SÃO BENTO: ORA E TRABALHA, UMA RECEITA POSSÍVEL PARA NOSSO TEMPO.

SÃO BENTO: ORA E TRABALHA, UMA RECEITA POSSÍVEL PARA NOSSO TEMPO.

06/07/2021 0 Por Setor de Comunicação

“Houve um homem venerável por sua vida que foi ‘Bento’ pela graça e pelo nome.”

A VIDA. São Bento nasceu em Núrcia, na Úmbria, Itália, por volta do ano 480. Estudou em Roma. Começou a vida eremítica em Subiaco, indo mais tarde, com um grupo de companheiros, para Montecassino, onde fundou um mosteiro e escreveu a regra da futura Ordem. Morreu em 21 de março de 547. Sua memória litúrgica é celebrada em onze de julho.

A OBRA. Da vida e obra de São Bento nasce uma grande família religiosa. Primeiro, a Ordem de São Bento, masculina, conhecida em todo o mundo pelos seus mosteiros, escolas e faculdades de teologia, redutos de fé e de cultura, que influenciam o ocidente, a ponto de ser conhecido como “patriarca do monaquismo do ocidente.” Ao longo da história da Igreja, nasceu também o ramo feminino, contemplativo. Com o tempo, paulatinamente, foram surgindo congregações religiosas inspiradas na regra por ele escrita, até mesmo comunidades de leigos oblatos.

ORAÇÃO DE SÃO BENTO. É muito popular, hoje em dia, uma fórmula de oração atribuída a São Bento: “A cruz sagrada  seja a minha luz. Não seja o dragão o meu guia. Retira-te satanás. Nunca me aconselhe coisas vãs. É mau o que tu me ofereces. Bebe tu mesmo do teu veneno.” No entanto, infelizmente, em geral, não se conhece muito mais da vida e da obra do santo. Assim, corre-se o risco de uma compreensão estereotipada da herança de fé por ele deixada.

DISTANCIAMENTO DO MUNDO. São Bento nos ensina a ter um certo distanciamento do “mundo”, não como fuga, nem para ficarmos reclusos como seus monges. O distanciamento é necessário para ter uma compreensão totalizante da realidade mundana e histórica, onde estamos inseridos e somos obreiros. Ele nos permite uma justa avaliação do valor de cada realidade espaço-temporal, tendo como paradigma a luz da fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. Afinal, estamos no mundo, mas não somos do mundo.

O SILÊNCIO. O silêncio contemplativo é outro legado deixado por São Bento. Num mundo onde proliferam as narrativas, normalmente infundadas e, por isso, nocivas, onde reina o excesso das imagens, numa tóxica poluição visual, o silêncio, exterior e interior, contribui para desfazermos das quimeras, e escutarmos Aquele que nos fala ao coração, Deus, Nosso Senhor. Não há melhor palavra que o silêncio. Só quem é aluno na escola do silêncio, saberá falar oportunamente.

A SOBRIEDADE. Na vida dos amigos de Nosso Senhor Jesus Cristo, a sobriedade é uma exigência que nasce da fé, brota no coração e deve frutificar na vida pessoal e social. O comércio, através das mídias, cria e vende necessidades. Enquanto uns vivem na miséria e pobreza, outros esbanjam no desperdício. São Bento nos propõe o desapego do supérfluo e a nos habituarmos a viver somente com o essencial. Se assim fizermos, não levaremos a terra à exaustão e todos terão acesso ao que é necessário para viver com dignidade.

O TRABALHO. O trabalho digno, qualquer que ele seja, é uma graça divina à pessoa humana. Através dele, cooperamos com a ação criadora de Deus, “aperfeiçoando” o mundo. São Paulo chega a afirmar, em uma de suas cartas, que “quem não trabalha não deve comer”, querendo combater a ociosidade de alguns cristãos, nos primórdios da Igreja. São Bento nos propõe deixar de lado a preguiça e nos dedicarmos com afinco ao trabalho, como fonte de nossa subsistência. Infelizmente, por falta de políticas públicas, da globalização e de interesses capitalistas exacerbados, muitos se encontram desempregados, mesmo querendo trabalhar.

A ORAÇÃO. A oração é uma proposta de São Bento não só para seus monges, mas para nós. Ela é alimento para a vida, nos conecta com Deus, próximo a nós, na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. A reza ventila o nosso ser, nos capacita a viver melhor, como peregrinos que temos o céu como meta. Mas, para os que rezam, o céu começa aqui. Orar é, de algum modo, experimentar o céu já aqui e agora. Seria bom experimentar a oração da Liturgia das Horas, fundada nos salmos, ao menos algumas horas. São Bento propôs aos seus alternar a oração e o trabalho, boa receita também para nós, sem desconsiderarmos outros aspectos fundamentes da vida em sociedade.
São Bento, rogai por nós!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP