Dr. Rubens Siqueira

Dr. Rubens Siqueira

10/11/2017 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Indiferente é o adjetivo que qualifica algo ou alguém que não reconhece a importância de determinada coisa ou pessoa e não demonstra preferência ou emoção. A indiferença se manifesta quando uma pessoa trata a outra como se não existisse, a ignora ou limita suas conversas a respostas simples.

A indiferença é um sentimento que mantém à margem a pessoa que se comporta assim. No entanto, quando recebemos um golpe de indiferença de alguém, suas garras produzem feridas muito dolorosas em nós.

A indiferença pode ser, inclusive, mais perigosa que o ódio, porque ela  envolve frieza das pessoas,  que é algo devastador.

Podemos até dizer que o oposto absoluto do amor é a indiferença e não o ódio. Quando um ser humano se torna indiferente para com o outro, isso significa que o outro se tornou nada para ele. É como se o outro não existisse ou fosse desprovido de qualquer valor ou relevância enquanto ser. A indiferença manifestada em toda a sua intensidade é a maior agressão ao próximo. A indiferença é a contraposição absoluta ao amor. É por isso que muitos escolhem expressar seu ódio através da indiferença.

A indiferença camufla emoções conflitantes: inveja, ressentimento, ciúme, raiva, ainda que haja bem-querer. É reflexo de uma sociedade egocêntrica e consumista, que privilegia o instantâneo e descartável, além de estimular a competição entre as pessoas.

Precisamos superar a indiferença perante o sofrimento alheio. Lembremos da passagem bíblica do Bom Samaritano, apresentada por Jesus no Evangelho, na qual um homem samaritano (considerado pagão) ajuda uma pessoa que tinha sido roubada e espancada, ao contrário do que aconteceu com um sacerdote e um levita que passaram por ela indiferentes e não ajudaram. Esse samaritano, pecador, que estava em viagem, ‘viu o necessitado e não seguiu adiante, ou seja, não foi indiferente: sentiu compaixão’.

Que lugar ocuparíamos nesta narrativa? Passaríamos indiferentes diante de um necessitado ou estenderíamos a mão?

Na maioria dos casos quem sofre a indiferença são as pessoas próximas a nós, como nossos filhos (filhos dos pais que não tem tempo), esposa, marido, pessoas que estão próximas no nosso trabalho, que ficam esperando por uma simples migalha de atenção que pode significar para elas muito mais que imaginamos, significa receber amor.

Olhemos para as pessoas do nosso lado e pensemos: estamos sendo indiferentes?