SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA MISSA DA VIGÍLIA ANO A – 19 de agosto de 2017

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA MISSA DA VIGÍLIA ANO A – 19 de agosto de 2017

11/08/2017 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Leituras

1Crônicas 15,3-4.15-16;16,1-2. Davi abençoou o povo em nome do Senhor.
Salmo 131/132,6-7.9-10.13-14. Eis o meu lugar de repouso para sempre.
1Coríntios 15,54b-47. A morte foi tragada pela vitória.
Lucas 11,27-28. Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram.

“FELIZES SÃO AQUELES QUE OUVEM A PALAVRA DE DEUS E A PÕEM EM PRÁTICA”

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1- PONTO DE PARTIDA

Domingo da Assunção de Maria ao céu. Durante o Ano Litúrgico, acontecem diversas celebrações do Senhor, de Nossa Senhora e dos santos e santas.

Neste Domingo, celebramos a Solenidade da Assunção de Mossa Senhora. O dogma da Assunção de Nossa Senhora foi proclamado em 1950, pelo Papa Pio XII dando aos cristãos alegria e esperança.

Celebramos esta Solenidade da Páscoa de Maria dando graças ao Pai que eleva a humilde mulher, Maria de Nazaré, nela nos oferecendo o sinal da vitória definitiva de toda a humanidade, pela força da ressurreição de Jesus Cristo, nosso Salvador.

Com os religiosos contemplativos e missionários, membros dos institutos seculares e sociedades de vida apostólicas, escutemos a Palavra que o Senhor hoje nos dirige.

A Missa da Vigília é celebrada dia 15 à tarde ou à noite.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

1Crônicas 15,3-4.15-16; 16,1-2. Davis conseguira conquistar Jerusalém, arrebatando-a das mãos dos jebuseus, e constituí-la capital do reino; obteve também vitórias decisivas sobre os filisteus. Agora pensa em fazer da cidade a capital da nação. O primeiro Livro das Crônicas, centrada particularmente na pessoa de Davi, refere em pormenor os preparativos que o rei fez para transportar a “Arca” de Deus (JHWH) para uma “tenda” especial (16,1). A liturgia pega numa parte da narrativa e aplica-se a Maria elevada ao Céu.

A história da transferência da Arca da Aliança para Jerusalém (1Crônicas 15,1-16,3) já tinha sido contada por 2Samuel 6,12-19. O autor fornece, no século III antes de Cristo, uma releitura do episódio, que acusa seu caráter litúrgico. Na época em que ele escreve, o Templo de Jerusalém tornou-se o centro da vida de Israel, que, desde o exílio, perdera suas estruturas políticas.

Desde o Sinai até a construção do Templo em que será definitivamente instalada, a Arca da Aliança constitui, aos olhos de Israel, o sinal por excelência da presença de Deus no meio de seu povo, isto é, Deus que caminha com seu povo. Por que é o povo da fé, Israel naturalmente vê na Arca da Aliança o lugar onde Deus manifesta a sua presença atuante.

No seu elemento material, a “Arca” era uma caixa de dimensões modestas, revestida de ouro e preparada para ser transportada com facilidade. Era coberta com uma placa de ouro, chamada propiciatório, e por dois querubins com asas abertas que se apoiavam na placa. Em certos períodos da história hebraica a sua importância foi muito grande. De fato, a Arca era o sinal da presença de Deus, do “Senhor dos exércitos, que está sentado nela sobre os querubins” (2Samuel 6,2; cf. 1Samuel 4,4).

Maria, a “Mãe do meu Senhor” (Lucas 1,43), é a verdadeira arca, enquanto no seu seio toma carne humana Aquele que é o “Filho de Deus” (Lucas 1,35). Enquanto está unida ao Filho de modo único e inefável, Ele a introduz não numa tenda material, mas sim na “verdadeira tenda que o Senhor […] construiu” (Hebreus 8,2), isto é, leva-a Consigo também com o corpo para a glória celeste. A alegria espiritual que a Assunção suscita na Igreja e nos cristãos ultrapassa absolutamente a alegria dos tempos de Davi.

Salmo 131/132,6-7.9-10.13-14. O Salmo 131/132 mistura vários tipos. É considerado salmo real, pois, além de mencionar quatro vezes o rei Davi (uma vez em cada momento), fala do “messias” (versículos 10 e 17) sucessor de Davi no trono de Judá.

Este Salmo, de conteúdo messiânico, refere-se ao transporte da “arca”. O refrão quer indicar Jesus na glória (“Levantai-Vos, Senhor”) e Maria (“Vós e a arca da Vossa majestade”) que O segue em alma e corpo.

Contemplar o rosto de Deus no Salmo. Nos 18 versículos deste Salmo “Javé” aparece seis vezes, e “o Poderoso de Jacó” duas vezes. Esta última expressão recorda o tempo dos patriarcas e a época anterior à monarquia. O Salmo mostra que o Deus dos patriarcas e das tribos (o Poderoso de Jacó), o Deus do êxodo (Javé) e o Deus aliado do rei Davi e seus descendentes é sempre o mesmo Deus da Aliança que caminha com seu povo.

Para ver como este Salmo repercute nas palavras e ações de Jesus, é bom retomar o que foi dito a respeito dos salmos reais, dos cânticos de Sião e das liturgias. Evidentemente, para os primeiros cristãos, o messias deste Salmo encontrou realização em Jesus.

Cantando este Salmo na celebração da Assunção de Maria, peçamos a Deus que nos vista da alegria da salvação e que nunca afaste de nós a Sua face e fique para sempre habitando em nosso meio.

SUBI, SENHOR, PARA O LUGAR DE VOSSO POUSO,
SUBI COM VOSSA ARCA PODEROSA!
Segunda leitura – 1Coríntios 15,54b-47. Doxologia (glorificação de Deus) que termina a longa dissertação de São Paulo sobre a ressurreição dos corpos (1Coríntios 15,1-57).

Num quadro de inspiração judaica, Paulo propôs uma doutrina tipicamente cristã. A ressurreição por que ansiavam os judeus não passava, no fundo, de uma espécie de recuperação do corpo físico para poder participar do Reino, este mesmo material (1Reis 17,17-24). Mas a Páscoa do Senhor permitiu que a reflexão do Apóstolo Paulo ultrapassasse esse ponto de vista: a ressurreição não será simples recuperação do corpo físico, mas a transformação e o acesso de nosso corpo ao estatuto do corpo glorificado de Cristo.

No capítulo 15 da Primeira Carta aos Coríntios, Paulo afirma com vigor que Cristo ressuscitou verdadeiramente, e daí tira a conseqüência de que haverá também a nossa ressurreição corporal, dado que Cristo ressuscitou como “primícias” (1Coríntios 15,20). No texto litúrgico, pertencente ao final da Carta, Paulo sublinha que a nossa ressurreição é necessária, para que Cristo apareça claramente como vencedor da morte e do pecado. Com lirismo exclama que a “vitória” já não é da morte, mas de Cristo ressuscitado (versículos 54,55,57).

Maria, enquanto cheia de graça e Mãe do Filho de Deus, esteve sempre unida a Cristo de modo supremo e único; além disso, o pecado, que é o “aguilhão” venenoso que leva à morte (versículos 55-56), nunca a manchou.

Pelos méritos da redenção do seu divino Filho, Maria, “terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada por Deus como rainha, para assim se conformar mais plenamente com seu Filho […] vencedor do pecado e da morte” (Lumem Gentium, 59). Maria elevada ao céu é, desde já, a realização plena e definitiva da Igreja de Cristo no fim dos tempos, quando estiver “toda gloriosa, sem mancha nem ruga ou qualquer outro defeito” (Efésios 5,27). Lá do céu ela “não abandou essa missão salvadora, mas com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna” (Lumem Gentium, 62).

Evangelho – Lucas 11,27-28. O texto apresenta-se como finalização daquilo que o precede. Essa curta passagem parte de um conjunto (Lucas 11,14-32) carente de unidade, mas em que as correspondências são manifestas. A cura do surdo mudo (versículo 14) corresponde a felicidade daqueles que escutam a Palavra (texto de hoje, versículos 27-28); à demanda de um sinal extraordinário (versículo 16) corresponde o anúncio do sinal de Jonas (versículos 29-32); à discussão sobre as relações entre Cristo e Satã (versículos 17-20) e à parábola do homem forte (versículos 21-22) corresponde à descrição do retorno do espírito imundo reforçado (versículos 24-26). No cerne desse conjunto, a palavra de Cristo: “quem não está comigo é contra mim” (versículo 23).

O episódio da cura do surdo mudo e a felicidade daqueles que escutam a Palavra de Deus pertencem provavelmente a uma fonte influenciada por um rito catecumenal qualquer (cf. o “dedo de Deus” no versículo 20). O cristão ou o futuro cristão é convidado a rejeitar o espírito do mal e a escolher o Espírito que, por meio da obediência à Palavra, conduz à vida nova.

O grito daquela mulher do povo é espontâneo e exalta o Filho através da maternidade física da Mãe (“ventre”, 27). Jesus contraria as palavras dela, não porque não sejam genuínas, mas para as elevar ao nível da verdadeira família espiritual, da qual já falara (Lucas 8,19-21).

Ao referir o episódio, que só ele relata, Lucas tinha presente uma outra Mãe, a Mãe de Jesus, a quem ele já elogiara enquanto abençoada e bem-aventurada, completamente entregue à escuta. Isabel, depois da saudação de Maria, exclama: “Bendita és tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (Lucas 1,42); “Bem-aventurada aquela que acreditou” (Lucas 1,45). A mulher do episódio começa além disso a realizar a própria profecia de Maria: “De agora em diante todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lucas 1,48). Por outro lado, Maria está em escuta constante e medita tudo o que diz respeito ao seu divino Filho: Maria “guardava todos estes acontecimentos no seu coração” (Lucas 2,51; cf. 2,19).

A liturgia coloca lado a lado Maria “elevada ao céu” e a mulher “que acreditou” (Lucas 1,45).

Saídos de seu contexto e retomados no formulário litúrgico da Assunção, os dois versículos sublinham que a Virgem Maria é bem-aventurada, não por ter sido mãe de Jesus segundo a carne, mas por ter sido aquela que, por excelência, colocou-se à escuta da Palavra de Deus. O verdadeiro parentesco entre Jesus e sua Mãe é o que os une numa obediência comum à Palavra.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Retomemos duas afirmações litúrgicas para transferirmos para a nossa mente e para a nossa vida algumas das grandes riquezas espirituais da Solenidade da Assunção de Maria. “Grandes coisas se dizem de vós, ó Virgem Santa Maria” (Antífona de entrada). Uma dessas coisas é a Assunção, definida em 1950 como dogma de fé pelo magistério solene da Igreja com as seguintes palavras de Pio XII: “A Imaculada Mãe de Deus sempre Virgem, terminado o curso da vida terrena, foi elevada à glória celeste em alma e corpo”.

Este dogma, que suscitou tanta alegria e esperança entre os Católicos, não está contido explicitamente na Bíblia, mas as muitas razões que os Padres da Igreja e os teólogos aduziram a seu favor, como disse com razão Pio XII, “têm como último fundamento a Sagrada Escritura”. A Bíblia não contém todas as verdades (falta, por exemplo, a lista dos livros inspirados que a compõem), e por isso é necessário que a ela se junte a Tradição.

A Sagrada escritura oferece-nos pontos de partida que, à luz do Espírito Santo que atua na Igreja, conduzem ao mistério da Assunção, ou se prestam para a formulação do seu dogma. Os Padres e os Doutores da Igreja expressaram a sua fé, partilhada com os fiéis do seu tempo, recordando a “Arca”, sinal da presença de Deus, que é introduzida no santuário como está na primeira leitura, para afirmarem que Maria, que trouxe no seu seio o Filho de Deus, entrou no santuário celeste em corpo e alma. Assim, segundo a expressão do Salmo messiânico 131/132, “Levanta-vos, Senhor, Vós e a arca da Vossa majestade”, encontrou a ocasião para proclamar tudo o que ardia no seu coração e no coração dos fiéis: que a glorificação corporal de Jesus (“Levantai-Vos”) está unida à de Maria (“Arca”). O mesmo vale para a vitória definitiva sobre a morte com a glorificação corporal, de que fala a segunda leitura. Vale para o acolhimento obediente da Palavra de Cristo no Evangelho de hoje, que une Maria ao Filho e a torna participante da mesma sorte gloriosa.

E podemos acrescentar outros casos. Mas é importante revelar que os Pais da Igreja não deduzem, nem extraem dos textos bíblicos o que afirmam; antes, os textos bíblicos são ocasião e estímulo misterioso para exprimir a verdade de fé na Assunção. Com os seus raciocínios e atitudes os Pais da Igreja não demonstram rigorosamente o dogma da Assunção corpórea de Maria, mas pressupõem-no como fruto da ação do Espírito Santo na Igreja e ligam-no de certo modo à Sagrada Escritura, a qual permanece assim “último fundamento”do dogma.

Mais ainda, na Oração do Dia pedimos a Deus que, por intercessão de Maria elevada ao Céu, também nós “mereçamos ser por Vós glorificados”, no fim da vida, com alma e depois com o corpo. A Solenidade de hoje não nos transmitiria todo o seus perfume celeste se não nos abrisse à contemplação do grande mistério de amor que Deus reserva para cada um de nós, mediante Cristo e em união com Cristo. “Pai, eu quero que também aqueles que me deste estejam onde eu estiver, para que contemplem a minha glória” (João 17,24).

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Embora o dogma da Assunção de Maria tenha sido definido no Ocidente pelo ano de 1950, o mistério a que ele se refere é mais antigo.

Há muito tempo, tanto no Oriente quanto no Ocidente, celebra-se a “Dormição da Virgem” ou o Transitum Mariae, como também é conhecida esta festa. Os estudiosos a situam entre os séculos V e VI, com origem provavelmente Oriental. O enfoque teológico está no fato de Maria ter sido santificada pela Encarnação do Verbo. Os cristãos enxergam a sua morte como dormição e passagem: melhor ainda, entrada na glória de Deus, como ensina São João Damasceno.

A Nova Eva

Se, temos um novo Adão, há também uma Nova Eva. O ícone da Dormição, com o qual a Igreja desde sempre celebrou a páscoa da Virgem, traz no centro não a Mãe, mas o Filho, para onde o olhar do fiel converge. À base do Cristo, está deitada (dormindo! = imagem da morte) a Virgem Maria. São dois movimentos que se cruzam: um vertical (o Cristo, simbolizando a amizade do Céu com a terra) e outro horizontal (a Virgem deitada, simbolizando a humanidade como terra fértil para receber a semente da Vida).

Morte e Ressurreição, portanto, são dois aspectos da Páscoa de Cristo que Maria, imagem do mundo remido, experimenta. Nesse sentido é que podemos denominá-la de Nova Eva, porque é Mãe da Nova Humanidade nascida da Páscoa de Cristo, Senhor.

O batismo da Virgem

No mesmo ícone ao qual fazemos referência, há três imagens da Virgem: uma deitada (a morte), outra no alto (o trânsito ou passagem para o céu) e uma terceira: uma criança envolta em faixas (recém-nascida!) é uma alusão à nova condição da Virgem e de todos aqueles que nascem da Páscoa de Jesus, os cristãos e cristãs. Estão no colo de Cristo (uma alusão do significado do Kyrie eleison ou Senhor, piedade) e portam uma nova identidade, a alma iluminada pelo batismo.

A celebração da Páscoa de Maria, portanto, toca-nos agora a todos, pois revela nosso destino como homens e mulheres nascidos em gérmem pascal, pois “Maria, a Mãe de Deus, primícia, do gênero humano, era terrena e corruptível, como filha de Adão. Porém, sendo incorporada a Cristo, também seu corpo devia ser glorificado e tornar-se imortal, mediante a ressurreição de seu Filho”.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Como comunidade peregrina, grávida da salvação de Deus, nos reunimos para celebrar. Vivemos a experiência de Maria, que, vestida de sol e adornada de jóias bonitas, canta a esperança oferecida aos pobres e humildes.

Com ela entoamos, alegres, nossa ação de graças pela salvação realizada em Jesus Cristo, após termos ouvido e acolhido a Palavra, guardando-a em nosso coração para vivê-la, como Maria sempre fez.

Sentamos com ela à mesa do Pai e participamos do banquete do Reino, com seu Filho Jesus, saboreando antecipadamente a alegria de nossa elevação definitiva.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. No mês vocacional, é importante recordar a ministerialidade da Igreja, seus diversos serviços e, sobretudo os ministérios litúrgicos: “Por ser a comunidade reunida no Espírito Santo, sujeito da celebração, todos os seus membros têm o direito e o dever de participar da ação litúrgica, externa e internamente, de maneira ativa, consciente, plena e frutuosa” (Sacrosanctum Concilium, n. 14), para assim levar a obra salvífica do seu Senhor a efeito em si, na Igreja e no mundo. “Os ministros ordenados e leigos têm uma função especial de serviço na assembléia litúrgica, e toda ela, como comunidade eclesial de discípulos, está como missionária a serviço do mundo” (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2008-2010, n. 68).

2. A cor litúrgica de hoje é o branco

3. Retomando o conteúdo do Evangelho, na comunhão cantar um canto que faça eco ao Evangelho.

4. Dia 22, Oitava da Assunção de Maria, memória de Nossa Senhora Rainha.

6. Os cantos para esta celebração encontram-se no Hinário Litúrgico I da CNBB, CD: Festas Litúrgicas I e Festas Litúrgicas III, produzido pela Paulus, Ofício Divino das Comunidades e outros CDs citados abaixo.

7- MÚSICA RITUAL
O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos “cantar a liturgia” e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com “atitude espiritual” e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Solenidade da Assunção de Maria, “é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado”. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

A escolha dos cantos para as celebrações seja feita com critérios válidos. Não se devem escolher os cantos para uma celebração porque “são bonitos animados e agradáveis”, ou porque “são fáceis”, mas porque são litúrgicos. Que o texto seja de inspiração bíblica, que cumpram a sua função ministerial e que se relacionam com a festa ou o tempo. Que a música seja a expressão da oração e da fé desta comunidade; que combinem com a letra e com a função litúrgica de cada canto.

1. Canto de abertura. Todas as nações cantam as vossas glórias, ó Maria: hoje fostes exaltada acima dos Anjos, e triunfais com Cristo para sempre. “Uma mulher no céu foi vista”, CD: Festas Litúrgicas III, melodia da faixa 2; “De alegria vibrei no Senhor,” CD: Festas Litúrgicas III, melodia da faixa 1; “Tu és a glória de Jerusalém”, CD: Festas Litúrgicas I, melodia da faixa 1.

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD: Tríduo Pascal I e II; CD: Partes Fixas da Missa e também no CD: Festas Litúrgicas I.

O Hino de louvor “Glória a Deus nas alturas” é antiqüíssimo e venerável, com ele a Igreja, congrega no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto desse hino por outro (cf. IGMR n. 53). O CD: Festas Litúrgicas I propõe, na faixa 2, uma melodia para esse hino que pode ser cantado de forma bem festivo, solista e assembléia. Ver também nos outros CDs que citamos acima.

3. Salmo responsorial 131/132. Cântico das subidas e a realeza do Messias. “Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso, subi com vossa arca poderosa! CD: Festas Litúrgicas III, mesma melodia da faixa 3.

Para a Liturgia da Palavra ser mais rica e proveitosa, há séculos um salmo tem sido cantado como prolongamento meditativo e orante da Palavra proclamada. Ele reaviva o diálogo da Aliança entre Deus e seu povo, estreita os laços de amor e fidelidade. A tradicional execução do Salmo responsorial é dialogal: o povo responde com um refrão aos versos do Salmo, cantados um ou uma salmista. Deve ser cantado da mesa da Palavra.

4. Aclamação ao Evangelho. “Felizes aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”, (Lucas 11,28). “Aleluia… Felizes aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a guardam!”, CD: Festas Litúrgicas III, mesma melodia da faixa 4. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical, página 1035. Por isso, preserve-se a aclamação ao Evangelho cantando o texto proposto pelo Lecionário. Ele ajudará a manifestar o sentido litúrgico da celebração, conforme orientações da Igreja na sua caminhada litúrgica.

5. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, na Solenidade da Assunção de Maria. “Ela era pobre e silenciosa e até sofrida”, Hinário Litúrgico I da CNBB, página 67. Ver orientações em Ação Ritual n. 9. “É grande o Senhor, e nosso Deus,…”, CD: Festas Litúrgicas III, melodia da faixa 5.

6. Canto de comunhão. “Felizes as entranhas da Virgem Maria que trouxeram o Filho do Pai eterno” (Lucas 11,27). “Povo de Deus, foi assim:…”, CD: Festas Liturgia III, melodia da faixa 7.

O canto de comunhão “Povo de Deus, foi assim”, além de ajudar a assembléia a se sentir convidada ao mesmo destino de Maria, está em sintonia com o Evangelho, que traz o cumprimento das promessas de Deus, em relação aos sofrimentos do povo que anseia por libertação.

O fato de a Antífona da Comunhão, em geral, retomar um texto do Evangelho do dia revela a profunda unidade entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia, Eucarística e evidencia que a participação na Ceia do Senhor, mediante a Comunhão, implica um compromisso de realizar, no dia-a-dia da vida, aquela mesma entrega do Corpo e do Sangue de Cristo, oferecidos uma vez por todas (Hebreus 7,27).

7. Canto de louvor a Deus após a comunhão: “O Senhor fez por mim maravilhas, santo, santo, santo é seu nome”, CD: Liturgia VIII, melodia da faixa 6 (Advento); “O Senhor fez em mim maravilhas…”, CD: Liturgia IV, melodia da faixa 12 (Advento); “A minha alma engrandece o Senhor…, CD: Liturgia VIII, melodia da faixa 11.

O Magnificat pode ser entoado após a comunhão. Tenhamos o cuidado “de não se cantar qualquer canto de Nossa Senhora em qualquer festa” como diz o liturgista Frei Alberto Beckhäuser, que, no mesmo texto, acrescenta: “os cantos da solenidade da Imaculada Conceição têm caráter diferente dos da Solenidade da Mãe de Deus ou da Assunção de Nossa Senhora”, a qual hoje nos referimos.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Pode-se colocar uma imagem de Maria, em lugar adequado e preparado com antecedência no presbitério ou próximo dele. O lugar da imagem de Nossa Senhora seja ornado com flores e velas. Dê-se destaque à imagem, sem, contudo, deixar que esse destaque roube a centralidade do Altar e dos demais elementos do espaço celebrativo.

2. Uma boa opção é o uso do ícone da Dormição de Maria (este é o nome desta solenidade na tradição oriental). Nele, contemplamos Maria “nascendo” para a plenitude da vida em Cristo. Notemos que Cristo ocupa o centro do ícone e traz nos braços uma criança, símbolo do novo nascimento de sua e nossa mãe, a Virgem Maria. O significado litúrgico e espiritual deste ícone pode ser explicado na homilia.

9. AÇÃO RITUAL

Contemplamos nosso destino realizado na Virgem Maria, ao celebrarmos sua Páscoa. Como imagem da Igreja, incorporada a Cristo, já participa da plenitude da vida em Cristo. ao recordarmos esse acontecimento, nutrimos nossa esperança de ver em nosso corpo realizadas as promessas de Deus.

Ritos Iniciais

1. Seria bastante oportuno trazer um ícone da Dormição da Mãe de Deus na procissão de entrada, logo após a cruz processional. Deve ser posto em destaque, com uma lâmpada de azeite (ou outro inflamável) queimando a seus pés.

2. Pode ser trazido solenemente, onde for possível, em passos de dança ritual. Lembremos que a imagem da Virgem é a única que goza do status de poder ser posta no presbitério, desde que relacionada claramente com Cristo, seja como trono (quando o Cristo menino está em seus braços) ou numa outra atitude evangélica que ponha diretamente em ligação com Jesus. Ensaiar os passos da dança com antecedência.

3. Fazer a procissão de entrada com pessoas que tenham os nomes com que costumamos invocar Maria. Pode-se trazer a imagem ou ícone da Dormição da Virgem, ou uma imagem de Nossa Senhora da Assunção, que não será incensada (caso se utilize incenso) nos ritos iniciais, mas sim na Apresentação das Oferendas como é costume do Rito Romano. Neste caso, prepare-se um lugar de destaque para a imagem, mas relacionada com Cristo.

4. A saudação litúrgica, após o sinal da cruz, pode seguir as palavras inspiradas em Gálatas 4,4:

Presidente: O Deus, que na plenitude dos tempos, enviou o seu Filho nascido de uma mulher, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.
Todos: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Após a saudação do presidente, um ministro anuncia o mistério celebrado:

Celebramos a Assunção de Maria aos céus. A Mãe do Senhor é proclamada pela Igreja, a primeira a participar da sorte do Filho amado de Deus, nosso irmão. Como imagem da Igreja, ao ser assunta aos céus, ela anuncia nosso destino último, morar com Deus. Também intimamente unidos a Ele, entoaremos com Maria a vitória da ressurreição que nos transporta a todos para a pátria definitiva.

5. Acolher fraternalmente às famílias, que hoje poderão fazer a procissão de entrada por ser o encerramento da Semana Nacional da Família.

6. Na oração do dia contemplamos a humildade da Virgem Maria, Mãe do Filho Unigênito. Peçamos que também sejamos salvos pelo mistério da redenção de Cristo.

Rito da Palavra

1. A proclamação da leitura tenha por parte dos leitores, a consciência de que a comunidade é como Maria que acolheu o Verbo no seu seio. A proclamação das leituras se envolve da mística encarnatória, onde o Verbo de Deus se faz carne na vida da comunidade. Esta, para ser assunta aos céus como a Mãe do Senhor deve, assumir a Palavra que lhe é dada pela voz e expressão dos leitores e leitoras.

2. A primeira leitura deve ser proclamada por uma mulher. Durante as três leituras, sugerir que uma família permaneça ao redor da mesa da Palavra com velas acesas.

3. Na homilia, quem preside pode solicitar o testemunho de um(a) ou outro(a) religioso(a).

4. Nesta Missa da Vigília, onde for possível, fazer a Profissão de fé com velas acesas.

5. As preces, como ressonância da Palavra proclamada, sejam elevadas do Ambão, evitando-se formas indiretas: “para que…”, “pela nossa…”, “a fim de que…”. recordem o aspecto memorial e a suplica seja feita com base no que foi recordado. São formas de se valorizar a Palavra na celebração. Neste Domingo lembrar também no momento das preces comunitárias, as famílias e as(os) religiosas(os) que trabalham na comunidade ou que trabalharam, dando testemunho de serviço ao Reino, pela vida consagrada.

Rito da Eucaristia

1. Na preparação das oferendas, religiosos(as) e vocacionados(as) poderiam participar da procissão dos dons eucarísticos e das ofertas da comunidade e preparar a mesa do Altar.

2. Uma peça adequada para a procissão dos dons nessa celebração é “Ela era pobre e silenciosa e até sofrida”, Hinário Litúrgico I da CNBB, página 67, cuja letra descreve a postura santíssima da Virgem na relação com o Mistério Pascal: de inteira disponibilidade e louvor a Deus, que nela e por ela fez grandes coisas ao dar-nos seu Filho. Note-se, ainda, como termina o hino com a última estrofe: “Cantemos, hoje, com Maria, a esperança”. Aqui aparece o real sentido da memória mariana que é de enxergar, realizada nela, a nossa esperança para o mundo e a humanidade inteira.

3. Na incensação das oferendas, não se esquecer de incensar a imagem de Maria. A ordem da incensação ficaria assim: o padre incensa as oferendas, o Altar, a cruz e a imagem de Maria (no caso de festas mariana). O ministro do incenso (turiferário) incensa o padre, outros padres se houver, e o povo. Seria bom ser um pouco mais generoso na incensação do povo… O canto de apresentação dos dons deve prosseguir enquanto durar a incensação.

4. Na oração sobre as oferendas suplicamos a Deus que acolha o nosso sacrifício de reconciliação e louvor para que possamos ser perdoados e viver em ação de graças.

5. O prefácio é próprio e destaca Maria como “Aurora e esplendor da Igreja triunfante”. Onde não houver Missa, e sim celebração da Palavra, fazer a louvação entoando o “Bendito” em forma de repetição, conforme sugestão:

É BOM CANTAR UM BENDITO
UM CANTO NOVO, UM LOUVOR!

Ao Deus do céu, Pai bondoso,
por Cristo, nosso Senhor!
Ao Deus que acolhe Maria
pra ser mãe do Salvador”

Ao Deus que enche de graça,
Maria, Mãe do Senhor!
Maria, mãe dos fiéis,
aos pés da cruz se encontrou!
Maria, mãe e modelo,
com Cristo a morte esmagou!
Com a virgem mãe na sua glória,
a Igreja canta o louvor!

Ritos Finais

1. Na oração depois da comunhão suplicamos a Deus que a Eucaristia celebrada nos liberte de todos os males.

2. Dar uma bênção especial para as famílias presentes. Ver sugestões no Ritual de Bênçãos nas pág. 30-31.

3. Na Missa da Vigília e também na Missa do Dia, sugerimos, antes da bênção final, uma saudação a à Virgem Maria. Alguém deposita incenso no braseiro, enquanto se canta uma música de saudação a Maria, que pode ser: “A aurora precede o nascer do sol”, CD: Festas Litúrgicas I, melodia da faixa 8. Após o canto:

a) Todos se voltam para o ícone;
b) Em seguida depõe-se incenso e canta-se a saudação;
c) Faz-se a seguinte oração?

O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós!

Deus nosso Pai, sois bendito
Em vossos santos e santas.
Para manifestar o vosso grande amor por nós,
Enviaste-nos vosso Verbo, Jesus Cristo,
Que se dignou habitar o seio da Virgem de Nazaré.
Vosso Filho ao fazer a Páscoa da sua morte e ressurreição,
Deu-nos como símbolo de nosso destino
Sua Mãe Maria.
Permiti a vossa Igreja,
Ao celebrar a memória festiva de sua Páscoa,
Esperar com alegria a plenitude que Ela
Já experimenta por vossa graça,
Sendo no mundo humilde servidora.
Por Cristo, Senhor nosso, Amém.

Abençoe-vos Deus todo Poderoso…

4. Ou a fórmula de bênção solene das festas de Nossa Senhora (Missal Romano, página 527, nº 15).

5. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Tenham fé na promessa do Senhor como Maria. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

A festa da Assunção de Maria nos mostra hoje a mãe que temos no céu, mas também o caminho que devemos seguir para chegar onde ela está. Nunca sozinhos, mas na comunidade dos discípulos e irmãos de Jesus, alimentados pela Eucaristia, por ela conduzidos à comunhão com Cristo e com o Pai, avançamos pelos caminhos da história, cheios de alegria e esperança, dispostos a ser como Maria, a mulher forte, seguidores corajosos e perseverantes do seu Filho Jesus.

Celebremos a Páscoa semanal do Senhor na Páscoa de Maria valorizando os que assumem a sua missão em nossa diocese e no mundo inteiro de levar as pessoas a serem discípulos missionários de Jesus Cristo, como fez Maria

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas as outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti