Pe. Leonildo Pierin

Pe. Leonildo Pierin

07/12/2017 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

A expressão Imaculada Conceição indica a concepção de Maria que se deu em condições especiais, preservando-a da mancha do pecado original, do qual todos nós somos participantes. A escritura nos ensina que todos nós nascemos marcados pelo pecado. O salmo 50, 7 lembra essa realidade: “Eis que na culpa fui gerado, no pecado minha mãe me concebeu”. Paulo também lembra essa realidade na epístola aos Romanos 3, 23. “Todos pecaram e estão privados da glória de Deus”. No versículo seguinte, da mesma carta de Paulo, o autor lembra: “E só podem ser justificados gratuitamente, pela graça de Deus, em virtude da redenção no Cristo Jesus”.

Todos nós nascemos naquela solidariedade maléfica iniciada pelo pecado de nossos primeiros pais (pecado original). O pecado original se caracteriza por um desiquilíbrio na própria natureza corrompida e que vai se complicando à medida que vamos fazendo escolhas que geram mais desiquilíbrio ainda. É dessa cadeia de pecado que Cristo nos livra, e a primeira a ser liberta de tudo isso é a Mãe de Jesus, que foi preservada desde sua concepção dessa cadeia de pecado.

A natureza de Maria é integra, pois não sofreu as consequências do pecado original (concupiscência). Cada um de nós foi arrancado do pecado, recebendo as vestes batismais. Com Maria, Cristo sequer permitiu que ela fosse manchada pelo pecado. Maria foi salva por Cristo, mas de modo total e antecipado. Os textos bíblicos lembram essa realidade através da imagem da mulher e da serpente, em Gn. 3, 15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. A mesma mulher aparece em João nas Bodas de Caná, aparece aos pés da cruz. É a mesma mulher de quem fala Paulo na carta aos Gálatas 4, 4-5: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou seu filho, nascido de Mulher…”. Maria é mulher do apocalipse combatendo a velha serpente. Mas principalmente, como o anjo trata Maria: “alegra-te ó toda agraciada / Ave cheia de graça”, indicando sua santidade completa, sua preservação do pecado. Maria antecipou o sonho de Deus, como nos diz a carta de Paulo aos Efésios: “Nele, Deus nos escolheu, antes da fundação do mundo, para sermos santos e íntegros diante dele no amor”.

No meio católico já era uma verdade mesmo antes da definição dogmática em 1854, pelo Papa Pio IX. Os protestantes rejeitam essa interpretação, baseados em Rm 3, 23, que afirma que todos pecaram. Nessa interpretação Maria teria recebido um privilégio. Na verdade há algo extraordinário, como que uma nova criação que foi perfeitamente acolhida por Maria, que assumiu uma grande responsabilidade, e diferente de Adão e Eva, continuou obediente durante sua vida.

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