Regina Caeli

24/05/2021 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Reprodução: A Santa Sé | Domingo, 23 de maio de 2021

Papa Francisco | Regina Caeli | Solenidade de Pentecostes

 

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

O livro dos Atos dos Apóstolos (cf. 2, 1-11) narra o que aconteceu em Jerusalém cinquenta dias depois da Páscoa de Jesus. Os discípulos estavam reunidos no cenáculo e com eles estava a Virgem Maria. O Senhor ressuscitado disse-lhes para permanecer na cidade até receber do alto o dom do Espírito. E isto manifestou-se com um «fragor» que, repentinamente, se ouviu vindo do céu, como um «vento impetuoso» que encheu a casa onde eles estavam (cf. v. 2). Portanto, trata-se de uma experiência real mas também simbólica. Algo que aconteceu, mas que também nos transmite uma mensagem simbólica para toda a vida.

Esta experiência revela que o Espírito Santo é como um vento forte e livre, ou seja, dá-nos força e liberdade: um vento forte e livre. Não pode ser controlado, impedido, nem medido; nem sequer se pode prever a sua direção. Não se deixa enquadrar nas nossas exigências humanas – procuramos sempre enquadrar as coisas – não se deixa enquadrar nos nossos esquemas e preconceitos. O Espírito procede de Deus Pai e do seu Filho Jesus Cristo, e irrompe na Igreja, irrompe em cada um de nós, dando vida à nossa mente e ao nosso coração. Como diz o Credo: «É Senhor e dá a vida». Tem o senhorio porque é Deus, e dá vida.

No dia de Pentecostes, os discípulos de Jesus ainda estavam desorientados e apavorados. Ainda não tinham a coragem de sair em público. E também nós, às vezes acontece, preferimos permanecer entre as paredes de proteção dos nossos ambientes. Mas o Senhor sabe chegar até nós e abrir as portas do nosso coração. Ele envia sobre nós o Espírito Santo que nos envolve e vence todas as nossas hesitações, abate as nossas defesas, desmantela as nossas falsas seguranças. O Espírito faz de nós novas criaturas, tal como fez naquele dia com os Apóstolos: renova-nos, faz de nós criaturas novas.

Depois de ter recebido o Espírito Santo, eles deixaram de ser como antes – Ele transformou-os – mas saíram, saíram sem medo e começaram a anunciar Jesus, a pregar que Jesus ressuscitou, que o Senhor está connosco, de tal modo que cada um os compreendia na própria língua. Pois o Espírito é universal, não nos priva das diferenças culturais, diferenças de pensamento, não, é para todos, mas todos o compreendem na própria cultura, na própria língua. O Espírito muda o coração, dilata o olhar dos discípulos. Torna-os capazes de comunicar a todos as grandes obras de Deus, sem limites, indo além das fronteiras culturais e religiosas com as quais estavam habituados a pensar e a viver. Torna os Apóstolos capazes de alcançar os outros, respeitando as suas possibilidades de escuta e de compreensão, na cultura e linguagem de cada um (vv. 5-11). Em síntese, o Espírito Santo coloca em comunicação pessoas diferentes, realizando a unidade e a universalidade da Igreja.

E hoje diz-nos muito esta verdade, esta realidade do Espírito Santo, onde na Igreja existem pequenos grupos que procuram sempre a divisão, separar-se dos outros. Este não é o Espírito de Deus. O Espírito de Deus é harmonia, unidade, une as diferenças. Um bom Cardeal, que foi Arcebispo de Génova, dizia que a Igreja é como um rio: o importante é permanecer dentro; não interessa se estás um pouco deste lado e um pouco do outro, o Espírito Santo faz a unidade. Ele usava a figura do rio. O importante é permanecer na unidade do Espírito e não olhar para as pequenas coisas, se estás um pouco deste lado e um pouco do outro, se rezas desta maneira ou daquela… Isto não vem de Deus. A Igreja é para todos, para todos, como mostrou o Espírito Santo no dia de Pentecostes.

Hoje peçamos à Virgem Maria, Mãe da Igreja, que interceda para que o Espírito Santo desça em abundância, encha o coração dos fiéis e acenda em todos o fogo do seu amor.

 


Depois do Regina caeli

Estimados irmãos e irmãs!

Confio às orações de todos vós a situação na Colômbia, que continua a ser preocupante. Nesta solenidade de Pentecostes, rezo para que o amado povo colombiano saiba acolher os dons do Espírito Santo a fim de que, através de um diálogo sério, possam ser encontradas soluções justas para os numerosos problemas de que sofrem em particular as pessoas mais pobres, por causa da pandemia. Exorto todos a evitar, por razões humanitárias, comportamentos prejudiciais para a população no exercício do direito ao protesto pacífico.

Oremos também pelas populações da cidade de Goma, na República Democrática do Congo, obrigadas a fugir devido à erupção do grande vulcão Nyiragongo.

Amanhã, os fiéis católicos na China celebrarão a festa da Bem-Aventurada Virgem Maria, Auxílio dos cristãos e Padroeira celestial do seu grande país. A Mãe do Senhor e da Igreja é venerada com particular devoção no Santuário de Sheshan, em Shanghai, e é invocada assiduamente pelas famílias cristãs nas provações e esperanças da vida quotidiana. Como é bom e necessário que os membros de uma família e comunidade cristã permaneçam cada vez mais unidos no amor e na fé! Deste modo, os pais e os filhos, os avós e as crianças, os pastores e os fiéis podem seguir o exemplo dos primeiros discípulos que, na solenidade de Pentecostes, estavam em oração unânime com Maria, à espera do Espírito Santo. Portanto, convido-vos a acompanhar com fervorosa oração os fiéis cristãos na China, nossos amados irmãos e irmãs, que tenho no íntimo do meu coração. O Espírito Santo, protagonista da missão da Igreja no mundo, os guie e ajude a ser portadores da boa nova, testemunhas de bondade e de caridade, e construtores de justiça e de paz na sua pátria.

E falando da festividade de amanhã, Maria Auxílio dos cristãos, dirijo um pensamento aos salesianos e às salesianas, que trabalham muito, muito na Igreja pelos mais distantes, pelos mais marginalizados, pela juventude. Que o Senhor os abençoe e os faça ir em frente com muitas vocações santas!

Amanhã encerra-se o Ano Laudato si’. Agradeço a todos aqueles que participaram com numerosas iniciativas no mundo inteiro. É um caminho que devemos continuar juntos, ouvindo o grito da Terra e dos pobres. Por isso, começará imediatamente a “Plataforma Laudato si’”, um caminho ativo de sete anos que orientará as famílias, as comunidades paroquiais e diocesanas, as escolas e as universidades, os hospitais, as empresas, os grupos, os movimentos, as organizações e os institutos religiosos a assumir um estilo de vida sustentável. E parabéns aos numerosos animadores que hoje recebem o mandato de propagar o Evangelho da Criação e de cuidar da nossa casa comum.

Saúdo cordialmente todos vós, provenientes de Roma, da Itália e de outros países. Vejo aqui a Polónia, o México, o Chile, o Panamá e muitos outros… Vejo ali bandeiras: a Colômbia. Obrigado por estardes aqui! Em particular, saúdo os jovens do Movimento dos Focolares… Estes Focolares são barulhentos! E os participantes na “Caminhada da amizade com as forças da ordem”.

Desejo bom domingo a todos vós. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista. Muitas saudações a vós!

 

 

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