10/05/2017 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Maria no Evangelho de Mateus

O texto do evangelista Mateus apresenta Maria como a Mãe virginal do Messias, sob a ação do Espírito Santo. Segundo Murad (2012), Mateus dá um passo a mais na descoberta da figura de Maria, pois no Evangelho de Marcos, Maria é identificada com o grupo dos familiares de Jesus, que está em oposição ao grupo dos seguidores de Jesus. Em Marcos, Maria está fora do grupo dos seguidores de Jesus, que rompem com os laços familiares e biológicos, a fim de anunciar o Reino de Deus. Além das narrativas da vida pública de Jesus, Mateus acrescenta algumas narrativas  de sua  infância.

Nas narrativas da infância de Jesus, em Mateus, nos capítulos 1 e 2, se desenvolve a ideia da concepção virginal e da união com o filho, que não aparecem em Marcos. Há três narrativas que podem ser destacadas nesse quadro dentro desses dois capítulos: a primeira se refere à genealogia de Jesus (Mt 1, 1-17),  em que aparecem cinco mulheres em destaque, contrariando a lógica das genealogias patriarcais e encerrando a genealogia com a afirmação de que José é esposo de Maria, mulher que gerou Jesus; a segunda apresenta o anuncio do anjo a José (Mt 1, 18-25), que precisa reconhecer a ação do Espírito Santo em Maria, que fica grávida sem relação com homem algum; e a terceira se refere à adoração dos magos e volta do Egito (Mt 2, 10-19), onde se repete quatro vezes a expressão “o menino e sua mãe”, o que indica a íntima associação entre Jesus e Maria.

Na vida pública de Jesus, no Evangelho de Mateus, Maria aparece em dois textos,  que foram inspirados no Evangelho de Marcos, mas que aparecem com um enfoque diferente. No capítulo 12, 46-50, o evangelista Mateus ameniza o conflito entre os familiares de Jesus e o grupo dos seguidores de Jesus, retirando inclusive o versículo que fala da incompreensão de seus familiares. No capítulo 13, 53-58, Mateus apresenta a cena do profeta que é rejeitado em sua própria pátria, modificando algumas coisas que vieram de Marcos, como por exemplo, Jesus que é apresentado como filho do carpinteiro e não como o filho de Maria, como em Marcos, e também se retira a rejeição dos parentes de Jesus.

Novamente, como para o evangelista Marcos, Maria ainda não aparece como protagonista de uma história, aparece apenas como coadjuvante. “Não pronuncia nenhuma palavra, não demonstra nenhum gesto que revele sua pessoa” (MURAD, 2010, p. 47). Embora apareça no início da vida de Jesus e em sua vida pública, Maria ainda não aparece nos momentos cruciais de sua vida, como a morte e a ressurreição, como estão outras mulheres.

Bibliografia
MURAD, Afonso. Maria toda de Deus e tão humana: Compêndio de Mariologia. São Paulo: Paulinas, 2012.

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