Mons. Chica Arellano: sistemas alimentares sejam resilientes e inclusivos

Mons. Chica Arellano: sistemas alimentares sejam resilientes e inclusivos

13/10/2021 Off Por José - Setor de Comunicação

Isabella Piro – Cidade do Vaticano 

Resilientes, inclusivos e sustentáveis: é assim que devem ser os sistemas alimentares para pôr fim ao “flagelo da fome”. Foi o que defendeu o Observador Permanente da Santa Sé junto à FAO, IFAD e PAM por Monsenhor Fernando Chica Arellano, ao se pronunciar nesta  terça-feira, 12,  no seminário de estudos centrado no tema “Sistemas alimentares resilientes, inclusivos e sustentáveis: das palavras aos fatos”.

O evento foi organizado pelo Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, juntamente com a Missão Permanente da Santa Sé junto à FAO, IFAD e PAM e ao Fórum de Roma de ONGs de inspiração católica.

O ponto de partida para o encontro foi a cúpula das Nações Unidas sobre sistemas alimentares realizada em setembro, bem como a pré-cúpula sobre o mesmo tema realizada em Roma pelo governo italiano em julho.

320 milhões de pessoas a mais privadas de alimentação adequada

 

Em 2020, quase uma em cada três pessoas não tinha acesso a uma alimentação adequada. Trata-se de mais de 320 milhões de pessoas, um aumento espantoso em comparação com 2019, em parte também devido ao impacto da pandemia de Covid-19.

Todavia, enfatiza o Observador Permanente enfatiza, a questão dos recursos alimentares vai além de uma mera “abordagem quantitativa”: na realidade, ela deve ter “um olhar aberto” que também considere as mudanças climáticas, a gestão de resíduos e da poluição, a diminuição da água potável e a perda da biodiversidade. O ponto de vista correto, explica Monsenhor Chica Arellano, deve ser “a lógica do cuidado”, pois somente assim os sistemas alimentares poderão “proteger a Terra e manter a dignidade da pessoa humana no centro, garantindo comida suficiente para todos e promovendo um trabalho digno em nível local”.

Reconhecendo o direito à alimentação para os refugiados

 

Diante de “injustiças sistêmicas”, é preciso “uma transformação sistêmica” voltada para sistemas alimentares resistentes, inclusivos e sustentáveis. O Observador permanente declina estes três adjetivos ponto por ponto: os sistemas alimentares resistentes são aqueles em que o direito à alimentação é reconhecido também para grupos vulneráveis, como os refugiados, e aqueles que apostam em inovações tecnológicas e sociais, pois “melhoram a eficiência e reduzem o custo da energia limpa”, inspirando esperança. Os sistemas alimentares inclusivos, ademais, tornam possível a luta contra a fome por meio da “colaboração entre os setores público e privado, a sociedade civil e as universidades”.

Dar voz às mulheres, aos jovens e aos povos indígenas

 

Com isto em mente, Monsenhor Chica Arellano chama a atenção para três categorias específicas que “devem ter uma ampla voz e estar envolvidas nos processos políticos e de tomada de decisões”: as pequenas produtoras das áreas rurais, que “devem ter acesso garantido à terra e ao crédito para que possam atuar como catalisadoras e facilitadoras da transição”; os jovens que representam “os líderes de hoje, não de amanhã, porque a transformação dos sistemas alimentares é também uma questão de justiça entre gerações”; e povos indígenas que “desempenham um papel fundamental na preservação e proteção da natureza”.

O homem é administrador, não proprietário da Criação

 

Por fim, os sistemas alimentares sustentáveis são aqueles que respeitam “o meio ambiente, os trabalhadores e as gerações futuras”. Somente assim, de fato, afirma o Observador Permanente, a sustentabilidade poderá ser “ambiental, econômica e social”, permitindo construir “novos modelos de desenvolvimento baseados no cuidado de nossa casa e família comum”, graças a uma humanidade consciente de “ser administradora responsável da Terra”.

Erradicar a fome no mundo é missão de todos

 

A estratégia correta para atingir estes objetivos, acrescentou o prelado, é a de “ver-julgar-agir” e, portanto, “passar das palavras aos atos”, pois “cada um de nós deve ser animado pelo mesmo objetivo de erradicar a fome do mundo e garantir o acesso igualitário a uma alimentação saudável e nutritiva”.

Se, de fato, os sistemas alimentares não forem “equos e sustentáveis” e se a mentalidade contemporânea não entender o quanto é essencial “o tema da alimentação para uma vida digna, saudável e em harmonia com a natureza”, então “não haverá um futuro, mas tampouco presente”.

“A nossa contribuição à causa da fome no mundo é única e insubstituível”, conclui Monsenhir Chica Arellano. “Cultivemos uma mentalidade pronta a reagir com esperança e criatividade”, de modo a erradicar a fome e não deixar ninguém para trás.

Material retirado do site: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2021-10/chica-arellano-fao-alimentacao-resiliencia.html Clique aqui para acessar

Compartilhe: