LÍDERES AMADORES

LÍDERES AMADORES

15/10/2018 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Se existe um forte funcionalismo em muitas realidades eclesiais, onde muitos agentes de pastoral, catequistas, e outras lideranças leigas da Igreja se tornam verdadeiros funcionários e burocratas da instituição eclesial, onde lamentavelmente o utilitarismo e o eficientismo se tornam a regra dominante, por outro lado, existe também, em muitas de nossas comunidades eclesiais, um também lamentável amadorismo em relação à preparação e formação de muitas de nossas lideranças leigas.

E essa é justamente outra denúncia profética de nossos bispos em relação aos recuos na participação dos cristãos leigos na Igreja e na sociedade, presente no Documento 105 que estamos estudando nesse Ano Nacional do Laicato.

Nossos bispos enfatizam ainda que esse amadorismo, na formação de nossas lideranças, gera graves conflitos na vida da Igreja, caracterizados por discórdias, divisões, apegos aos cargos, servilismo, acúmulo de responsabilidades, entre tantos outros males que se tornam verdadeiros escândalos àqueles que são fracos na fé, ou que estão afastados da vida da Igreja, ou ainda àqueles que não são cristãos.

Ao observarmos as realidades de muitas de nossas comunidades, constatamos, com muita tristeza no coração, algumas cenas nada evangélicas, como é o caso, por exemplo, de tantos irmãos e irmãs em Cristo que serviram por longos anos em uma pastoral, movimento ou mesmo na catequese, acabando sendo descartados por motivos banais, sem receberem nem mesmo um “muito obrigado” pelos anos em que serviram com zelo e dedicação ao Povo Santo de Deus. É assustador vermos também algumas lideranças, que já estando engajadas em um ou mais serviços pastorais em suas comunidades, acabam assumindo ainda outras responsabilidades e encargos só para aparecerem, ou pior ainda, só para agradarem aos seus párocos e serem elogiadas publicamente. Sem falar naqueles que semeiam calúnias e difamações contra seus irmãos, comprometendo seriamente suas reputações e seus trabalhos pastorais, o que é algo terrível que tem se tornado muito comum nos meios eclesiais.

Poderia ainda citar muitos outros exemplos escandalosos como esses, que são fruto de uma formação cristã distorcida e falha, que acaba por perverter os valores do Evangelho, transformando nossas comunidades eclesiais em ambientes tensos e angustiantes, onde não se vive ou se vive de maneira precária a comunhão fraterna, e assim o acesso ao Reino de Deus encontra sérios obstáculos.

Ao chegarmos à reta final desse Ano Nacional do Laicato, celebrado pela Igreja no Brasil, que possamos todos nós, cristãos leigos e leigas, junto aos nossos Pastores, fazermos um sério exame de consciência diante de Deus para revermos nossas condutas de líderes cristãos, e conduzidos pelo Divino Espírito Santo e de coração contrito, mudarmos nossas atitudes amadoras e irresponsáveis em atitudes maduras e responsáveis para maior Glória de Deus e consolidação de Seu Reino de amor e justiça entre nós.

E não nos esqueçamos de levarmos a sério o estudo das Sagradas Escrituras, do Catecismo da Igreja Católica, dos Documentos do Concílio Vaticano II, e das Encíclicas Papais, só para citar alguns exemplos, que é um verdadeiro antídoto contra o amadorismo pastoral.

 

Flávio Cividanes de Quero

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