NOSSA SENHORA DO CARMO, ROGAI POR NÓS!

NOSSA SENHORA DO CARMO, ROGAI POR NÓS!

12/07/2021 Off Por Marcos Perussi

“Salve, ó Santa Mãe de Deus, vós destes à luz o Rei, que governa o céu e a terra pelos séculos  eternos.”

O monte Carmelo. A palavra “carmelo”, em hebraico, significa vinha. A Bíblia celebra a beleza do monte Carmelo, na Palestina, onde o profeta Elias defendeu a pureza da fé de Israel no Deus vivo. No século XII, alguns eremitas foram viver neste monte e, mais tarde, construíram uma Ordem de vida contemplativa sob o patrocínio da Santa Mãe de Deus, Maria.

Nossa Senhora do Carmo. Uma só é a Nossa Senhora, a Mãe de Deus. Incontáveis são os seus títulos, entre os quais está o de Nossa Senhora do Carmo, vinculado ao Monte Carmelo, em Israel. A memória facultativa da bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo é celebrada no dia em que, segundo a tradição carmelita, Nossa Senhora, numa visão, teria entregue o escapulário do Carmelo a São Simão Stocck, que no século XII deu uma orientação mais ativa aos carmelitas.

O escapulário. O termo “escápula” tem o significado de ombro, que deu origem ao nome de escapulário, que originalmente era um avental usado sobre a túnica, que protegia o hábito, durante os trabalhos manuais dos monges. Este avental, paulatinamente, foi adquirindo um sentido espiritual: os monges o viam como símbolo da cruz, que portavam sobre os ombros, recordando o jugo suave de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Evolução da forma do escapulário. Na época medieval, além das ordens primeiras, dos monges, e das segundas, das monjas, surgiram as ordens terceiras, oblatos de um mosteiro, compostas por leigos que desejavam viver a espiritualidade de uma ordem monástica. Para estes oblatos, por questão prática, para não dificultar o trabalho cotidiano, o escapulário foi transformado em uma “miniatura”: um cordão, imitando o escapulário monástico, que pendia sore os ombros, composto de um pequeno pedaço de tecido marrom, antes era de lã. Acrescenta-se sobre o tecido, a imagem de Nossa Senhora do Carmo, no peito, e do Sagrado Coração de Jesus, nas costas. Hoje é permitido substituir o cordão por uma corrente, contendo duas medalhas, sendo uma de Nossa Senhora do Carmo e outra do Sagrado Coração de Jesus.

Tipos de escapulário. Há uma variedade de escapulários, conforme as ordens religiosas: marrom dos carmelitas; branco dos mercedários; preto dos servitas; azul dos teatinos; vermelho dos lazaristas. Infelizmente, hoje há um “abuso” na confecção dos escapulários, atendendo mais a um interesse mercadológico e respondendo a apelos de espiritualidades sem muita consistência.

As palavras de Nossa Senhora a São Simão Stock. Em dezesseis de julho de 1251, enquanto São Simão Stock, Prior Geral da Ordem do Carmo, rezava, Nossa Senhora apareceu-lhe, trazendo o escapulário nas mãos,  e disse-lhe: “Recebe, meu filho, este escapulário da Ordem, como sinal distintivo da minha confraria e selo do privilégio que obtive para ti e para todos os Carmelitas: o que com ele morrer, não padecerá o fogo eterno. Este é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos e prenda de paz e de aliança eternas.”

O privilégio sabatino. Nossa Senhora teria prometido a São Simão Stock o “privilégio sabatino”: aquele que morrer usando o escapulário, cumprindo algumas condições, sairá do purgatório, no primeiro sábado após a sua morte. Para tanto, é preciso guardar a castidade, cada qual segundo o seu estado, viver uma vida segundo o evangelho e os ensinamentos da Igreja, guardando os mandamentos. Assim, “Quem morrer com o escapulário não padecerá o fogo do inferno.” Se a pessoa usar o escapulário com reta intenção, na hora do seu falecimento, se estiver com pecado mortal, Nossa Senhora não o deixará partir sem receber os sacramentos.

O escapulário não é um amuleto. O escapulário não é um objeto mágico, dissociado da vida cristã. Não basta carregá-lo no pescoço. Ele é um convite a imitar o modo como Nossa Senhora viveu o seu conhecimento, amor e seguimento a Nosso Senhor Jesus Cristo. Neste sentido, o escapulário é um sacramental, que convida à conversão permanente, a abraçar na obediência irrestrita, segundo o estado de vida de cada um, à vontade de Deus, na Igreja.

Indulgência. A indulgência plenária é concedida à pessoa, no dia em que recebe o escapulário, na festa de Nossa Senhora do Carmo, dezesseis de julho, ou em outra data, desde que esteja em estado de graça, participe da santa missa, e reze nas intenções do Santo Padre o Papa, manifestando o desejo de carregar consigo, para sempre, o escapulário.

Como receber e usar o escapulário. A primeira recepção e imposição deveria ser feita com um escapulário de tecido marrom; o sacerdote deve abençoar e impor, com a devida fórmula; esta bênção e imposição valem para toda a vida; quando o escapulário se desgastar, basta substituí-lo, sem necessidade de repetir o ritual; se alguém deixa de usá-lo por algum tempo, ao retomar o uso, não precisa repetir o ritual; uma vez recebido o escapulário, deve ser usado sempre, no pescoço, mesmo quando estiver dormindo; em caso de enfermidade, se o escapulário for retirado, nos hospitais, a pessoa não perde os benefícios da promessa de Nossa Senhora; em perigo de morte, um leigo pode impor o escapulário, rezando a oração própria; o escapulário pode ser substituído por uma medalha que tenha o Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora do Carmo.

Oração para o uso do escapulário. “Santíssima Virgem Maria, esplendor e glória do Carmelo, vós olhais com especial ternura os que se revestem com vosso santo escapulário. Cobri-me com o manto da vossa maternal proteção, pois a vós me consagro hoje e para sempre. Fortalecei a mina fraqueza com vosso poder. Iluminai a escuridão do meu espírito com vossa sabedoria. Aumentai a minha fé, esperança e caridade. Adornai a minha alma com muitas graças e virtudes. Assisti-me na vida, consolai-me na morte com a vossa presença e apresentai-me à Santíssima Trindade como vosso filho dedicado, para que possa louva-La por toda a eternidade. Amém!”

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

Compartilhe: