Primeira Parte da 1Ts: Ação de graças pelo Evangelho e pela fé (1,2-3,13)

Primeira Parte da 1Ts: Ação de graças pelo Evangelho e pela fé (1,2-3,13)

09/11/2017 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Na 1ª Carta aos Tessalonicenses o apóstolo destaca o tema da esperança (1,10), central para o entendimento de toda a carta. A ação salvífica é descrita como livramento da ira divina, uma justa reação de Deus diante do pecado do homem (5,9; Rm 1,18-32). Por meio do Evangelho, acolhido na fé, Deus transforma a vida dos cristãos, para que seja irrepreensível no dia do Juízo (3,13; 5,23), graças à união com seu Filho Jesus (4,17; 5,10).

Enfim, Paulo trabalha o tema da imitação. Trata-se, na realidade, da semelhança no anúncio do mesmo Evangelho: os apóstolos o receberam de Deus e o transmitiram aos tessalonicenses, que, por sua vez, difundem a Palavra a outros (1,6; 2,4). Essa imitação se produz no próprio ato de acolher o Evangelho (1,6), bem como na perseguição e no sofrimento por causa de Jesus (2,14).

  1. c) 2,1-12 – A conduta exemplar de Paulo

Na literatura paulina, são comuns as referências que o apóstolo faz ao seu ministério, para se defender diante dos conflitos com determinados fiéis ou adversários externos (2Cor 10-13). Não é o que acontece na 1Ts. Enquanto, no final do capitulo 1, o apóstolo tinha mencionado a acolhida recebida em Tessalônica, no capítulo 2, Paulo se lembra de sua permanência na cidade, para destacar as suas verdadeiras intenções e a sua atitude exemplar (2,10). Na realidade, o apóstolo menciona a existência de mestres e pregadores itinerantes que percorriam as cidades daquele tempo, com segundas intenções. Por meio dessa contraposição, ele apresenta os critérios de um verdadeiro ministério apostólico (2,5).

Em sua ótica, a qualidade central de um apóstolo não é apenas anunciar o Evangelho, mas ter uma atitude de desinteresse pessoal. Podemos identificar que Paulo estabelece uma espécie de antítese entre os efeitos da pregação (1,6-8; 2,13-14) e a sinceridade do pregador (2,2). O evangelizador enfrenta dificuldades externas, mas também fadigas interiores. O trabalho missionário seria em vão se os apóstolos não empenhassem a própria vida ou se os tessalonicenses não acolhessem a Palavra (3,5).

Por isso, o apóstolo deve ser consciente de que Deus continua a examinar a sua interioridade. Essa é a única aprovação que ele deve buscar (2,4). Caso contrário, o anúncio do Evangelho, ainda que correto do ponto de vista doutrinal, seria malicioso e enganador. O ministério apostólico não pode jamais usar a bajulação para conquistar fama e dinheiro. Por isso, Paulo trabalhava, a fim de não depender financeiramente daqueles que escutavam a sua palavra (2,9) e, consequentemente, evitar mal-entendidos.

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