Padre Marcos Cavallini

Padre Marcos Cavallini

10/11/2017 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Como pensar a Solenidade de Cristo Rei no século XXI

A festa de Cristo, rei do universo, foi criada pelo Papa Pio XI no ano de 1925, num contexto mundial bastante complicado. Era o período do pós-guerra (a primeira guerra mundial tinha terminado em 1918) e governos totalitários estavam presentes em muitos lugares: o fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, o comunismo na Rússia, etc.

E nesse tempo em que varria a Europa uma onda de secularismo e de ódio contra a Igreja Católica, o desejo do Papa Pio XI foi mostrar essa verdade: que Jesus Cristo continua a reinar sobre a história da humanidade.

Por isso, depois de quase um século da instituição dessa festa, sem dúvida alguma, precisamos repensar essa Solenidade, a partir da verdade cristã que Cristo precisa se tornar Senhor e Salvador de todo aquele que acredita n´Ele.

O tema do Senhorio de Cristo, esquecido na nossa Igreja, precisa ser proposto novamente com força entre os cristãos católicos!

Que lugar ocupa na nossa vida Jesus Cristo?

Ele tem se tornado de verdade Senhor e Salvador da nossa vida, ou será que muitos católicos vivem um ateísmo prático?

Na própria Oração da Coleta, que fazemos no dia da festa de Cristo Rei, rezamos «…fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente». A glória de Deus é o homem vivo disse Santo Irineu.

Precisamos anunciar Jesus Cristo vivo ao coração de cada pessoa que está diante de nós, a ponto da verdadeira libertação acontecer na vida dessa pessoa e do serviço aos outros tornar-se realidade concreta na vida do convertido.

Quem se encontra com Jesus, sente-se impulsionado a anunciá-lo aos outros! Isso tem impacto no próprio trabalho evangelizador da Igreja Católica! Não somos proselitistas, somos anunciadores! Não somos doutrinadores, somos testemunhas! E isso muda tudo!

Então, a profundidade e a beleza dessa festa, que quer nos mostrar como todas as coisas começam e terminam em Cristo, que é Rei, é muito grande!

Deveríamos celebrar a festa de Cristo Rei, no último domingo do ano litúrgico, como uma verdadeira solenidade que tem impacto de conversão, de santificação e de serviço num mundo que precisa muito desse anúncio e desse testemunho, talvez ainda mais do que há 92 anos,  quando essa festa foi instituída.

Precisamos mostrar aos fiéis a importância dessa festa, mas também a importância do testemunho cristão após a celebração da Eucaristia.

E, ao mesmo tempo, devemos superar a separação entre fé e vida e levar os fiéis a um compromisso verdadeiramente cristão, no qual eles vivam e convivam com as pessoas.

Num mundo extremamente violento e corrupto, precisamos de homens e mulheres que não se conformem com essa mentalidade, mas busquem uma verdadeira renovação a partir do encontro com Cristo, Salvador e Senhor!

O Papa Bento XVI insistia muito que a fé nasce de um encontro. Temos promovido a «cultura do encontro» com Cristo e com as pessoas nas nossas paróquias? Somente quando a estivermos promovendo, estaremos celebrando em profundidade a Solenidade de Cristo Rei do universo.

Padre Marcos Vinicius Cavallini
Mestre em Direito Canônico pela PUG de Roma
Pároco da Paróquia Santa Edwiges

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