Primeira Parte da 1Ts: Ação de graças pelo Evangelho e pela fé (1,2-3,13)

Primeira Parte da 1Ts: Ação de graças pelo Evangelho e pela fé (1,2-3,13)

17/10/2017 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

b) Exórdio (introdução) da carta (1,2-10)

No primeiro capítulo, lemos que o poder do Evangelho transformou os tessalonicenses em uma Igreja rica de fé, amor e esperança, capaz de anunciar a fé em Jesus aos seus conterrâneos. A introdução alude aos principais temas da carta como as virtudes teologais (1,3; 5,8): fé (1,8; 3,2.5.7.10), amor (3,12; 4,9; 5,13) e esperança (2,19; 4,13); a ideia de eleição (1,4; 5,9) e o vocabulário da ira e da salvação (1,10; 2,16; 5,8.9). De maneira particular, a frase de 1,9-10 anuncia a chegada dos apóstolos (2,1-12) e a conversão dos tessalonicenses (2,13-16). O último versículo do exórdio da carta (1,10) aponta o tema da ressurreição e do retorno do Senhor (4,13-5,11).

Paulo realiza uma ação de graças pela obra de Deus na comunidade de Tessalônica. O principal verbo dessa primeira parte da introdução é “eukharisteo” (“dar graças”). Esse agradecimento (1,2) tem como finalidade predispor favoravelmente os interlocutores do apóstolo ao seu ensinamento. A relação entre Paulo e a comunidade era serena e afetuosa. Entretanto, ele se preocupava que esses cristãos parassem de progredir na fé. Ao longo da carta, percebemos o uso dos pronomes “nós” e “vós”. Paulo demonstra que os tessalonicenses conhecem e agem segundo as orientações apostólicas. Percebemos isso no uso das seguintes expressões: “sabeis” (1,5; 2,1.2.5.11; 3,3.4; 4,2; 5,2), “sois testemunhas” (2,10); “recordais-lembrais” (2,10), entre outros.

Os motivos da ação de graças são múltiplos, mas todos eles unidos: Deus escolheu os tessalonicenses (1,4), que acolheram a palavra dos apóstolos como palavra de Deus (2,13) e agora a vivem por meio da fé, do amor e da esperança, que os fortifica mesmo diante das perseguições. Assim, os cristãos tessalonicenses são chamados a pregar e a agradecer continuamente como fazem os apóstolos (5,17-18).

Paulo usa o termo “Evangelho” não para indicar um escrito, mas o anúncio da morte e da ressurreição de Jesus. Essa proclamação se trata da própria Palavra de Deus, que age sob o poder do Espírito Santo na comunidade. O Evangelho produz conversão e imitação (1,6). Na verdade, tudo isso resulta do fato de os tessalonicenses terem sido “escolhidos” por Deus (1,4). No Antigo Testamento, a “eleição” é um privilégio de Israel, não em virtude dos seus méritos particulares, mas como resultado da graça e do amor de Deus. Agora,  as comunidades cristãs de origem pagã  são objeto da mesma escolha, que tem a sua fonte no amor gratuito do Deus salvador.

Esse amor levou os tessalonicenses a abandonarem o culto dos deuses pagãos pelo culto ao Deus de Israel (1,9). A palavra “ídolo” significa tanto os objetos de culto quanto as próprias divindades pagãs. A esses ídolos falsos e mortos, Paulo contrapõe o Deus vivo e verdadeiro. Servir a Deus, nessa ótica, significa adorar o Senhor seja no culto seja por meio de uma existência transformada pelo Evangelho.

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