Sabedoria e Cânon Bíblico

Sabedoria e Cânon Bíblico

22/03/2018 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

O livro da Sabedoria é uma obra singular no conjunto dos livros do Antigo Testamento, porque se trata do texto mais próximo do NT, uma vez que foi redigido no ano 30 a.C. Nós, católicos, denominamos o livro da Sabedoria como deuterocanônico. Em primeiro lugar, você deve saber que a palavra cânon provém da língua grega (κανὡν), que significava “vara de medir”, ou seja, designava um instrumento usado para verificar o comprimento de um determinado objeto ou terreno. Progressivamente, a palavra cânon assumiu o significado de “norma, medida, regra, modelo”. Portanto, quando nós utilizamos a palavra cânon no âmbito dos estudos bíblicos, referimo-nos ao conjunto de livros considerados inspirados e normativos para a vida de fé da comunidade cristã.

Dentro do cânon, podemos fazer uma distinção entre os livros protocanônicos e deuterocanônicos. Os protocanônicos designam os livros da Bíblia, cuja inspiração e autenticidade nunca foram questionadas. Foram os primeiros escritos admitidos pela comunidade de fé. Já os deuterocanônicos designam os livros que foram inseridos em um segundo momento, porque houve dúvidas ou debates sobre o seu conteúdo teológico. Em relação ao Antigo Testamento, são os seguintes livros: Baruc, Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e alguns capítulos dos livros de Daniel e de Ester. Quando Martinho Lutero, pai do protestantismo, fez a tradução da Bíblia para o alemão, ele considerou os deuterocanônicos como úteis para a leitura, mas não como textos inspirados. Progressivamente, esses sete livros foram retirados das bíblias protestantes. Se você quiser saber se uma bíblia é católica ou protestante, basta folheá-la e buscar encontrar esses livros. Caso não os encontre, saberá que se trata, evidentemente, de uma edição protestante. Atualmente, os irmãos separados denominam os nossos livros deuterocanônicos como apócrifos. Por isso, a Bíblia protestante apresenta 39 livros no Antigo Testamento, enquanto a nossa apresenta 46 escritos.

Diante do questionamento de Lutero, o Concílio de Trento (1545-1563) reafirmou, com base na Tradição da Igreja, que os livros deuterocanônicos são inspirados por Deus e, portanto, deveriam ser usados tanto na Liturgia quando no âmbito da reflexão teológica sobre a fé. Vale ressaltar que, para nós católicos, tanto os livros protocanônicos quanto os deuterocanônicos têm a mesma dignidade de Palavra de Deus.

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