, para fazer a tua vontade”. Isto é, através da entrega total e permanente de si em favor do resgate da dignidade humana “ferida”, Cristo vem e sela uma nova história da humanidade. Vontade feita não mais de sacrifícios de animais para homenagear Deus, como antigamente, mas do sacrifício do seu próprio corpo para salvar as pessoas. Sendo assim, Jesus tornou-se exemplo para todos nós. Natal é acolher Jesus e essa acolhida só será verdadeira se, com ele, dissermos: “Aqui estamos! Em parceria com Deus, unidos a Jesus e na dinâmica do Espírito Santo, vamos construir um mundo mais humano”.

 

A Palavra de Deus nos mostra, portanto, o lugar social onde Deus se encarna a fim de construir uma nova sociedade: “Ele se encarna nos pobres e nos meio deles, trazendo-lhes plenitude de vida e salvação. À semelhança de Maria, Zacarias, Isabel e João, os marginalizados são hoje o lugar privilegiado onde se experimenta Deus. O clima de alegria que invadiu João Batista no seio de sua mãe se traduz hoje nas expectativas e esperanças do povo que espera a libertação. Benditos os pobres que creem, aguardam e fazem a hora da libertação! Benditos os que descobrem neles a presença do Deus que salva! Jesus é a oferta que agrada ao Pai e santifica as pessoas. Seu corpo entregue é salvação, perdão e esperança que já começa a se concretizar na comunidade dos que fazem a vontade do Pai. A melhor resposta a ser dada à gratuidade da salvação é a entrega pessoal e comunitária: ‘Estamos aqui para fazer a tua vontade’”.

 

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

 

A Igreja é a Casa da Palavra

 

“Cumpra-se em mim tua Palavra”. A Palavra da Salvação se faz gente no ventre da Mãe Maria. A fé cristã entende que, em Jesus, Deus realiza aquilo que desde a criação guardou para Israel e foi revelando pelo trabalho dos reis, pela voz dos profetas e pela lira dos cantores. No boca de Maria, imagem do povo de Israel em aliança com seu Senhor, ícone da fidelidade ao pacto que seus antepassados aceitaram de Deus, ressoa o sim às suas promessas. Não por outro motivo, ela é chamada Arca da Aliança, uma referência clara à “shechinah” (divina presença) que peregrina em meio ao povo, guardada em seu interior. É imagem da Igreja, ainda por ser claramente “Casa da Palavra”, pois em seu seio está o Verbo feito carne. Conseqüentemente se torna “Bet-Lehem”, Casa do Pão, pois o Verbo feito carne deu a si mesmo como alimento, para que vivamos a vida que o anima.

 

Ao celebrar Palavra, proclamando as narrativas e cantando os hinos das Escrituras, a comunidade cristã ocupa o seu lugar e se reconhece não somente grávida do Verbo, mas, sobretudo, lugar onde Ele se torna história, na concretude da vida no mundo.

 

O Espírito santifica

 

O mesmo Espírito nos santifica na caminhada. A Liturgia celebrada é interpretação cultual e existencial das Escrituras. Nesse sentido, aquilo que é “dito” nos textos é “visto e vivido” nos ritos. Podemos notar esse “procedimento” na oração sobre as oferendas, que reza: “(…) o mesmo Espírito que trouxe a vida ao seio de Maria, santifique estas colocadas sobre o vosso altar” e poderíamos completar com a epiclese sobre os comungantes: “afim de que participando do Corpo e Sangue de Cristo sejamos reunidos pelo (mesmo) Espírito Santo num só corpo”. Quando nos reunimos, portanto, no amor de Cristo, faz-se a passagem do “antigo” para o “novo”, não só dos “Testamentos”, passagem essa em que reconhecemos o Novo realizando o Antigo se florescendo no Novo, mas, sobretudo, da velha criatura que rejuvenesce e volta à condição de parceira fiel de Deus.

 

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

 

           Nesta Terceira Semana do Advento, vivemos este grande mistério: a Virgem de Guadalupe aparece na estampa grávida, mostrando também que a Igreja está grávida de Cristo. Está para dar à luz Jesus, no hoje do nosso tempo: Deus vem morar entre os empobrecidos; encarnar-se neles para salvá-los.

 

Para que isso aconteça, basta que nos coloquemos na atitude de Maria: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo tua palavra”. Ou na atitude de Cristo, quando entrou no mundo: ‘Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade’ (Hebreus 10,7b). ‘Graças a esta vontade é que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas’, a exemplo de Maria.

 

Em cada eucaristia tornamo-nos, em Cristo, corpo dado, dispostos a colocar-nos a serviço dos necessitados, a exemplo de Maria.

 

Por Maria, o Senhor nos visita, trazendo a salvação. Motivo de alegria e de ação de graças! Cabe a nós visitar os necessitados, levando em nós o Cristo, para que também eles exultem de alegria no Senhor. Felizes de nós se acreditarmos!”.

 

É precisamente celebrando a eucaristia que sentimos que a salvação nasce dos pobres aos quais Maria tão bem representa. Por isso, na oração eucarística, louvamos, bendizemos e glorificamos a Deus pelo mistério da Virgem Maria, Mãe de Deus. Como o sacerdote proclama no Prefácio: “[Se] do antigo adversário nos veio a desgraça, […]os pobres e nos meio deles, trazendo-lhes plenitude de vida e salvaç onde Deus se encarna a gim de construir uma nova sociedade do seio virginal da Filha de Sião germinou aquele que nos alimenta com o pão do céu e garante para todo gênero humano a salvação e a paz”. Sim, bendito seja Deus, pois “em Maria é-nos dado de novo a graça que por Eva tínhamos perdido. Em Maria, mãe de todos os seres humanos, a maternidade, livre do pecado e da morte, se abre para uma nova vida”. Realmente, “se grande era a nossa culpa, bem maior agora se apresenta a divina misericórdia em Jesus Cristo, nosso Salvador” (Prefácio do Advento IIA).

 

Celebrando a eucaristia, entramos em comunhão com o Pobre mais pobre de todos os pobres: O Verbo eterno do Pai, que, nascido da Virgem Maria, viveu em tudo a condição humana (menos o pecado!), morreu e ressuscitou pela salvação de todos e agora, na condição humilde de pão e vinho, torna-se corpo entregue e sangue derramado. Comungando deste corpo entregue e deste sangue derramado, assimilamos o Pobre que Cristo é, para que com ele também nós sejamos servos uns dos outros na construção de uma sociedade nova, em que reine a justiça, a comunhão e a paz. É isso que Deus quer de nós, ao celebrarmos o Natal do Senhor.

 

6- ORIENTAÇÕES GERAIS

 

  1. Valorize-se, especialmente, a acolhida de todos que vêm para a celebração, com a mesma alegria que Isabel (grávida de João Batista) acolheu a Virgem Maria (grávida de Jesus Salvador).

 

  1. Contemplando a Virgem de Guadalupe grávida, valorizar a participação das mães gestantes nos vários momentos da celebração.

 

7- MÚSICA RITUAL

 

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo do Advento Solenidades e Festas nesse tempo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

 

1 Canto de abertura. Júbilo em Deus, que orna sua noiva (Isaias 61,20). O canto de entrada que sintoniza a Festa com o tempo do Advento é: “Como o sol nasce da aurora, de Maria nascerá”, CD: Liturgia VIII, melodia da faixa 13.

 

A Igreja oferece também outras opções: “Tu és a glória de Jerusalém”, CD: Festas Litúrgicas I, melodia da faixa 1; “Ave Maria cheia de graça mãe do Senhor… com as estrofes: “Louva Jerusalém, louva o Senhor teu Deus… do Salmo 147, CD: Liturgia IV, melodia da faixa 8 (Advento).

 

  1. Ato penitencial. Muito oportuno a primeira fórmula do Missal Romano, página 395: “Senhor, Filho de Deus, que, nascendo da virgem Maria…”

 

  1. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD: Tríduo Pascal I e II; CD: Partes Fixas da Missa e também no CD: Festas Litúrgicas I.

 

  1. Salmo responsorial 95/96. “Canta ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira”.

 

Para a Liturgia da Palavra ser mais rica e proveitosa, há séculos um salmo tem sido cantado como prolongamento meditativo e orante da Palavra proclamada. Ele reaviva o diálogo da Aliança entre Deus e seu povo, estreita os laços de amor e fidelidade. A tradicional execução do Salmo responsorial é dialogal: o povo responde com um refrão aos versos do Salmo, cantados um ou uma salmista. Deve ser cantado da mesa da Palavra.

 

Para que cumpra sua função litúrgica, não pode ser reduzido a uma simples leitura. É parte constitutiva da liturgia da Palavra e tem exigências musicais, litúrgicas e pastorais.

 

  1. O canto ritual do Aleluia. “Maria alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo; és bendita entre todas as mulheres da terra” (Lucas 1,28). O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Santoral.

 

A aclamação ao Evangelho é um grito do povo reunido, expressando seu consentimento, aplauso e voto. É um louvor vibrante ao Cristo, que nos vem relatar Deus e seu Reino no meio das pessoas. Ele é cantado enquanto todos se preparam para ouvir o Evangelho (todos se levantam, quem está presidindo vai até ao Ambão).

 

  1. Apresentação dos dons. Quando acolhemos o Verbo de Deus, como Maria, o nosso coração nos chama a partilhar. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração nesta Festa de Nossa Senhora de Guadalupe. Para essa ação ritual é muito oportuno o canto: “As nossas mãos se abrem, mesmo na luta e na dor”, CD: Liturgia VIII, melodia da faixa 10.

 

  1. Canto de comunhão. “Todas as gerações me chamarão de bem-aventurada” (Lc 1,48-49). “Povo de Deus, foi assim:…”, CD: Festas Liturgia III, melodia da faixa 7.

 

Outra ótima opção é o Magnificat: “O Senhor fez por mim maravilhas, Santo é seu nome, santo é seu nome!” CD: Liturgia VIII, melodia da faixa 14; “A minha alma engrandece o Senhor”, CD: Liturgia VIII, faixa 11; “O Senhor fez por mim maravilhas, santo, santo, santo é teu nome.” CD: Liturgia VIII, faixa 6; “O Senhor fez em mim maravilhas Santo é seu nome” CD: Liturgia IV, faixa 12.

 

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

 

  1. Colocar na porta principal do local onde a comunidade se reúne, um cartaz contendo fotos e imagens de mulheres do nosso povo e também das várias imagens de Maria, Mãe do Senhor. No centro ficará escrito apenas: “Mulher do povo, Senhora de Guadalupe, Mãe do Senhor”. No interior da Igreja, o lugar da imagem da Mãe do Senhor seja ornado com flores e incenso. Muito cuidado para que a imagem não ocupe um lugar inapropriado. O lugar central é sempre de Cristo.

 

  1. Pode-se colocar uma imagem de Maria, em lugar adequado e preparado com antecedência no presbitério ou próximo dele. O lugar da imagem de Nossa Senhora seja ornado com flores e velas. Dê-se destaque à imagem, sem, contudo, deixar que esse destaque roube a centralidade do Altar e dos demais elementos do espaço celebrativo.

 

  1. AÇÃO RITUAL

 

Contemplamos nosso destino realizado na Virgem Maria, ao celebrarmos sua Páscoa. Como imagem da Igreja, incorporada a Cristo, já participa da plenitude da vida em Cristo. Ao recordarmos esse acontecimento, nutrimos nossa esperança de ver em nosso corpo realizadas as promessas de Deus.

 

Ritos Iniciais

 

  1. Fazer a procissão de entrada com pessoas que tenham os nomes com que costumamos invocar Maria. Pode-se trazer a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, que não será incensada (caso se utilize incenso) nos ritos iniciais, mas sim na Apresentação das Oferendas como é costume do Rito Romano. Neste caso, prepare-se um lugar de destaque para a imagem, de preferência, fora do presbitério, mas à vista de toda a assembleia.

 

  1. A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial, e vai introduzir a assembleia no Mistério celebrado. A procissão de entrada pode ser acompanhada com a entrada do Evangeliário, que deve ser colocado na mesa do Altar, até a hora da aclamação ao Evangelho, durante a qual é levado, solenemente, até a mesa da Palavra.

 

  1. Para saudação presidencial poderá ser inspirada em Gálatas 4,4:

 

O Deus que, na plenitude dos tempos, enviou o seu Filho nascido de uma mulher, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.

Todos: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

 

  1. Em seguida, dar o sentido litúrgico da celebração. O Missal deixa claro que o sentido litúrgico da celebração pode ser feito pelo presidente da celebração, pelo diácono um leigo/a devidamente preparado (Missal Romano página 390). O sentido litúrgico pode ser proposto, através das seguintes palavras, ou outras semelhantes:

 

Festa de Nossa Senhora de Guadalupe. Com a proteção de Nossa Senhora de Guadalupe, a América Latina unida poderá trazer esperanças e nova fé, nesta hora de crise, que atinge toda a humanidade. Como o indígena Juan Diego vamos nós também ao encontro de Nossa Senhora.

 

  1. O Ato penitencial pode ser feito conforme a primeira fórmula do Missal Romano, página 395:

Senhor, Filho de Deus, que nascendo da Virgem Maria, vos fizestes nosso irmão, tende piedade de nós.

 

  1. Por ser uma festa importante para nós, entoemos com toda a Igreja o Hino de louvor (glória).

 

  1. Na Oração do Dia, suplicamos a Deus que conceda aos povos da América Latina o crescimento na fé e alcançar o progresso no caminho da justiça e da paz.

 

Rito da Palavra

 

  1. Cada vez mais, cai em desuso os chamados “comentários” antes das leituras.. São, inclusive, dispensáveis, sendo preferível o silêncio ou um refrão meditativo que provoque na assembleia aquela atitude vigilante para a escuta e consequentemente acolhida da Palavra de Deus. Para abrir a Liturgia da Palavra, seria oportuno um breve refrão meditativo. Sugerimos este refrão: “Senhor que a tua Palavra, transforme a nossa vida, queremos caminhar com retidão na tua luz”. Pode-se fazer o acendimento de velas junto à Mesa da Palavra.

 

  1. A proclamação da leitura tenha por parte dos leitores, a consciência de que a comunidade é como Maria que acolheu o Verbo no seu seio. A proclamação das leituras se envolve da mística encarnatória, onde o Verbo de Deus se faz carne na vida da comunidade. Esta, para ser assunta aos céus como a Mãe do Senhor deve, assumir a Palavra que lhe é dada pela voz e expressão dos leitores e leitoras.

 

  1. Maria é a mulher do silêncio, isto é a mulher da contemplação. Em todo o rito, a Palavra se conjuga com o silêncio. Momentos de silêncio após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecem a atitude de acolhida da Palavra. O silêncio é o momento em que o Espírito Santo torna fecunda a Palavra no coração da comunidade. Nem tudo cabe em palavras.

 

  1. A primeira leitura deve ser proclamada por uma mulher.

 

  1. Cantar com particular solenidade o Salmo responsorial que é de caráter festivo.

 

Rito da Eucaristia

 

  1. A preparação dos dons tem uma finalidade prática, expressa na procissão com que o pão e o vinho são trazidos ao altar. Segundo o costume das refeições judaicas, bendiz-se a Deus pelo alimento básico, o pão, e pela bebida mais significativa, o vinho. Evitar chamar este momento de “ofertório”, pois ele acontece após a narrativa da ceia (consagração).

 

  1. Na oração sobre os dons suplicamos a Deus que o Espírito Santo santifique as oferendas do povo que estão sobre o altar.

 

  1. Na incensação das oferendas, não se esquecer de incensar a imagem de Maria. A ordem da incensação ficaria assim: o padre incensa as oferendas, o Altar, a cruz e a imagem de Maria (no caso de festas mariana). O ministro do incenso (turiferário) incensa o padre, outros padres se houver, e o povo. Seria bom ser um pouco mais generoso na incensação do povo… O canto de apresentação dos dons deve prosseguir enquanto durar a incensação.

 

  1. Na celebração de é muito oportuno o Prefácio da Virgem Maria, I que contempla a maternidade divina da Virgem Maria, cujo embolismo reza: “À sombra do Espírito Santo, ela concebeu o vosso Filho único e, permanecendo virgem, deu ano mundo a luz eterna, Jesus Cristo, Senhor nosso”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado nesta Festa e que pode ser aproveitado na celebração, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. As demais não podem ter os prefácios substituídos com grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

 

  1. Cantar o que está previsto na Oração Eucarística ou, pelo menos, o prefácio, que é próprio das aclamações, o “Por Cristo, com Cristo, em Cristo…, e o Amém final. A Revista de Liturgia, nº 74, página 21, oferece uma louvação inspirada no prefácio, para ser cantada nas celebrações da Palavra.

 

Ritos Finais

 

  1. Na oração depois da comunhão suplicamos a Deus que manifeste em nós a sua misericórdia e nos salve pela encarnação de Seu Filho.

 

  1. Ver a bênção solene das festas de Nossa Senhora (Missal Romano, página 527, nº 15).

 

  1. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Tenham fé na promessa do Senhor como Maria. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

 

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Celebremos a Páscoa semanal do Senhor na Páscoa de Maria valorizando os que assumem a sua missão em nossa diocese e no mundo inteiro de levar as pessoas a serem discípulos missionários de Jesus Cristo, como fez Maria. Em 1724, escrevia o Papa Bento XIV a respeito de Nossa Senhora de Guadalupe: “Nela tudo é milagroso: uma imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros; uma Imagem estampada numa tela tão rala que, através dela, pode-se enxergar o povo e a nave da Igreja tão facilmente como através de um filó; uma Imagem em nada deteriorada, nem no seu supremo encanto, nem no brilho de suas cores, pelas emanações do lago vizinho que, todavia, corroem a prata, o ouro e o bronze… Deus não agiu assim com nenhuma outra nação”.

 

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

 

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti