O CRISTÃO LEIGO: SUJEITO ECLESIAL

O CRISTÃO LEIGO: SUJEITO ECLESIAL

19/02/2018 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Um dos documentos mais recentes da Igreja no Brasil, que aborda o papel dos leigos na Igreja e na Sociedade (Doc. 105 da CNBB) vem enfatizar que os leigos e leigas são verdadeiros sujeitos eclesiais, corresponsáveis pela Nova Evangelização.

Essa afirmação de nossos Bispos, que enfatiza a importância dos leigos como membros ativos do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja, não é uma novidade exclusiva desse Documento, que nasceu na 54ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de 2016.

Na realidade, o tema da vocação dos leigos, como verdadeiros sujeitos eclesiais, ganhou um especial destaque, na história recente da Igreja, com o Concílio Ecumênico Vaticano II, e na América Latina, especificamente, foi trabalhado nas diversas Conferências de seu Episcopado, voltando a emergir com vigor, em nível mundial, na eclesiologia missionária e renovadora de nosso querido Papa Francisco.

Talvez para muitos de nós esse tema pode parecer já estar consolidado na vida pastoral da Igreja, mas isso é um grave engano; pois ainda há hoje, muitos cristãos leigos ainda não vivem essa realidade de serem protagonistas na ação evangelizadora e missionária da Igreja. E os motivos para essa triste constatação são muitos, desde o fato de que muitos filhos da Igreja, embora tenham sido batizados, ainda não fizeram uma experiência pessoal e transformadora com Nosso Senhor Jesus Cristo; além de que muitos que já fizeram essa experiência, não persistiram no processo de Iniciação à Vida Cristã, e consequentemente foram se afastando aos poucos da caminhada de fé do Povo Santo de Deus, resultando numa vida cristã medíocre e superficial.

Outro motivo importante está no forte clericalismo, que infelizmente ainda afeta muitos de nossos Sacerdotes, que acabam inibindo a participação dos leigos em nossas Comunidades. E é assustador também o clericalismo de muitas lideranças leigas, que acabam agindo como “donos da Paróquia”, fazendo com que muitos irmãos e irmãs se afastem do serviço pastoral da Igreja, chegando até a ousadia de se voltarem contra seus legítimos Pastores, tratando-os com desprezo e profundo desrespeito.

Isso sem falar no espírito de rivalidade, nas disputas por coordenações, nas perseguições veladas e nas fofocas e maledicências que existem em muitas de nossas Comunidades, que acabam escandalizando os mais fracos na fé e levando ao desânimo e à desistência nossas lideranças leigas, que aos poucos vão perdendo seu vigor, entusiasmo e esfriando na fé.

E diante de tão grande desafio, o Documento 105 da CNBB se tornou um importante e útil instrumento da Providência Divina para motivar a participação dos leigos na vida pastoral da Igreja, como verdadeiros sujeitos eclesiais que são.

 

Flávio Cividanes de Quero